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quarta-feira, junho 24, 2026

A Morte Sem Mestre


HERBERTO HELDER

Porto, 2014
Porto Editora
1.ª edição
207 mm x 147 mm
64 págs. + 1 CD
encadernação editorial com sobrecapa
exemplar como novo (selado)
160,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do livro de estreia de Herberto Helder (1930-2015) num grande empório editorial. Mas é também o começo da despedida do poeta, que falecerá menos de um ano depois. Afortunadamente, alguém teve o bom senso de registar em suporte digital a sua magnífica voz a ler cinco destes últimos poemas, entre os quais o pungente «a última bilha de gás durou dois meses e três dias», o que só veio enriquecer esta edição.

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domingo, maio 03, 2026

Antología

 

HERBERTO HELDER
org. e trad. Jordi Virallonga
capa de Siqui Sánchez (fotog.)

s.l., 2001
Plaza & Janés Editores, S.A.
1.ª edição
texto em castelhano
158 mm x 126 mm
96 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
60,00 eur (IVA e portes incluídos)


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sábado, fevereiro 28, 2026

O Bebedor Nocturno


[HERBERTO HELDER, versões]
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1968
Portugália Editora
1.ª edição
193 mm x 123 mm
224 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo
discreta assinatura de posse no ante-rosto
90,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de um extenso conjunto de “traduções” – ou de poemas vertidos das mais variadas línguas para o português, o idioma português tal como HH maravilhosamente o tratou em toda a sua obra escrita. Claro que os pressurosos funcionários da metodologia universitária, que tanto se têm esforçado por vender a alma a um qualquer sotaque dominante, nunca puderam suportar palavras como as que este “tradutor” emprega no seu curto prefácio:
«[...] Quanto a mim, não sei línguas. Trata-se da minha vantagem. Permite-me verter poesia do Antigo Egipto, desconhecendo o idioma, para o português. Pego no Livro dos Mortos, em inglês ou francês, e, ousando, ouso não só um poema português como também, e sobretudo, um poema meu. [...] O meu labor consiste em fazer com que eu próprio ajuste cada vez mais, ao meu gosto pessoal, o clima geral do poema já português: a temperatura da imagem, a velocidade do ritmo, a saturação atmosférica do vocábulo, a pressão do adjectivo sobre o substantivo.
Uma pessoa pergunta: e a fidelidade? Não me sinto infiel. É que procuro construir o poema português pelo sentido emocional, mental, linguístico que eu tinha, sub-reptìciamente, ao lê-lo em inglês, francês, italiano ou espanhol. Como fidelidade, convenhamos, é bizarramente pessoal. Mas não há fidelidade que não seja pessoal. [...]»

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Última Ciência


HERBERTO HELDER

Lisboa, 1988
Assírio & Alvim
1.ª edição [única]
205 mm x 150 mm
48 págs.
na capa: O Mapa-Múndi de Johann Stabius, Albert Dürer, 1515
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
120,00 eur (IVA e portes incluídos)

É talvez dos mais densos livros de HH, pois da ciência hermética trata. Do seu fecho uma passagem:
«[...] Pratiquei a minha arte de roseira: a fria
inclinação das rosas contra os dedos
iluminava em baixo
as palavras.
Abri-as até dentro onde era negro o coração
nas cápsulas. Das rosas fundas, da fundura nas palavras.
Transfigurei-as.
Na oficina fechada talhei a chaga meridiana
do que ficou aberto.
Escrevi a imagem que era a cicatriz de outra imagem.
A mão experimental transtornava-se ao serviço
escrito
das vozes. O sangue rodeava o segredo. E na sessão das rosas
dedo a dedo, isto: a fresta da carne,
a morte pela boca.
– Uma frase, uma ferida, uma vida selada.»

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quarta-feira, julho 02, 2025

Cobra


HERBERTO HELDER
capa e extra-texto de Carlos Ferreiro

Lisboa, 1977
& etc – Publicações Culturais Engrenagem, Lda.
1.ª edição [única]
175 mm x 154 mm
84 págs. + 1 extra-texto colado na pág. 2
capa impressa a negro nas costas de cartolina de dupla face, com sobrecapa impressa 3 cores directas sobre kraft verde
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
peça de colecção
1.200,00 eur (IVA e portes incluídos)

À data da publicação, porque há muito de HH não se lhe conheciam inéditos, o livro foi “devorado” dos escaparates em pouco mais de uma semana. Trata-se da irradiante obra-manifesto que veio consolidar a importância deste poeta da língua portuguesa modernizada por Mário de Sá-Carneiro / Fernando Pessoa / Almada Negreiros.

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Prémio Pessoa, 1987 / 1996




aa.vv.

[Lisboa], 1997
Expresso / Unisys
1.ª edição
327 mm x 246 mm (álbum)
120 págs.
subtítulo: Edição comemorativa dos dez anos do Prémio Pessoa
profusamente ilustrado a cor
encadernação editorial em tela gravada a ouro na pasta anterior e na lombada, sobrecapa impressa
folhas-de-guarda impressas
exemplar como novo
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

O grande interesse nesta publicação, que reúne fotos e entrevistas com os galardoados de uma década, reside no facto de testemunhar, num registo verdadeiramente patético, o embaraço de alguns membros do júri mais audazes quando, rumo a Cascais em demanda do nosso maior poeta, então vivo, Herberto Helder, portadores do “ouro” do Prémio Pessoa 1994, encontraram o caminho de volta na simplicidade inflexível da palavra de um pobre guardador do seu crisol: «Vocês não digam a ninguém e dêem o prémio a outro...»

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domingo, julho 28, 2024

O Patinho Feio e outros contos


[HANS-CHRISTIAN] ANDERSEN
trad. Herberto Helder
ilustrações de Jean-Léon Huens

Lisboa, s.d.
Editorial Verbo
1.ª edição
305 mm x 232 mm (álbum)
32 págs.
profusamente ilustrado a cor no corpo do texto
cartonagem editorial
exemplar muito estimado; miolo limpo
dedicatória de posse no frontispício
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Veloz Como o Vento


GINE VICTOR LECLERQ
trad. Herberto Helder
capa de José Antunes

Lisboa, 1967
Editorial Verbo, Lda.
1.ª edição
184 mm x 147 mm
204 págs. + 10 págs. (pub. editora) + 2 folhas em extra-texto
ilustrado a preto e a cor, no corpo do texto e em separado
cartonagem editorial
exemplar como novo
peça de colecção
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Novela juvenil, apenas de interesse bibliófilo. Garantidamente vertida para a língua portuguesa de um dos nossos maiores poetas de sempre.

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Contos


HANS-CHRISTIAN ANDERSEN
trad. Elsa Taveira e Herberto Helder
capa de José Antunes
ilust. Vaz Pereira

Lisboa, 1966
Editorial Verbo
2.ª edição
185 mm x 147 mm
196 págs. + 2 folhas em extra-texto
ilustrado no corpo do texto a negro e a cor em separado
cartonagem editorial
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
peça de colecção
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Novela infanto-juvenil, de um autor que é a matriz do género na literatura europeia. A vertente edição acrescenta as ilustrações, que não constavam da edição original.

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segunda-feira, março 18, 2024

Morfogenia

 

MÁRIO DIAS RAMOS
badana de Herberto Helder

Lisboa, s.d. [1965, seg. BNP; 1962, seg. Dic. Crono. de Autores Port.]
Cronos (Edição do Autor)
1.ª edição
188 mm x 130 mm
64 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do primeiro livro publicado sob os auspícios de revista Cronos (que teve apenas cinco números, entre 1965-1970), co-dirigida e co-editada por Fernando Luso Soares e pelo próprio Mário Dias Ramos.

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sexta-feira, março 08, 2024

Larva

 

JULIÁN RÍOS
trad. Mariano Alejandro Ribeiro
capa (frente e verso) de Miguel Ângelo Rocha


Lisboa, 2024
Barco Bêbado
1.ª edição
205 mm x 132 mm
578 págs. + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: Babel de uma noite de São João
ilustrado
exemplar novo
inclui folha-volante catálogo editorial enriquecida com um texto inédito de Herberto Helder
38,00 eur (IVA e portes incluídos)

«Fundindo — transgredindo —  géneros, códigos, linguagens: a postular um internacionalismo cultural situado nos antípodas do proteccionismo literário espanhol (essa herança podre do limpa-fixa-e dá esplendor), Julián Ríos maltrata, manuseia, violenta, sodomiza uma normalidade linguística que serviu de veículo à incrível opressão (ideológica, política, social, sexual) em que até há pouco tempo, todos nós, de uma maneira ou outra, vivemos.» (Juan Goytisolo)

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domingo, janeiro 21, 2024

A Cabeça Entre as Mãos


HERBERTO HELDER
capa do escultor Manuel Rosa

Lisboa, 1982
Assírio e Alvim - Cooperativa Editora e Livreira, SCARL
1.ª edição [única]
205 mm x 122 mm
48 págs.
exemplar estimado; miolo irrepreensível
120,00 eur (IVA e portes incluídos)

Escreve Maria de Fátima Marinho em O Surrealismo em Portugal (Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1987): «[...] a produção de Herberto Helder não se esgota nas suas ligações com o surrealismo, abrangendo uma área mais vasta que atinge entre outras a poesia experimental e concreta. É, contudo, importante ressaltar que o autor [...] é um dos casos em que o surrealismo português alcança um nível mais elevado. Talvez porque não é puro, talvez porque Herberto Helder nunca pretendeu, teoricamente, ser surrealista, mas foi, frequentemente, na prática. [...]»

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domingo, dezembro 03, 2023

Ofício Cantante


HERBERTO HELDER
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1967
Portugália Editora
1.ª edição
196 mm x 145 mm
264 págs.
impresso sobre papel avergoado
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
PEÇA DE COLECÇÃO
320,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da primeira vez que Herberto Helder (1930-2015) reúne a sua obra completa, não sem efectuar uma profunda revisão nos seus poemas, fazendo de livros passados um livro presente.

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Herberto Helder: A Obra e o Homem


MARIA DE FÁTIMA MARINHO
capa e grafismo de Gina Martins Calado

Lisboa, 1982
Editora Arcádia, S.A.R.L.
1.ª edição
205 mm x 139 mm
264 págs.
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota de abertura da autora:
«[...] a força transformadora de Herberto Helder não se esgota na originalidade literária dos seus livros: nenhum deles, quando publicado, se torna num produto fixo e imutável. Mal o livro começa a ser vendido, já o autor lhe prevê inúmeras modificações para edições futuras, “rejeitando” a que acaba de publicar. Se compararmos as diferentes edições das suas obras, facilmente verificaremos as alterações de umas para outras. O caso limite é, talvez, o de Cobra, cuja edição “oficial” é uma das muitas versões do livro. Cada um dos exemplares oferecidos pelo autor é único, o que vem tornar periclitante ou desmoralizante o exercício da crítica, ou simplesmente tornar a sua leitura mais problemática. [...]»

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quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Poesia 70 – 71


EGITO GONÇALVES, org.
MANUEL ALBERTO VALENTE, org.
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, org.
aa.vv.
capa e grafismo de Armando Alves
ilust. Ângelo

Porto, 1971 e 1972
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
2 volumes (completo)
195 mm x 140 mm
248 págs. + 256 págs.
exemplares estimados; miolo limpo, as páginas finais do segundo volume apresentam um erro tipográfico de impressão designado por repintagem
assinaturas de posse nos ante-rostos
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Alguns autores coligidos foram, à época, uma revelação entre alguns outros basto conhecidos. É assim que deve ser feita uma antologia: transportar o vinho novo dentro de selhas velhas. Alguns exemplos: Fallorca ao lado de José Gomes Ferreira, ou Eduardo Guerra Carneiro ao lado de Saramago, ou Nuno Guimarães ao lado de Cesariny, ou José Agostinho Baptista ao lado de Couto Viana; ou mesmo Idalécio Cação de par com João Miguel Fernandes Jorge, ou Licastro na companhia de Herberto Helder, de Jorge de Sena, de Régio, de Sophia, de Maria Teresa Horta (que vai muito bem com Torquato da Luz e Fernando Grade), etc., etc., etc.

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terça-feira, janeiro 24, 2023

Êxodo

 

LOUZÃ HENRIQUES
JOÃO VÁRIO
LUÍS SERRANO
RUI MENDES

HERBERTO HELDER


Coimbra, 1961
[Livraria Almedina]
1.ª edição [única]
219 mm x 167 mm
34 págs.
subtítulo: Poesia – Antologia 1
exemplar estimado; miolo limpo
160,00 eur (IVA e portes incluídos)

Apesar de advertência em contrário, dos editores («publicação não periódica»), Daniel Pires considera-a no seu Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1941-1974) (Grifo, Lisboa 1999):
«Êxodo – A palavra a Luís Serrano, um dos seus dinamizadores:
“[…] Veio a lume em Coimbra em 1961, antecipando-se de alguns meses ao movimento Poesia 61 que viria a aparecer em Lisboa.
[…] O caderno pretendia acolher e divulgar a poesia da nova geração sem grandes preocupações de carácter ideológico mas com grandes preocupações de qualidade e inovação […]”.»
O jovem Herberto Helder, então já com importantes livros editados (O Amor em Visita e A Colher na Boca), colabora com texto «Ofício de Poeta».

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quarta-feira, novembro 23, 2022

Os Passos em Volta


HERBERTO HELDER
capa de Manuel Rosa sobre gravura rupestre

Lisboa, 1980
Assírio e Alvim
4.ª edição («emendada»)
19 cm x 15,8 cm
200 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
inclui a rara cinta editorial
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Ventila a História da Literatura Portuguesa (António José Saraiva / Óscar Lopes, Porto Editora, 15.ª ed., Porto, 1989) que HH «[deveria] aliás a primeira notoriedade a Os Passos em Volta, [...], livro de contos, ou antes, livro onde a sua fantasia se disciplina por um mínimo de enredo e de referências sociais objectivas, vencendo as excessivas facilidades de um transcendentalismo que ainda algo tem de romântico. [...]» Opinião ligeira, muito pouco materialista dialéctica, que em nada destoa das fichas de apontamentos dos serviços de leitura da Gulbenkian, em que por três vezes o sebastianista António Quadros mais não consegue dizer, das sucessivas edições do livro, do que «Os seus contos, quase todos auto-biográficos, narram episódios de vagabundagem intelectual na Holanda, na França, e na cidade, em Lisboa. O seu tema é o isolamento do homem, as suas vagas aspirações, ainda indefinidas, os seus sonhos, os seus ideais imprecisos. [...]» Promessas que, segundo o oráculo de Quadros, lhe permitiam «augurar boas possibilidades de expressão novelesca no futuro»... Viu-se.

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Sulco – Revista de Cultura Político-Social



[HERBERTO HELDER]

Lisboa, II série – Ano I – n.º 2, Junho-Julho de 1965
Centro de Estudos Político-Sociais da União Nacional (C.E.P.S.)
ed. Virgílio Cruz
22,5 cm x 15,4 cm
168 págs. (numeração contínua: págs. 121 a 288)
exemplar estimado; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

A curiosidade deste número isolado desta revista de extrema-direita reside no facto de aí figurar uma tradução de Herberto Helder, o artigo «Julgamento de um jovem poeta russo – o processo de Josef Brodsky». Entre o declínio habitual neste tipo de imprensa, assinado por gente retrógada como, por exemplo, Lumbrales, Rodrigues Cavalheiro ou João Ameal, ergue-se, traduzido da revista inglesa Encounter, o «relato quase integral das duas sessões que constituíram o julgamento, efectuado em Fevereiro e Março de 1964», que se saldou na condenação do dito escritor russo «à pena de cinco anos de trabalhos forçados». Na União Nacional devem ter rejubilado com uma peça de tal jaez anticomunista...
Iosif Aleksandrovich Brodski (1940-1996), poeta e ensaísta discípulo de Anna Akhmatova, viu-se envolvido por uma denúncia jornalística que classificava os seus versos como «pornográficos» e «anti-soviéticos», o que levou as autoridades policiais a interná-lo num manicómio e, posteriormente, a condená-lo em tribunal por «parasitismo». A importância que o protesto contra o seu aprisionamento ganhou para cá da Cortina de Ferro, apesar de não ter abalado o regime totalitário russo, culminou na comutação dessa pena.

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sexta-feira, novembro 05, 2021

Contravento – Letras e Artes

 

dir. Fernando Pinto Ribeiro
ed. Eduíno de Jesus (Editorial Contravento, Lda.)
Lisboa, Agosto de 1968 a Dezembro de 1971
capas de Artur Bual, João Vieira, Fausto Boavida, e Gil Teixeira Lopes
grafismo de Artur Bual
4 números (completo)
227 mm x 227 mm
60 págs. + [3 x 72 págs.]
profusamente ilustrados
texto impresso a três colunas
exemplares estimados; miolo limpo
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Interessantes colaboradores concitou este periódico, que acompanha o mercado nascente da arte abstracta em Portugal, embora os participantes literários nada devam a essa corrente estética. Assim, por exemplo, os poetas cujos versos mereceram honras de reprodução autógrafa: Vitorino Nemésio, mediante um soneto e um mini-ensaio de David Mourão-Ferreira acerca da obra lírica nemesiana; António de Sousa, com um poema à Carochinha e ao João Ratão; Tomaz de Figueiredo e Cabral do Nascimento, também com poemas sérios. Digamos que o mais “abstracto” que a revista aborda, durante a sua curta vida, será a ampla participação concretista de E. M. de Melo e Castro, no n.º 2; serão ainda os «Três Poemas Visuais» de Ana Hatherly, no n.º 3. E no meio de assuntos que vão do teatro às artes plásticas com passagem pela música segundo António Vitorino de Almeida, entrevistado para o n.º 3, duas pérolas diversamente estranhas nos são dadas ler: uma primeira versão do magnífico poema «Bicicleta», de Herberto Helder (no n.º 1), e, no n.º 4, José Saramago com o breve, mas igualmente magnífico, poema «Os Mais Velhos», ficando assim representados o surrealismo heterodoxo e o realismo ortodoxo.

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sábado, junho 26, 2021

Caliban


Lourenço Marques (Moçambique), 1971
dir. J. P. [João Pedro] Grabato Dias e Rui Knopfli
2 números (de 4 números em 3 brochuras)
217 mm x 152 mm
68 págs. [num. contínua (32 págs. + 36 págs.)]
exemplares muito estimados; miolo irrepreensível
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Revista ultramarina – cujo nome é de inspiração shakespeareana – «fechada pela PIDE, em 1972» (segundo Daniel Pires, Dicionário das Revistas Literárias Portuguesas do Século XX, Contexto Editora, Lisboa, 1986), a sua raridade pauta-se até pela ausência nos ficheiros da Biblioteca Nacional, que apenas conseguiu obter um exemplar completo em 2006 (leilão de 26 e 27 de Abril, na Livaria Antiquária do Calhariz, Lisboa).
Dentre os colaboradores, nota-se o alto gabarito das escolhas obtidas pelos coordenadores, a saber: Eugénio Lisboa, Jorge de Sena, José Craveirinha, Rui Nogar, Sebastião Alba, Herberto Helder, António Ramos Rosa, [João da] Fonseca Amaral, Luís Amaro, João Rui de Sousa, Fernando Assis Pacheco, etc. Além dos inéditos – alguns são-no ainda hoje –, a tradução teve o mérito de nos dar a conhecer uma integral do longo poema de T. S. Eliot, Quarta-feira de Cinzas, e poemas de Marianne Moore.
A participação de Herberto Helder, essa, pode ser considerada única, porque «Movimentação Errática» virá a ser revista e fraccionada entre a sua “prosa” introdutória e o poema que a ilustra, seguindo este último, já baptizado «Texto 1», para o núcleo «Antropofagias» de Poesia Toda (vol. 2, Plátano Editora, Lisboa, 1973) e, a referida “prosa”, para o livro Photomaton & Vox (Assírio & Alvim, Lisboa, 1979).

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