A.[LEXANDRE]
HERCULANO
Lisboa, 1850-1851
Imprensa Nacional
1.ª edição [excepto a primeira brochura (2.ª edição)]
5 brochuras em 1 volume
20 cm x 13,5 cm
20 págs. + 18 págs. + 68 págs. + 32 págs. + 36 págs.
títulos individuais:
[1] Eu e o Clero –
Carta ao Em.º Cardeal-Patriarca
[2] Considerações
Pacificas sobre o opúsculo Eu e o Clero – Carta ao redactor do periodico A
Nação
[3] Solemnia Verba –
Cartas ao Senhor A. L. Magessi Tavares sobre a questão actual entre a verdade e
uma parte do clero
[4] A Batalha
d’Ourique e a Sciencia Arabico-Academica – Carta ao redactor da Semana
[5] Da Propriedade
Litteraria e da recente convenção com França – Carta ao Senhor Visconde
d’Almeida-Garrett
encadernação da época, meia-inglesa em pele e papel de
fantasia com gravação a ouro na lombada
pouco aparado, sem as capas de brochura
exemplar bem conservado; miolo limpo
peça de colecção
125,00 eur (IVA e portes incluídos)
Estão aqui reunidas num único volume as peças essenciais de
uma vastíssima polémica em torno da rejeição, por parte de Herculano, dos
fundamentos milagreiros da batalha que, em 1139, travou D. Afonso Henriques nos
campos de Ourique contra os sarracenos. Evento este tão estrondosamente
vitorioso, de um grupo minúsculo de tropas contra um imenso exército inimigo,
que levou o nosso monarca a autoproclamar-se, logo ali, rei de Portugal. José
Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos
IV, Editorial Presença, Lisboa, 1985) contextualizam o sucedido após a
publicação, em 1846, do primeiro volume da História
de Portugal de Herculano:
«[...] Quanto ao milagre, cavalo de
batalha da questão de Ourique, Herculano afirma friamente que não há qualquer
referência em que o historiador se possa estribar. O espírito positivo era
adverso ao maravilhoso e ao metafísico e via nos “contadores de histórias”
falsários e embusteiros que forjavam inclusive documentos para aduzir provas.
Por isso “discutir todas as fábulas que se prendem à jornada de Ourique fora
processo infinito”. A da aparição de Cristo ao príncipe Ibn Erick antes da batalha fundamentava-se num documento tão mal
forjado “que o aluno instruído de diplomática – a ciência por excelência da crítica histórica – o rejeitaria como falso”.
Ora todos estes argumentos foram lenha para a fogueira. Podia um
homem, mesmo que fosse um historiador, rejeitar assim, de um momento para o
outro, todas as motivações pátrias, toda a origem sacra da realeza (e da
nação), toda a fundamentação clara e inequívoca do 5.º Império? Seria possível
permitir que um “ateu” mascarado viesse abalar os alicerces da afectividade
pública e as esperanças mais recônditas da protecção divina?
O país em 1846 já havia mudado. A
mentalidade, no entanto, ainda estava presa às forças anímicas do inconsciente
colectivo. A segurança, a razão cartesiana, a clareza das ideias, a organização
científica da sua fundamentação, não podiam esperar outra coisa senão uma
reacção visceral de todos aqueles que viam agora no campo das letras e da
cultura científica uma ruptura, digamos, epistemológica,
com aquilo que lhes era mais caro: as prerrogativas intelectuais, os
privilégios de influência, os ídolos
do saber.
Era uma controvérsia de facto
bizantina e Herculano soubera vê-la no contexto como um nada científico: “parece, na verdade, impossível que tão
grosseira falsidade servisse de assunto a discussões graves” [...]
A Solemnia Verba constitui o mais importante documento da
polémica de Ourique quer pela sua argumentação sólida, quer, sobretudo, pelo
seu carácter teórico-metodológico. Herculano explica a situação actual da
crítica histórica e analisa a sua evolução desde que ela fora fundada pela
Congregação de Saint-Maur, no séc. XVII, avançando na determinação das
principais regras da crítica em relação às fontes históricas. [...]»
Fora da referida polémica encontra-se a notável brochura Da
Propriedade Literária, que nos mostra um intelectual contra a
«literatura-mercadoria» ou «literatura-agiotagem». Ainda José Custódio e
José Manuel Garcia (Opúsculos I,
Editorial Presença, Lisboa, 1982):
«[...] Herculano era um escritor
romântico e, ao contrário do que se pensa amiudadas vezes, o romantismo não era
apenas um estilo literário. Era acima de tudo um comportamento social
profundamente enraizado na função cultural do homem liberal. A literatura tem
pois um lugar próprio no comportamento do intelectual como na condução
formativa das novas gerações em termos de língua, de história e de valores
nacionais, sociais e morais. [...]»
pedidos para:
telemóvel: 919 746 089


