domingo, maio 10, 2020

A Fabrica das Caldas da Rainha



RAMALHO ORTIGÃO

Porto, 1891
Typographia Occidental («Mandado imprimir por um amigo de Raphael Bordallo Pinheiro»)
1.ª edição
227 mm x 150 mm (estojo)
24 págs.
subtítulo: Artigo-extracto da correspondencia do auctor para a «Gazeta de Noticias»
brochura acondicionada num estojo próprio de fabrico recente forrado a tela
exemplar envelhecido mas aceitável; miolo limpo, papel acidulado
PEÇA DE COLECÇÃO
80,00 eur (IVA e portes incluídos)

Artigo inicialmente publicado num periódico do Brasil, em que Ramalho Ortigão «[…] não oculta o pouco apreço em que tem a louça comum dos Bordalos, em confronto com a louça artística, que classifica, enquanto “documento do génio estético da nossa raça, e depois da poesia de Garrett”, como “a obra mais genuína, mais bela, mais comovente e mais expressiva da arte do nosso século”, e com os azulejos, que designa por “o trabalho mais perfeitamente desenvolvido e mais completo que a fábrica tem produzido” e considera destinados a um largo sucesso, inclusive no estrangeiro. Na louça comum, explica Ramalho, a ornamentação não pode constituir prioridade para o fabricante, dadas as exigências de preço. A valorização deste tipo de produtos obtém-se através da qualidade das pastas e dos vidrados e dos efeitos da cor. Por nenhum destes aspectos, porém, e a seus olhos, a louça da Fábrica de Faianças mereceria especial destaque. As excepções notadas parecem ir mais no sentido de uma pequena produção para consumo de uma élite de gosto do que no sentido de uma produção de largo consumo. Ramalho Ortigão não se mostra particularmente preocupado com a alegada falta de sucesso técnico da produção de louça comum, uma vez que lhe parece garantida, em todas as vertentes, não só a técnica como a estética, a capacidade da fábrica em assegurar uma “indústria de arte” nacional. Para o autor das Farpas, a empresa de Bordalo (Ramalho nunca pensou a fábrica como dos Bordalos, no plural) cumpriria as suas finalidades renovando os modelos da arte popular do barro segundo padrões nacionais, enfileirando o País com os movimentos que, entretanto, em direcção semelhante vinham ocorrendo lá fora.
[…] “A última exposição universal em Paris foi uma prova solene e irrefutável. Além do vinho e do azeite, o único artigo português que sustentou triunfantemente o confronto com artigos similares de fabricação estrangeira foi a cerâmica artística das Caldas da Rainha.” […]»
(Fonte: João B. Serra, «Arte e indústria na transição para o século XX: a fábrica dos Bordalos», in Análise Social, vol. XXIV [100], 1988)


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