AGUSTINA BESSA LUÍS
capa de Ribeiro
Lisboa, 1956
Guimarães Editores
1.ª edição
20,2 cm x 14 cm
484 págs.
encadernação em meia-inglesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada
pouco aparado
conserva a capa anterior de brochura
encadernação em meia-inglesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada
pouco aparado
conserva a capa anterior de brochura
exemplar estimado, encadernação marcada pela exposição à luz; miolo limpo
125,00 eur (IVA e
portes incluídos)
Relativamente a este romance, afirmou o escritor Alberto
Velho Nogueira (pág. electrónica Homem à
Janela, 29 de Janeiro, 2015):
«[...] a questão principal não é a de escrever sobre
personagens mas do estilo memorial que as coloca como seres mortos – e que, de
facto, fazendo a narração de um passado em relação a mil novecentos e cinquenta
e seis, já estão mortas – que, socialmente falando, não tiveram nenhuma
intervenção prestável; a única intervenção delas é a de serem personagens de
romance que conservam os valores das famílias ricas e que confirmam os valores
da autora. Agustina Bessa-Luís nunca
seria vista como criadora de uma “Entartete Kunst” (arte degenerada) se tivesse
escrito no período nazi. Escreveu num outro período sujeito a cargas e a
descargas complexas na qual a sua literatura se englobou e se deixou englobar.
O facto de ter publicado na editora “Guimarães” era, mais do que hoje mas ainda
hoje, uma relação da autora com uma certa maneira de ver o mundo e de reflectir
sobre a realidade socio-política. [...]
Agustina Bessa-Luís não foi muito seguida durante os anos 50
e 60 em Portugal. Escritora de escrita conservadora, editada pela Guimarães,
entre a geração “presencista”
(sobretudo Régio) e escritores como Vergílio Ferreira, a literatura de
Bessa-Luís ganhou definitivamente prestígio literário depois do 25 de Abril de
1974. A sua literatura coaduna-se com a ausência de partidos de oposição na
clandestinidade, sobretudo de esquerdas, já que se fala da oposição ao regime
de Salazar, e, principalmente, do Partido Comunista português. Legalizado o
Partido Comunista, a aparente ausência de afirmação e de carácter políticos da
sua literatura adquiriu um estatuto de soi-disant “arte pela arte” que a
clandestinidade partidária de oposição não permitia, acusando-a de escritora “burguesa”
não directamente favorável a uma intervenção que mudasse o regime. Por outro
lado, a estabilização da democracia em Portugal deu-lhe a possibilidade de
reafirmar-se como uma escritora de uma
escrita aparentemente não partidária. Daí o ter escrito sobre Salazar e o
seu amigo Cardeal Cerejeira num estilo e proposta neutros como se pegar em tais
personagens-pessoas pudesse fazer-se com neutralidade. Agustina Bessa-Luís
fê-lo!, descrevendo mais a psicologia de uma pessoa da História portuguesa
recente do que a de um ditador cuja ferocidade era abalada, enganadoramente,
pela “domesticidade” católica rural e pelo temperamento anti-guerra, pela
cultura pessoal anti-Franco:
o militar caçador contra o professor catedrático de Finanças. (Sem esquecer o
apoio táctico e político que Portugal e o regime de Salazar forneceram à
Espanha durante a guerra civil.)»
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