ANTONIO D’ ALBUQUERQUE
Lisboa, 1912
Editor – O Auctor (deposit. Livraria Brazileira de Monteiro & C.ª)
5.ª edição
207 mm x 140 mm
352 págs.
encadernação recente inteira em imitação de pele gravada a ouro na lombada
não aparado, sem capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
PEÇA PROIBIDA DE COLECÇÃO
60,00 eur (IVA e portes incluídos)
«Grosso escândalo com o livro do Albuquerque –
O Marquês da
Bacalhoa. Este Albuquerque, conhecido pelo Lêndea, é o último descendente,
pelo pai, do grande Afonso de Albuquerque, e, pela mãe, do grave, do douto João
de Barros. Ainda aqui há anos, quando o rei visitou uma terra de província e se
hospedou na casa dele, saíram das lojas caixotes de louça da Índia, que nunca
tinham sido abertos. Ele tem tido uma vida de aventuras: bateu-se em duelo em
Madrid, caçou no Cabo com lordes, tocou guitarra em Trouville e teve uma loja
de instalações eléctricas na Itália. Agora é jornalista, escritor, poeta, e
publica este livro de escândalo, em que a rainha, senhora na mais alta acepção
da palavra, é posta de rasto… Mas faça-se-lhe justiça: tudo aquilo – e pior –
anda por aí de boca em boca há muito tempo. E não vem de baixo – vem de cima…»
(Fonte: Raul Brandão,
Memórias, I)
Gomes Leal, o fino poeta e panfletário, ao longo de três fascículos do
seu
Verdades Cruas, foi um dos arautos de Albuquerque. Começando
por indignar-se com a ínvia apreensão do livro – «infeliz reputação régia que
precisa de tais expedientes de confisco, mordaça e repressão, para encobrir e
tapar as suas malhas podres, se acaso as tem, ou as há» (Fonte:
Verdades
Cruas, n.º 15) –, acaba, em troca de correspondência pública com o autor,
por tecer-lhe o necessário elogio:
«Reconheço a necessidade da severa História, da Sátira, do Panfleto, da Crítica
dos costumes. A crápula do império romano, sem o desabafo dos historiadores e
dos satíricos, seria uma vergonha hedionda e eterna da consciência Humana.
Disse-lhe que o seu romance era bem escrito, verdadeiro, mas cruel, e não me
desdigo. A isto pode retorquir-me:
Dura lex, sed lex!
Disse-lhe também que o seu romance fora mal revisto e continha muitos erros de
imprensa que o apoucavam, e a isto retorquiu-me bem que ele fora impresso com
imensas dificuldades, atabalhoadamente composto por tipógrafos inábeis, e em
locais acanhados e secretos, para evitar as pesquisas e perseguições políticas.
Compreendi então todos os defeitos que o maculavam, e que fizeram dizer à
crítica injusta que o romance era mal feito, mal escrito, mal posto em acção e
num péssimo português mascavado.
Console-se porém de todas as contrariedades e anátemas que lhe acarretaram o
seu livro. Lembre-se que vai em camaradagem com muitos outros espíritos
superiores excomungados pelos anátemas dos injustos contemporâneos, por
perpetrarem também livros chamados revolucionários, hereges e malditos.» (Fonte:
Verdades Cruas, n.º 17)
Figuras gradas da época podem, então, aí ser identificadas sob a máscara
ridícula do seu nome romanesco. Sabendo-se que a família real é dada pelos
Bacalhoas, torna-se fácil decifrar, por exemplo, o ditador João Franco num João
Nunes dos Santos, Mouzinho de Albuquerque num coronel Luna, o marquês de
Soveral num Álvaro Negrão, o próprio autor em José Gusman, etc., etc., numa
girândola implacável que, ao semear a saudável risada, colheu o ódio da
polícia.
pedidos para:
pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089 [chamada para rede móvel nacional]