segunda-feira, julho 27, 2026

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* em cumprimento da Lei n.º 144/2015, de 8 de Setembro – Resolução Alternativa de Litígios de consumo (RAL), artigo 18.º, cabe-nos informar que a lista de Centros de Arbitragem poderá ser consultada em www.consumidor.pt/


Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar



JOÃO ABEL MANTA


Lisboa, 1978
Edições «O Jornal» – Publicações Projornal, Ld.ª
1.ª edição [única]
218 mm x 300 mm (oblongo)
144 págs.
ilustrado
exemplar em muito bom estado de conservação, inclui a caixa-estojo editorial em cartão com cromo colado numa das faces; miolo irrepreensível
85,00 eur (IVA e portes incluídos)

João Paulo Cotrim, no seu João Abel Manta – Caprichos e Desastres (Assírio & Alvim / El Corte Inglés / CML – Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa, 2008), numa feliz alusão aos horrores desenhados por Goya, põe o vertente livro no lugar que lhe é devido na história da caricatura nacional:
«[...] A melhor fotografia daquela época foi feita, à la minute, uma década mais tarde, pelo próprio com confessado “alívio freudiano”. As Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar são extraordinário romance gráfico. Manta chamou-lhe caricaturas para sublinhar um carácter popular. E por isso deviam ter circulado em gravuras coleccionáveis à boa maneira do século XIX. Para o bom uso das novas gerações, cruzaria assim a tradição da pintura histórica com a intervenção popular: Brecht em colecção de cromos. É fragmentado o texto deste romance silencioso sobre aqueles anos em que, como sugere a capa, o horizonte apenas se descobria por entre dentes de aço. No espaço de três Salazares (jovem, velho, desaparecido), Portugal vem andrajoso e imponente, como Camões, ocupar o lugar de personagem principal.
Haverá, por certo, ficção e ensaio a reconstituir com qualidade e sabor aquela época e imaginário, mas só as caricaturas de Manta somam ao peso da pintura a espessura do romance e a amarga subtileza da experiência vivida.
Numa estranha procissão silenciosa, onde as palavras mais não são do que um título ou nome, vão passando pela página os actores e cenários daqueles anos (Salazar e a província, marialvas e generais, guerra e povo, amor, desporto, folclore e estátuas), mas também figurinhas de hoje (por exemplo, amor, desporto, folclore e estátuas) e os mitos de sempre (Fátima, Camões, Santo António, além do amor, desporto, folclore e estátuas). Cada página fixa num quadro de cores baças, de entre as quais sobressai um prateado sonoro, uma cena quase sempre macabra, miserável ou risível. [...] As figuras como que se abandonam perante os nossos olhos numa cena que é a última de um qualquer acto. Uma fala da ruralidade, a outra de religiosidade, esta de política e aquela de cultura. Muitas falam de Salazar, todas falam de Portugal. Nos anos de Salazar, a última das cenas é a primeira deste livro: o lento envelhecimento do ditador à janela de um palácio. [...]»

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José Afonso


aa.vv.
org. e pref. José Viale Moutinho
capa de Sousa Pereira s/ fotog. de Viseu Caldeira

Porto, 1972
Livraria Paisagem
1.ª edição
200 mm x 125 mm
128 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião de notas críticas e de textos de apoio à edição dalguns discos de Zeca Afonso, em que avultam os nomes de Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Assis Pacheco, Bernardo Santareno, António Cabral, etc. O compilador, José Viale Moutinho, completa o volume acrescentando-lhe uma longa antologia de poemas para as canções e uma dezena de inéditos. Daqui, o poema «Fui à Beira do Mar» (que veio, posteriormente, a surgir cantado no disco Eu Vou Ser Como a Toupeira, tendo sido substituído o termo «arfar» por «lavrar»):

«Fui à beira do mar
Ver o que lá havia
Ouvi alguém cantar
Que ao longe me dizia

Ó cantador alegre
Que é da tua alegria
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria

Desde então a arfar
No meu peito a alegria
Ouço alguém a bradar
Aproveita que é dia

Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia

Desde então a bater
No meu peito em segredo
Sinto uma voz dizer
Teima, teima sem medo»

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Todo o Alfabeto Dessa Alegria



JOSÉ AMARO DIONÍSIO
capa de Carlos Ferreiro

Lisboa, 1985
Edições Salamandra, Lda.
1.ª edição
204 mm x 146 mm
112 págs.
exemplar como novo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

José Amaro Dionísio nasceu em Faro, em 1947. Repórter numa vintena de países, foi sendo sucessivamente expulso da imprensa periódica por onde passou ao longo de 40 anos. Desta “alegria” – observador do mundo – deu-nos livros de jornalismo importantes, mas principalmente uma prosa poética que se estende por obras inesquecíveis como Bardo (& etc, Lisboa 1981) e, principalmente, este Alfabeto.

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Bardo



JOSÉ AMARO DIONÍSIO
capa e ilust. Carlos Ferreiro

Lisboa, 1981
& etc
1.ª edição
175 mm x 154 mm
100 págs. + 1 extra-texto (desenho) colado na pág. 2
ilustrado
capa impressa a negro no avesso de cartolina duplex, sobrecapa a três cores directas sobre papel kraft
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
45,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Auto dos Danados


ANTÓNIO LOBO ANTUNES
capa de Fernando Felgueiras


Lisboa, 1985
Publicações Dom Quixote
1.ª edição
209 mm x 136 mm
324 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Livro que lhe trouxe a atribuição do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Lobo Antunes:
«[...] Da primeira vez que tive o prémio da Associação Portuguesa de Escritores, na altura era um prémio importante, recordo-me de ter lido as apreciações dos jurados e de me ter fartado de rir.»
[fonte: Tereza Coelho, Fotobiografia de António Lobo Antunes, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004]

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O Homem Duplicado

 

JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, Outubro de 2002
Editorial Caminho, SA
1.ª edição
210 mm x 136 mm
320 págs.
exemplar como novo
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma edição original, publicada em vida do autor – autor que foi ostensivamente contra as mexidas “académicas” no idioma português – e, portanto, anterior à falsificação ortográfica das correntes edições.

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sexta-feira, julho 24, 2026

Grandes Portugueses [junto com] Grandes Portuguesas

 

VIRGÍNIA DE CASTRO ALMEIDA
J. ESTÊVÃO PINTO
TERESA LEITÃO DE BARROS
ilust. Pamela Boden, Júlio Gil e Inês Guerreiro


Lisboa, 1943-1951 e 1949-1951
Edições SPN e SNI
1.ª edição
17 + 4 fascículos (completo)
244 mm x 170 mm (estojo)
[32 págs. + 24 págs. + 32 págs. + 32 págs. + 28 págs. + 40 págs. + 40 págs. + 40 págs. + 40 págs. + 32 págs. + 44 págs. + 40 págs. + 40 págs. + 48 págs. + 48 págs. + 48 págs. + 48 págs.] + [4 x 32 págs.]
subtítulos:
[1 – Dom Fuas Roupinho; 2 – Fernão Lopes; 3 – Dom Gualdim Pais; 4 – Gil Vicente; 5 – Duarte Pacheco Pereira; 6 – Luís de Camões; 7 – Infante D. Henrique; 8 – S. João de Brito; 9 – D. Afonso Henriques; 10 – Heróis da Tomada de Lisboa; 11 – Afonso de Albuquerque; 12 – Marquês de Pombal; 13 – Santo António de Lisboa; 14 – O Santo Condestável; 15 – S. João de Deus; 16 – D. João de Castro; 17 – D. Francisco de Almeida] + [1 – Infanta D. Maria; 2 – A Rainha D. Leonor; 3 – D. Filipa de Vilhena; 4 – As Heroínas de Diu]
exemplares em bom estado de conservação; miolo irrepreensível, por abrir
acondicionados num estojo próprio de fábrica recente forrado a papel de fantasia
PEÇA DE COLECÇÃO
130,00 eur (IVA e portes incluídos)


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História Universal da Pulhice Humana



JOSÉ VILHENA

Lisboa, 1960-1961-1965
Edição do Autor
1.ª edição
3 volumes (completo)
171 mm x 124 mm
144 págs. + 152 págs. + 144 págs.
subtítulos: 1.º volume – Pré-História; 2.º volume – O Egipto; 3.º volume – Os Judeus
profusamente ilustrados
exemplares em bom estado de conservação; miolo irrepreensível (1 e 2), assinatura de posse no ante-rosto do vol. 3
incluem a cinta de selagem no 1.º volume
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

«[…] Vilhena criou, como bem se sabe, variadíssimas publicações, muitas vezes, senão sempre, criadas e conduzidas solitariamente. […] apartidário, Vilhena não apenas dava no cravo e na ferradura, como em tudo o que pudesse parecer um qualquer conformismo com ideias feitas. Se houvesse inimigo maior, seria menos a de um regime político, do que a acrítica e apática aceitação com que a classe burguesa aceita as coisas como elas são, porque “sempre foi assim” ou “não fica bem” ser de outra maneira. O humor de Vilhena, que se expressava por, e explorava, não apenas imagens, mas igualmente textos, colagens, e a própria actividade editorial (recuperando uma verve e vontade que apenas teve um percursor central em Bordalo), era um belíssimo murro na mesa, um “Porra!”, face à letargia que se instalava com outras formas populares de cultura. E pela “linha de baixo”, sem almejar a outra coisa. Como se fosse a expressão do desinibido Id face ao Super-superego do regime da época.
[…] Atravessando categorias textuais e literárias tais como as do kitsch, da pornografia, da cultura popular, satírica política e/ou de costumes, de massas, o investigador [Rui Zink] encontra traços comuns com elas todas, sem dúvida, mas sobretudo faz elevar os traços de uma oralidade desopilante, mas sobretudo e acima de tudo a própria possibilidade de encontrar traços de literariedade na sua obra. Vilhena não é apenas um desenhador de bonecada em cenas de porno-chanchada, mas um esgrimista da prosa portuguesa que baralha os níveis e devolve uma imagem dolorosa de confrontar.
[…] Mas são os textos em que o sarcasmo, a ironia e a virulência se unem para criar uma escrita requintada, sofisticada, inteligente e mordaz. Não é apenas a frase polida, com brilharetes de subordinadas, mas o vocabulário, a utilização de registos variados e integrados, a maiêutica inesperada com os hipotéticos leitores, que fazem brilhar a tarefa literária de Vilhena. […]»
(Fonte: Pedro Moura, blog Ler BD, 8 de Agosto, 2016)

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Vera Lagoa Meteu a Pata na Poça


JOSÉ VILHENA
[FERNANDO] LUSO SOARES
[JOSÉ CARLOS] ARY DOS SANTOS
LUIZ-FRANCISCO REBELLO
URBANO TAVARES RODRIGUES
LUIZ STTAU MONTEIRO
JOÃO DE FREITAS BRANCO
TEIXEIRA RIBEIRO
MIGUEL URBANO RODRIGUES
ARTUR RAMOS
MÁRIO CASTRIM
ARTUR PORTELA [FILHO]

Lisboa, s.d. [1977]
Edições Branco e Negro
1.ª edição
210 mm x 149 mm
160 págs.
ilustrado
exemplar como novo
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Respondendo ao conjunto de artigos Revolucionários Que Eu Conheci, de Vera Lagoa, publicados nas páginas do jornal O País, José Vilhena, no vertente livro, dá voz aos insultados. Ele próprio caracteriza no seu Prefácio a natureza do assunto:
«[…] Obra de fancaria, tecido grosseiro e sem qualidade em que o tom de espontaneidade não esconde a pobreza das ideias e a fragilidade dos conceitos morais da autora; obra desacreditada, à partida, por via das mãos sujas de que vem, nem por isso deixou de causar sensação e mal estar e de conseguir o objectivo principal que era o de vender papel. […]»
Trata-se, portanto, de um repto à baixa moral e à «peçonha» da articulista da extrema-direita. Bons tempos.

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terça-feira, julho 21, 2026

Cartilha do Marialva ou das Negações Libertinas


JOSÉ CARDOSO PIRES
[capa de Sebastião Rodrigues]

Lisboa, 1966
Editora Ulisseia Limitada
2.ª edição
191 mm x 120 mm
194 págs.
subtítulo: Redigida a propósito de alguns provincianismos comuns e ilustrada com exemplos reais
encadernação editorial com sobrecapa a duas cores directas
exemplar estimado; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

«[...] Cartilha do Marialva é um ensaio sobre a via errada, seguida por Portugal, que optou pelo irracionalismo e pelo imobilismo, actualizados e enaltecidos pelo regime salazarista. A figura do marialva, privilegiado em nome da sua família e dos seus haveres patrimoniais, encarna a espécie de provincianismo português que o autor caracteriza em traços negros e caricaturais de modo a fustigá-lo para melhor o erradicar do país. [...]» (Eunice Cabral, José Cardoso Pires, Centro Virtual Camões, pág. electrónica)

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Pedras à Beira da Estrada

 

JOAQUIM PAÇO D’ARCOS

Lisboa, 1962 e 1971
Guimarães Editores
1.ª edição
2 volumes (completo)
204 mm x 160 mm
324 págs. + 416 págs.
subtítulo do II volume: Notas e Perfis, 1929-1971
exemplares muito estimados; miolo irrepreensível
VALORIZADOS PELAS DEDICATÓRIAS MANUSCRITAS DO AUTOR EM AMBOS OS VOLUMES
juntou-se cartão e sobrescrito do autor a enviar fotocópias de carta de António Luís Gomes em que este expressa a sua opinião acerca da vertente obra

60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Segundo a ficha de leitura assinada por António Quadros para os serviços de aquisição de livros da Fundação Calouste Gulbenkian:
«Colectânea muito irregular de textos sobre figuras da vida portuguesa ou de projecção mundial, alguns dos quais de circunstância. Têm interesse alguns, como os dedicados a Wenceslau de Morais, Columbano, Carlos Malheiro Dias, “Valèry Larbaud e Portugal”, Guilherme de Faria... Outros são meras impressões sem profundidade, escritas em datas de efeméride, que pouco ou nada acrescentam ao conhecimento dos autores tratados. Recomenda-se [...], atendendo-se aos melhores estudos que contem, bem como à personalidade do autor.»
Era assim que os escritores do regime fascista entre si se tratavam.

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“Brutos”[,] “Saloios” e “Pulhas”


JOAQUIM DE OLIVEIRA

Lisboa, 1955
Edição do Autor
1.ª edição
205 mm x 148 mm
98 págs.
capa em cartão com cromo colado
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível, por abrir
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR E PELA ASSINATURA DO MESMO NO CÓLOFON
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Dramaturgo e, no vertente caso, ensaísta, Joaquim Reis de Oliveira (1897-1980) esteve sempre relegado para a sombra da cultura, dadas as suas simpatias republicanas anti-sidonistas e democráticas anti-salazaristas.

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A Peste



JOAQUIM LEITÃO

Lisboa, 1901
Livraria Central de Gomes de Carvalho – Editor
1.ª edição
185 mm x 126 mm
XVI págs. + 228 págs.
subtítulo: Aspectos moraes da Epidemia Nacional
encadernação da época (muito provavelmente editorial*) em tela encerada com gravação a seco nas pastas e a ouro na lombada
[pouco aparado, sem capas de brochura]
exemplar muito estimado; miolo limpo
ostenta colado no verso da pasta anterior o ex-libris de J. G. Mazziotti Salema Garção e no frontispício selo branco do mesmo
130,00 eur (IVA e portes incluídos)

Joaquim Leitão (1875-1955), escritor e historiógrafo, durante muitos anos secretário-geral da Academia das Ciências de Lisboa, com vasta obra publicada, em que são relevantes os seus dois livros acerca da queda da monarquia, D. Carlos, o Desventuroso e Os Cem Dias Funestos, mas também a monografia O Palácio de S. Bento. Uma passagem significativa da introdução de A Peste:
«[...] Os fidalgos veem-se reduzidos a não usar o titulo por não poderem pagar os direitos de mercê.
O povo vae a caminho de não poder usar a bandeira da nação por não poder pagar os juros da sua divida externa.
Como os fidalgos tambem, o povo portuguez, a quem a governação esbanjou com concubinas e tipoias de espelhos a legitima da India, do Brasil e lhe não pôde já entregar os seus vinculos d’Africa por o descuido na cobrança os ter feito caducar, – o povo, que não tem uma educação mundana a disfarçar-lhe as emoções, é logicamente, legalmente, um povo triste, que não sabe rir, que não sabe correr, que para defender-se d’algum safanão faria, como unico esforço, o que fazem as creanças doentes: tapar a cara com os braços e receber aninhadas a tapona.
Todo o homem nascido dentro de Portugal, n’este momento historico, por mais saudavel e forte que seja, jámais aprenderá como se dá uma gargalhada.
A geração do sr. Eça de Queiroz ainda conseguiu esboçar um rictus, que deu a ironia das Farpas.
A geração de Fialho d’Almeida já vinha com os dentes ferrados nos beiços, e a sua ironia já é pungente, não sorri por crevetismo, ri nas bochechas do idolo com a violencia de quem desfeiteia por odio e não por garotice.
Depois é que viemos nós, que já nem isto podemos fazer.
A Peste não teve, pois, a animal-a o brilho mundano d’uma ironia de salão, e se quizesse ser demolidora teria de seguir as crispações dos Gatos.
Mas, contra isso tudo conspirava. Os homens, que Fialho d’Almeida atacou com uma violencia e uma independencia inquebrantavel e nobre, ou porque não haja outros melhores ou porque este paiz já não tem laivos de vergonha, são ainda os mesmos que nos governam, que nos representam, e que ainda nos arruinariam, se já não nos houvessem comido tudo quanto nos legaram os avósinhos.
Isto bastava para que não fôra meu empenho nem proposito o apear heroes de opereta e jogar o pim-pam-pum alvejando bonecos a buchas de papel. Depressa me convenci de que a obra demolidora era por agora inutil. O vocabulo pamphletario desbotara-se, a sua intensidade relaxara, e ao chamar-se-lhes ladrões ou chibos, os homens já não córavam nem tremiam. O papel do escriptor revelava-se definitivamente doutrinario, e a tarefa dos demolidores desempenhar-se-hia com outras armas. A penna de fórma alguma convinha: talvez a dynamite. [...]»

* A obra foi originalmente comercializada em fascículos («pamphletos mensaes»), e já aparece, no vertente volume, nas «obras do mesmo auctor», com indicação de preço para a modalidade encadernada.

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Os Cem Dias Funestos

 

JOAQUIM LEITÃO

Porto, 1912
Edição do Autor
1.ª edição
199 mm x 130 mm
XXII págs. + 546 págs.
subtítulo: Processo e condemnação do ultimo Presidente do Conselho de 1910, Antonio Teixeira de Sousa, e do seu livro «Para a Historia da Revolução»
ilustrado
impresso sobre papel superior avergoado
encadernação recente inteira em imitação de pele gravada a ouro na lombada
não aparado
conserva as capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
70,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Ditos da Freyra


TITO DE NORONHA
[JOANA DA GAMA]

Porto – Braga, 1872
Livraria Internacional de Ernesto Chardron e Eugenio Chardron
2.ª edição
191 mm x 129 mm
XIV págs. + 108 págs.
título completo: Ditos da freyra (D. Joanna da Gama) conforme a edição quinhentista revistos por Tito de Noronha
títulos quinhentistas: Ditos da Freyra. Ditos diversos feytos por hūa freyra da terceyra regra. Nos quaes se cōtē sentēças muy notaveys, e avisos nacessaríos [seguido de] Trovas vílancetes & sonetos, cātígas & romances agora novamēte feytas, pelo mesmo autor
exemplar estimado, falha de papel na capa; miolo limpo
PEÇA DE COLECÇÃO
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Não se sabendo exactamente quando nasceu, Joana da Gama faleceu em Évora em Setembro de 1586. Sabe-se, todavia, que esta sua obra foi originalmente publicada, também em Évora, por André de Burgos em 1555. Teresa Leitão de Barros, no seu estudo Escritoras de Portugal, dedica-lhe um capítulo inteiro onde, entre a adivinhação biográfica e histórica, se atreve demolir as qualidades morais e as poéticas de uma mera “anotadora” de máximas e conselhos que lhe ocorriam e de poemas sem pretensão nem escola.

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João César Monteiro [catálogo]

 

JOÃO CÉSAR MONTEIRO
et alii
org. João Nicolau
grafismo de Rita Azevedo Gomes

Lisboa, 2005
Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
1.ª edição [única]
248 mm x 180 mm
640 págs.
profusamente ilustrado a negro e a cor
exemplar como novo
70,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Iluminações | Uma Cerveja no Inferno

 

JEAN-ARTHUR RIMBAUD
trad., pref. e ilust. Mário Cesariny

Lisboa, 1972
Estúdios Cor
1.ª edição [2.ª edição do segundo título]
185 mm x 115 mm
160 págs. + 7 folhas em extra-texto
ilustrado
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DE MÁRIO CESARINY
90,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Summario das Investigações em Samscritología desde 1886 até 1891

 

G. [GUILHERME] DE VASCONCELLOS-ABREU

Lisboa, 1891
Imprensa Nacional
1.ª edição
262 mm x 181 mm
2 págs. + 60 págs. + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: Opúsculo escripto a convite da Commissão Organizadora do Congresso Internacional de Orientalistas, Londres, 1891
ilustrado
encadernação recente inteira em tela com rótulo gravado a ouro na pasta anterior
não aparado
conserva as capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo, acidez no papel
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
45,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Morte e Vida Severina e Outros Poemas em Voz Alta


JOÃO CABRAL DE MELO NETO
capa e ilust. Carybé

Rio de Janeiro, 1967
Editôra Sabiá
2.ª edição [1.ª edição conjunta]
210 mm x 142 mm
152 págs.
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
é o n.º 2.215 de uma tiragem não declarada
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Inclui este conjunto as obras autónomas «Morte e Vida Severina» (auto), «O Rio» (monólogo), «Bailes» e «Dois Parlamentos», que têm em comum destinarem-se a ser lidos em voz alta.

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segunda-feira, julho 20, 2026

Política Externa de Salazar




MATOS GOMES

Porto, 1953
Edições Além
1.ª edição
192 mm x 127 mm
300 págs. + 1 folha em extra-texto
ilustrado com retrato de Salazar
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR A LUÍS SUPICO PINTO «FIGURA PRESTIGIOSA DO ESTADO NOVO»
45,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Apontamentos


IRENE LISBOA

Lisboa, 1943
[ed. Autora ?]
Gráfica Lisbonense
1.ª edição
193 mm x 131 mm
288 págs.
exemplar manuseado mas muito aceitável; miolo irrepreensível
55,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Livro de reflexão acerca de tudo e de nada, em que o exercício intelectual da própria escrita é constantemente interrogado nos seus meios e fins.

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domingo, julho 19, 2026

As Chuvas em Portugal

 

FILIPPE EDUARDO DE ALMEIDA FIGUEIREDO

Lisboa, 1910
Typographia Castro Irmão
1.ª edição
248 mm x 171 mm
50 págs. + 1 desdobrável (grande formato) em extra-texto
subtítulo: Apontamentos de Meteorologia Agricola
exemplar envelhecido mas aceitável, restauros na capa; miolo limpo, papel acidulado
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR (NÃO ASSINADO, CALIGRAFIA CONFIRMADA)
17,00 eur (IVA e portes incluídos)


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sexta-feira, julho 17, 2026

O Oiro


ALFREDO CORTEZ
capa de Antonio-Lino


Lisboa, 1959
Editorial Verbo, Lda.
1.ª edição nas Obras Completas
199 mm x 167 mm
76 págs.
subtítulo: Tragédia da raça – 3 actos
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Maldição e Luz


LÚCIO DO VOUGA
capa de Manuel de Sousa Freire

s.l. [Minas da Panesqueira – Beira Baixa], 1950
Edição do Autor («composto e impresso na Tipografia-Escola da Cadeia Penitenciária de Lisboa»)
1.ª edição
192 mm x 125 mm
174 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Manuel Maria da Silva, poeta e ficcionista, nasceu na Murtosa em 1911. Trabalhou nos escritórios das Minas da Panasqueira de 1947 a 1962. Sob o pseudónimo de Lúcio do Vouga publicou alguns livros.

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O Cúmplice


JOAQUIM PAÇO D’ARCOS

Lisboa, 1940
Parceria A. M. Pereira
1.ª edição
192 mm x 132 mm
128 págs.
subtítulo: Peça em 3 actos
impresso sobre papel algodoado
exemplar estimado; miolo limpo
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR À ACTRIZ MARIA LALANDE
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Rainer Maria Rilke

 

ROBERT PITROU

Paris, 1938
Éditions Albin Michel
1.ª edição
190 mm x 120 mm
256 págs.
subtítulo: Les Thèmes principaux de son œuvre
exemplar envelhecido mas aceitável; miolo limpo
17,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Os Cadernos de Malte Laurids Brigge

 

RAINER MARIA RILKE
trad. e pref. Paulo Quintela

Coimbra, 1955
Instituto Alemão da Universidade de Coimbra
1.ª edição
196 mm x 130 mm
280 págs. + 1 folha em extra-texto
ilustrado com retrato do autor (pintura a óleo de Lou Albert-Lasard)
exemplar estimado, lombada com restauros; miolo irrepreensível, por abrir
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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terça-feira, julho 14, 2026

Roteiro da Ribeira Lima

 

CONDE D’AURORA

Ponte de Lima, 1929
Edição do Autor
1.ª edição
191 mm x 132 mm
200 págs. + 1 desdobrável em extra-texto (mapa)
composto manualmente e ilustrado no corpo do texto com zinco-gravuras
exemplar estimado; miolo limpo

50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da «Sinfonia de Abertura» tecida por José de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sottomayor Barreto, 2.º conde de Aurora, nacionalista e juiz nortenho:
«[...] Não me lembro agora onde é que o grande pensador latino Leon Daudet descreve a influencia dos rios na população de suas ribeiras. Mas que importa, se é facto bem demonstrado e sabido que os grandes cursos de agua são directrizes gerais de civilizações. E como é profunda a influencia da beleza e encanto particular de certos rios nas populações de seus vales! Ora de poucos no mundo se póde gabar tanto a formosura como a do Lima, mitologico e lendario.
Nas paginas que vão seguir tentei traçar a ementa do erudito passeio de um dilettanti na Ribeira Lima, peregrinando-a garreteanamente, como dizia Sardinha, o nosso grande emotivo da neo-renascença. [...]»

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Viagens de Pedro da Covilhan




CONDE DE FICALHO
ilust. Casanova


Lisboa, 1898
Livraria de Antonio Maria Pereira – Editor
1.ª edição
252 mm x 179 mm
XVIII págs. + 368 págs.
ilustrado
encadernação inteira em imitação de pele gravada a ouro na lombada, folhas-de-guarda em papel marmoreado
não aparado, sem capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo limpo
200,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Flores e Canções



CECÍLIA MEIRELES
VIEIRA DA SILVA, ilust.
grafismo de Rolf G. Braün

Rio de Janeiro, 1979
Confraria dos Amigos do Livro
1.ª edição
320 mm x 297 mm
6 págs. + 78 págs.
ilustrado com 18 extra-textos (desenhos e retratos das autoras) colados no miolo
impresso sobre papel superior avergoado
encadernação editorial inteira em tela com os retratos das autoras colados em rótulo, gravação a branco na pasta anterior
folhas-de-guarda impressas com motivo floral
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
é o n.º 456 de uma tiragem declarada de 1.500 exemplares
100,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do posfácio de João Gaspar Simões à Obra Poética de Cecília Meireles (Editôra José Aguilar, Rio de Janeiro, 1958), uma lição para os mentecaptos que defendem o novo “acordo ortográfico”:
«[...] se na poesia de uma Cecília Meireles, muito mais musical que plástica, a arquitectura do verso parece cingir-se às leis clássicas da versificação portuguêsa, fonèticamente a palavra empregada não tem o mesmo valor. A música dessa construção rítmica é inteiramente diversa do que seria se o seu conteúdo fonético fôsse genuìnamente português. E, assim, musical, a poesia de Cecília Meireles só musicalmente atinge o alvo, produzindo a sugestão inerente à sua estrutura rítmica, quando, em verdade, fôr lida por um aparelho fonador obediente aos movimentos musculares inscritos na pronunciação brasileira. [...]»

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Antologia Poética


CECÍLIA MEIRELES
selec. e coment. Francisco da Cunha Leão e David Mourão-Ferreira

Lisboa, 1968
Guimarães Editores
1.ª edição
216 mm x 162 mm
208 págs.
exemplar estimado, capa suja; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Segundo palavras do próprio editor da casa Guimarães, Francisco da Cunha Leão, no posfácio:
«Em Cecília Meireles, o lirismo português atinge alturas inexcedíveis. Nenhum poeta do nosso idioma a sobreleva em emocionar com simplicidade, transmitindo o elementar, o subtil ou o complexo, por sugestivas transfigurações, quase de nenhuma coisa feitas, em que se não sente o peso das palavras, só mediante algumas linhas fluidas e pontos cintilantes. A sua expressão verbal tem leveza e transparência. [...]»

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Esta Noite Sonhei com Brueghel

 

FERNANDA BOTELHO
capa de Júlio Pomar


Lisboa, 1987
Contexto, Editora, Lda.
1.ª edição
205 mm x 148 mm
208 págs.
exemplar estimado, capa empoeirada; miolo limpo, primeira e última páginas oxidadas pelo contacto com a acidez da cartolina da capa
22,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Entre Duas Memórias



CARLOS DE OLIVEIRA
capa de Fernando Felgueiras
grafismo de A. Cortês Pinto

Lisboa, 1971
Publicações Dom Quixote
1.ª edição
182 mm x 111 mm
80 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Breve obra-prima da poesia portuguesa.

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