domingo, abril 15, 2018

O Problema das Criadas


M. DIAS COELHO

Lisboa, 1958
Edições da O.P.F.C. [Obra de Previdência e Formação das Criadas]
1.ª edição
18,6 cm x 13,7 cm
200 págs.
profusamente ilustrado no corpo do texto
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
22,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma resenha histórica a celebrar as bodas de prata das conhecidas Casas de Santa Zita, onde a Igreja, um pouco por todo o país, desde os anos 30 do século XX, incutia alguma instrução e maneiras às rapariguinhas subtraídas aos casebres paupérrimos do campo, actividade que encontrou então certa resistência no seio da sociedade.
«[...] A maior luta travou-se, não dentro de casa, mas cá fora, na rua, no café, na imprensa, nas famílias, na sociedade.
A época em que a O.P.F.C. nasceu, não era das mais propícias a organizações católicas. Entre nós havia ainda muitos restos de liberalismo e maçonaria [...].»
«[...] mais impressionante ainda do que a falta de preparação profissional, era a imoralidade tremenda e espantosa que lavrava como incêndio pavoroso entre as vítimas indefesas, sujeitas a mil armadilhas e embustes.
De Março de 1931, a Março de 1932, só na cidade da Guarda foram mães 34 criadas solteiras...
Umas eram subornadas pelo dinheiro, oferecido a título de caridade ou de auxílio; outras enganadas pelos falsos namoros. Durante o mesmo espaço de tempo, 7 criadas matricularam-se na prostituição. [...]
«[...] no Domingo de Pentecostes de 1933, Ano Santo da Redenção [ano também da Constituição política que legalizou da ditadura militar que permitiu a tomada do poder por parte de Salazar e seus acólitos], o fundador da O.P.F.C. [padre Joaquim Alves Brás] meteu ombros à empresa. O programa que ele desenhou diante das “escolhidas” resume-se nas quatro palavras que doravante acompanharão sempre a bandeira da Obra, e que foram também o tema da conferência desse dia. Deus e almas, amor e sacrifício. O fim é a glória de Deus e a salvação das almas. O meio, o amor até ao sacrifício. [...]»
Foram, portanto, estes os princípios que nortearam uma organização católica de beneficência modelada no corporativismo (ver o seu Regulamento Interno, em apêndice no volume), que, por este meio, conseguiu imiscuir-se dentro dos lares portugueses do Estado Novo, assegurando o asseio proporcionado a patrões, mas também a presença aí vigilante de alguém com olhos e ouvidos minimamente alerta para detectar ab ovo qualquer desvio conspiracionista ou veleidade de cariz vermelho.

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