LUIZ D’OLIVEIRA
GUIMARÃES
capa de Cunha Barros
Lisboa – Porto – Coimbra – Rio de Janeiro, 1925
“Lvmen” – Empresa Internacional Editora
1.ª edição
19,3 cm x 12,3 cm
XII págs. + 272 págs.
subtítulo: A saia curta foi para as pernas das mulheres o
que a Revolução Francesa foi para os direitos do homem
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR AO ESCRITOR
LUÍS DEROUET
25,00 eur (IVA e
portes incluídos)
Trata-se de uma badalhoquice machista disfarçada de crónica-ensaio
acerca dos costumes citadinos. Um triste exemplo, que envolve, não só a crítica
reprovadora, mas gulosa, ao corpo da mulher, como pretende impor a tirania do
mando patronal do homem no mundo do trabalho:
«[...] A criada de Lisboa vem quási sempre da província, do
Minho ou da Beira, do Alentejo ou do Algarve. Nunca andou de combóio. Nunca viu
nada. Não sabe dizer duas palavras seguidas. Com a sua saia de roda, com a sua
blusa de chita, com o seu lenço de ramagens atado na cabeça, dá-nos a impressão
exacta de uma simples guardadora de ovelhas. Mas deixem-na estar dois ou três
meses em Lisboa – e então é que é vê-la – espartilhada, frisada, com a sua
blusa de seda, com o seu sapato de verniz, com a sua mantilha de renda posta
como uma touca, com a sua infalível sombrinha, aberta sempre como um cogumelo
preto – ela, pobre plebeia, que toda a vida andou à esturreira do sol! Não
parece a mesma. Lisboa teve a arte de lhe ensinar todas as perversidades e
todos os vícios. Pinta-se. Deita pó de arrôs na cara. Discute com os amos a
propósito de tudo. Por qualquer coisa ameaça despedir-se, orgulhosamente.
[...]»
Resta acrescentar aqui que as esposas destes intelectuais
burgueses pintavam-se, vestiam-se e calçavam-se exactamente pelo mesmo figurino,
sendo elas o nefasto modelo inspirador das ditas serviçais.
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