sábado, maio 05, 2018

Antologia do Humor Português




VERGÍLIO MARTINHO, org. e notas
ERNESTO SAMPAIO, org., prefácio e notas
desenhos de Carlos Ferreiro, Eduardo Batarda, João Machado e José Rodrigues

Lisboa, 1969
Edições «Afrodite» de Fernando Ribeiro de Mello
tipografia União Gráfica
1.ª edição [única]
21 cm x 14,5 cm
XXVIII págs. + 1.008 págs.
ilustrado
exemplar estimado; miolo limpo
120,00 eur (IVA e portes incluídos)

Magnífica! A mais magnífica incursão jamais feita ao corpus de literatura portuguesa, de onde os organizadores fazem saltar um espírito, um chiste, em pleno arraial do país sisudo e sufocado pelo Estado Novo. Outras antologias saídas dessa editora foram perseguidas pelas polícias, é público e basto conhecido, como a do Conto Fantástico ou a Erótica e Satírica; mas esta, verdadeiramente, melhor expõe um país... Lembra-nos o escritor surrealista Ernesto Sampaio no texto de abertura:
«[...] O humor, que na verdade é um dos privilégios da poesia, constitui, como o amor e a vontade prática revolucionária, a única força compósita capaz de restituir ao homem a sua dignidade autêntica. [...]
[...] resta-nos mencionar o humor, no ponto de cruzamento do desejo sem meios e dos meios sem desejo, como suprema lucidez, arte de denunciar e perseguir até aos seus covis mais recônditos os absurdos de uma situação irrisória e injusta em todos os planos, de uma lei fundamentada no dinheiro, no horror ao corpo, na baixeza obrigatória do espírito, no incessante atentado ao amor, a todos os poderes de afirmação e criação do homem livre, do homem que não cabe nos esquemas daqueles que ao comprarem a sua força de trabalho pretendem comprá-lo todo, em corpo e alma. [...]»
E para não destoar do projecto, o próprio editor Ribeiro de Mello espetou com o volume a ser composto e impresso numa tipografia da esfera de influência da Igreja! E não contente com isso, o que já não foi pouco, ainda pôs na ficha técnica os nomes dos intervenientes nos trabalhos, com especial relevo para as «irmãs» e respectiva congregação!
Escusado será dizer que poucos destes exemplares terão sobrevivido após a descoberta pelos responsáveis da oficina gráfica... Tendo, assim, saído dos prelos três versões distintas da pág. 1.006: a referida; uma outra em que a folha foi guilhotinada e substituída por uma com o cólofon resumido a quatro linhas; e ainda outra (a vertente) em que todos os nomes voltam aí a figurar, mas expurgados dos cargos religiosos.

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