sábado, abril 07, 2018

Roteiro da Literatura Angolana


CARLOS ERVEDOSA

Lisboa, 1979
Edições 70
2.ª edição («revista e actualizada pelo Autor»)
21,4 cm x 13,4 cm
172 págs.
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem de um outro texto de Carlos Ervedosa (A Literatura Angolana, Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, 1963):
«[...] o jornalismo do último quartel do séc. XIX, beneficiando da liberdade de imprensa de que gozava, foi particularmente brilhante, distinguindo-se nele uma plêiade de publicistas, tanto europeus como africanos, em grande maioria perfilhando os ideais da República, cuja implantação, em 5 de Outubro de 1910, é acolhida com grandes manifestações de regozijo.
[...] Com o início do nosso século, acompanhando o desenvolvimento progressivo da Província, começa a desenhar-se uma maior tendência de fixação do europeu, que viria, lentamente, a modificar as estruturas da sociedade luandense. O crescimento do número de famílias europeias completas e, fundamentalmente, o aumento da proporção de mulheres brancas (de 1/10 em 1830 passaria a 1/1 cem anos depois), começa a levar o homem branco a não necessitar de procurar a mulher negra, o que determinaria, progressivamente, um desnível nos grupos humanos em presença. Começam, entretanto, a nascer os primeiros “filhos do País” de raça branca, que mais tarde viriam a ter papel relevante no movimento literário que em 1950 haveria de eclodir. Mas a chegada e fixação de grande número de europeus determinaria, não só uma alteração biológica na sociedade, mas também económica, pois passariam a fazer uma séria concorrência nas diferentes profissões que até aí eram desempenhadas quase exclusivamente por africanos, concorrência que hoje chega ao nível de criados de café, cauteleiros e ardinas. Por estas razões e por outras que cabem aos sociólogos averiguar, o que é certo é que a sociedade africana que atingira um grau razoável de desenvolvimento económico e de brilhantismo intelectual, entrou num processo de decadência que se viria a acentuar nos últimos vinte anos. [...]»

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