sexta-feira, julho 20, 2018

Almanach Encyclopedico para 1896 = 1.º Anno


[EÇA DE QUEIROZ, pref.]

Lisboa, 1895
Livraria de Antonio Maria Pereira – Editor
1.ª edição [única]
18,8 cm x 13 cm
XLVIII págs. + 386 págs. + 34 págs. [catálogo do editor]
encadernação editorial
exemplar estimado, pastas esfoladas, restauros nas folhas-de-guarda; miolo limpo
ostenta colado no verso da pasta anterior o ex-libris de D. Diogo de Bragança, VIII marquês de Marialva
65,00 eur (IVA e portes incluídos)

Para além dos múltiplos assuntos característicos de todos os almanaques, este primeiro Almanach Encyclopedico, que a Livraria de António Maria Pereira encomendou a Eça de Queirós, abre com um longo texto seu – «Almanachs» –, em que se faz a história do género, denotando óbvio conhecimento da matéria sob a habitual clareza de exposição. Refere Carlos Reis, ao apresentar a moderna reedição do manuscrito do dito texto («Almanaque: o amigo fiel», in Eça de Queirós, Almanaques, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2002):
«[...] Curiosamente, o almanaque que Eça agora apadrinha, organiza e prefacia pode relacionar-se (e as páginas deste texto preambular apontam nesse sentido) com um dos aspectos mais interessantes e modernos da obra queirosiana finissecular: a problematização da ciência e da cultura que n’A Cidade e as Serras se leva a cabo. De certa forma, em determinados passos desta reflexão sobre os almanaques reitera-se o cepticismo de Eça em relação a um tempo e a uma civilização [...] atulhados de informação e de conhecimentos científicos. E assim, se este almanaque se proclama “enciclopédico” é porque nele se reelabora um saber amplo e plural, mas não um saber pesado de erudição e esmagador de dimensão. [...]»
Eça conhecia bem o público-alvo para tais compilações despreocupadas de «ciência fácil». Continua Carlos Reis: «[...] um cenário doméstico, burguês, um tanto conservador, propenso à convivialidade familiar, cenário em que a mulher, sabendo já ler, recorre ao almanaque como auxiliar para as tarefas da casa e também para a educação (e mesmo edificação) dos filhos. [...]»
Figura ainda ao lado de Eça, neste almanaque, o nome de Batalha Reis, que assina, também ele, um texto extenso, acerca do tratamento das vinhas.

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