terça-feira, setembro 10, 2019

Algumas Reflexões em resposta A Reacção Ultramontana em Portugal ou a Concordata de 21 de Fevereiro, por Alexandre Herculano, feitas pelo […]



MARQUEZ DE LAVRADIO

Lisboa, 1859
Na Typ. de Mathias José Marques da Silva
1.ª edição
21,5 cm x 14,9 cm
8 págs. + 86 págs.
exemplar com a capa envelhecida mas aceitável; miolo limpo
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da resposta que o lado “ofendido”, aqui pela voz deste «socio de varias academias», «com licença do Prelado Diocesano», deu a um dos grandes textos do liberalismo, em que Herculano afirmava a sua oposição relativamente às “políticas” da Igreja católica, do mesmo modo que se distanciava da perniciosa influência desta última na formação mental do povo português. Mas o que estava, sobretudo, em jogo era a discussão do tratado nacional a vir a ser assinado com a Santa Sé, e que enquadraria deveres religiosos nacionais a gosto da reacção absolutista. Num dos seus múltiplos aspectos, esse tratado – a Concordata – destinava-se a atrofiar a ambição imperial portuguesa na Ásia. Dizia Herculano, a dado passo, na sua exposição, aqui rebatida:
«[...] A guerra é com a usurpação estrangeira e com o jesuitismo e ultramontanismo ad hoc de certo grupo de reaccionarios, fezes de todos os partidos, mas principalmente das facções liberaes.
O catholicismo, ainda o mais fervoroso, é estranho á contenda. Não se tracta hoje da crença que herdámos de nossos pais e que devemos transmittir intacta a nossos filhos: tracta-se do direito: tracta-se de manter os limites do sacerdocio e do imperio. [...] O que não somos obrigados a acceitar é os erros e abusos dos seus [da Igreja romana] ministros ou a deslealdade dos nossos; o que não podemos tolerar é a insaciavel ambição de dominio da curia romana, incapaz de se desenganar de que as doutrinas de Gregorio VII ácerca da supremacia politica de Roma sobre os reis e sobre os povos não triumpharão jámais. [...]»
Estava, pois, outra vez reaberto – os dois primeiros volumes de Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, em 1854-1855, haviam sido um primeiro episódio – o aceso e vasto debate de ideias que sedimentaria nos republicanos, mais tarde, o seu espírito anticlerical.

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