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domingo, agosto 23, 2026

Eça de Queirós: A Escrita do Mundo

 

[a] CARLOS REIS
et alii
prefs. Manuel Maria Carrilho, e José Saramago
[b] CARLOS REIS, JOSÉ SARAMAGO, EDUARDO LOURENÇO, e ANTONIO CANDIDO (DE MELLO E SOUZA) (textos), e ROGÉRIO RIBEIRO, NIKIAS SKAPINAKIS, e JOSÉ GUIMARÃES (pinturas)
capas e grafismos de Paulo da Costa Domingos

Lisboa, 2000
Biblioteca Nacional | Edições Inapa, S.A.
1.ª edição [única]
2 volumes (completo)
[318 mm x 228 mm] + [311 mm x 221]
[a] 288 págs. + [b] 32 págs.
subtítulo: Por ocasião do I Centenário da Sua Morte
ambos profusamente ilustrados
[a] encadernação editorial em tela gravada a seco, com sobrecapa, folhas-de-guarda impressas
[b] acabamento com dois pontos em arame
exemplares como novos
inclui autocolante reproduzindo a capa
PEÇA DE COLECÇÃO
95,00 eur (IVA e portes incluídos)

Incontornável catálogo de referência à obra de Eça, para o qual tanto Carlos Reis, este na qualidade de director da Biblioteca Nacional, como Saramago e Lourenço deram contribuições inéditas.

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telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

segunda-feira, agosto 03, 2026

A Caverna


JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 2000
Editorial Caminho, SA
1.ª edição
210 mm x 135 mm
352 págs.
exemplar como novo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)


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segunda-feira, julho 27, 2026

O Homem Duplicado

 

JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, Outubro de 2002
Editorial Caminho, SA
1.ª edição
210 mm x 136 mm
320 págs.
exemplar como novo
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma edição original, publicada em vida do autor – autor que foi ostensivamente contra as mexidas “académicas” no idioma português – e, portanto, anterior à falsificação ortográfica das correntes edições.

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domingo, maio 03, 2026

A Jangada de Pedra [junto com cartaz da adaptação cinematográfica]



JOSÉ SARAMAGO
George Sluizer, realizador

Lisboa – Portugal | Índia, 1986 (livro) e 2002 (filme)
Editorial Caminho | MGS Film
1.ª edição
[21 cm x 13,5 cm (livro)] + [97 cm x 68 cm (cartaz)]
332 págs. + 1 cartaz
cartaz impresso em offset
exemplares estimados; miolo limpo
75,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do discurso pronunciado na Academia Sueca por altura da atribuição do Prémio Nobel:
«[...] Fruto imediato do ressentimento colectivo português pelos desdéns históricos da Europa (mais exacto seria dizer fruto de um meu ressentimento pessoal...), o romance que então escrevi – A Jangada de Pedra – separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices[,] em direcção ao Sul do mundo, “massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais”, a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens... [...]»
A versão cinematográfica, entregue ao realizador alemão George Sluizer (1932-2014), foi produzida pela MGS Film, uma fábrica desses filmes indianos que inundam o mercado oriental (e por todo o mundo onde aterrem hindus), esse género xaroposo cor-de-rosa conhecido por bollywood.

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quinta-feira, abril 09, 2026

Levantado do Chão


JOSÉ SARAMAGO
capa e arranjo gráfico de José Araújo


Lisboa, 1983
Editorial Caminho
4.ª edição
210 mm x 137 mm
368 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
95,00 eur (IVA e portes incluídos)

É o livro charneira na obra do escritor. Antes, independentemente das suas qualidades reconhecidas entre pares na arte, era um escritor encurralado por um crónico reduzido número de vendas; o vertente romance projectá-lo-á entre os leitores vulgares de Lineu, trazendo-lhe uma justa admiração crescente. A controvérsia que sempre os seus romances causaram – a pontos de um ministro de Estado passar a ser conhecido pela triste figura de ignorante que fez ao vetar a candidatura de Saramago a um prémio literário – radica apenas no preconceito ideológico contra as vozes de um partido político. No geral os seus adversários nunca o leram, porque a maior homenagem a um escritor é ser lido.
Do vertente livro disse a professora universitária Maria Lúcia Lepecki:
«[...] Construído numa dignidade de linguagem de todo invulgar, numa beleza conteudística e formal quase dolorosa, espelho do modo afectivo e inteligente como José Saramago está no mundo enquanto homem político e intelectual, Levantado do Chão é, mais que envolvente, avassalador. Uma força da natureza, se tal é lícito chamar a um produto cultural.»
Esta 2.ª edição ainda apresenta impresso na portada um núcleo de dedicatórias, encimado por «À Isabel [da Nóbrega], sempre», que o escritor fará desaparecer em posteriores reedições.

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O Evangelho Segundo Jesus Cristo

 

JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 1991
Editorial Caminho SA
1.ª edição
209 mm x 132 mm
448 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Estava-se em plena governação cavaquista & aliança-democrática, ou seja, a direita nos seus primeiros anos de revanchismo. Altura propícia para a incultura proverbial deste país atacar a Cultura. O provocatório livro do escritor comunista José Saramago parecia, então, procurar um desejado afrontamento entre as forças em contenda, e conseguiu-o pela voz e pelos actos censórios do opaco subsecretário de Estado da tutela, um tal Sousa Lara. Não deu em nada, tal como, dez anos antes, em nada viera a saldar-se o assalto à editora & etc por causa da publicação de um folheto também dito “atentatório” da “boa moral” cristã. Não deu em nada… quere-se dizer: rendeu ao Lara, posteriormente, em 2016, uma condecoração oficial pelos lindos serviços prestados à horda de Cavaco Silva.

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Manual de Pintura e Caligrafia


JOSÉ SARAMAGO
capa e plano gráfico de Luís Duran

Lisboa, 1976
Moraes Editores
1.ª edição
200 mm x 140 mm
352 págs.
subtítulo: Ensaio de Romance
exemplar muito estimado; miolo limpo
180,00 eur (IVA e portes incluídos)

Das fichas de leitura do serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, assinada por Joana Varela em 1984:
«Se José Saramago quisesse ser exacto e gostasse de desvendar segredos, em vez de “Manual de pintura e caligrafia”, chamaria muito simplesmente ao seu livro “Manual de vida”, porque, no fundo, é só disso que se trata: Um pintor de retratos da alta burguesia lisboeta, H., começa simultaneamente o retrato “oficial” de S., administrador de uma empresa, um retrato clandestino onde procura pôr o que no primeiro se escapa e uma espécie de diário. A como que finura que o segundo retrato instala na sua pintura, é homóloga da finura da reflexão que a escrita inaugura – e ambas tendem para a ruptura: do modo de vida, do modo de arte, do modo de pensamento. Tudo acaba por convergir numa teoria, aliás por diversas vezes expressa no livro: toda a literatura é autobiográfica, todo o retrato é auto-retrato, toda a forma de arte é forma de vida. E vice-versa. O que o livro relata, portanto, é, na primeira parte, uma conversão à estranheza da intimidade e, na segunda, à sua habitação – no entanto, porque o escritor só deve falar de tudo que sabe, a primeira parte, a do cinismo, a da distância, a da auto-impiedade é infinitamente superior à conclusão, adocicada por um encontro que tem a dupla vantagem e cegueira de ser amoroso e político. De qualquer forma, [...] pensamos que a sua aquisição é recomendável

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As Intermitências da Morte


JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 2005
Editorial Caminho
1.ª edição
209 mm x 138 mm
216 págs.
sem a sobrecapa de origem
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma significativa passagem deste grandioso livro:
«No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme [...].
[...] Quando os filósofos, divididos, como sempre, em pessimistas e optimistas, uns carrancudos, outros risonhos, se dispunham a recomeçar pela milésima vez a cediça disputa do copo de que não se sabe se está meio cheio ou meio vazio, a qual disputa, transferida para a questão que ali os chamara, se reduziria no final, com toda a probabilidade, a um mero inventário das vantagens ou desvantagens de estar morto ou de viver para sempre, os delegados das religiões apresentaram-se formando uma frente unida comum com a qual aspiravam a estabelecer o debate no único terreno dialéctico que lhes interessava, isto é, a aceitação explícita de que a morte era absolutamente fundamental para a realização do reino de deus e que, portanto, qualquer discussão sobre um futuro sem morte seria não só blasfema como absurda, porquanto teria de pressupor, inevitavelmente, um deus ausente, para não dizer simplesmente desaparecido. Não se tratava de uma atitude nova, o próprio cardeal já havia apontado o dedo ao busílis que significaria esta versão teológica da quadratura do círculo quando, na sua conversação telefónica com o primeiro-ministro, admitiu, ainda que por palavras muito menos claras, que se se acabasse a morte não poderia haver ressurreição, e que se não houvesse ressurreição, então não teria sentido haver igreja. Ora, sendo esta, pública e notoriamente, o único instrumento de lavoura de que deus parecia dispor na terra para lavrar os caminhos que deveriam conduzir ao seu reino, a conclusão óbvia e irrebatível é de que toda a história santa termina inevitavelmente num beco sem saída. Este ácido argumento saiu da boca do mais velho dos filósofos pessimistas, que não ficou por aqui e acrescentou acto contínuo, As religiões, todas elas, por mais voltas que lhes dermos, não têm outra justificação para existir que não seja a morte, precisam dela como do pão para a boca. [...]»

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Todos os Nomes

 

JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 1997
Editorial Caminho, SA
1.ª edição
210 mm x 136 mm
280 págs.
volume com sobrecapa
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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História do Cerco de Lisboa


JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 1989
Editorial Caminho
1.ª edição
210 mm x 135 mm
352 págs.
tiragem declarada de 50.000 exemplares
exemplar novo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Das Memorial

JOSÉ SARAMAGO
trad. Andreas Klotsch


Hamburgo, 1986
Rowohlt Verlag
1.ª edição
texto em alemão
211 mm x 136 mm
464 págs.
encadernação editorial inteira em tela gravada a cinza e negro na lombada, sobrecapa impressa a duas cores directas
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
50,00 eur (IVA e portes incluídos)


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As Opiniões que o DL Teve


JOSÉ SARAMAGO
capa de Lucília Louro


Lisboa, Janeiro de 1974
Seara Nova / Futura
1.ª edição
184 mm x 115 mm
224 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião dos melhores artigos que ao longo de quase dois anos o escritor, na qualidade de editorialista, produziu anonimamente para as páginas do Diário de Lisboa. Aí avultam alguns que nem sequer puderam ser publicados, facto (censório) que, segundo a nota de apresentação deste livro, ainda editado antes do fim da ditadura do Estado Novo, «não precisa explicação». Trata-se, pois, do último livro de Saramago antes da queda do regime fascista.

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Deste Mundo e do Outro


JOSÉ SARAMAGO
grafismo de Mendes de Oliveira

Lisboa, 1971
Editora Arcádia, S. A. R. L.
1.ª edição
181 mm x 107 mm
224 págs.
exemplar como novo
peça de colecção
90,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião de crónicas; em algumas o tom é poético e empolgado, pouco comum numa época deprimida e sitiada.

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domingo, outubro 12, 2025

Deus Dorme em Masúria


HANS HELLMUT KIRST
trad. José Saramago
capa de Figueiredo Sobral

Lisboa, 1958
Publicações Europa-América, Lda.
1.ª edição
19,2 cm x 14,5 cm
376 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota editorial na badana:
«[...] A acção decorre em 1933 numa aldeia tranquila nos confins da Prússia oriental, onde era tal a paz que se podia dizer que Deus nela dormia.
Um dia, na doce e pacífica aldeia cometeu-se um crime. Quem era a vítima? Quem instigou o crime?
Hans Hellmut Kirst não escreveu um romance policial. Escreveu com o seu reconhecido humor um romance de costumes: a chegada do nacional-socialismo a uma aldeia perdida e tranquila.»

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domingo, setembro 21, 2025

Viagem a Portugal



JOSÉ SARAMAGO

Lisboa, 1981
Círculo de Leitores, Lda.
1.ª edição
301 mm x 227 mm (álbum)
240 págs.
profusamente ilustrado a cor
encadernação editorial em sintético com gravação a ouro na lombada, sobrecapa impressa a cor
exemplar muito estimado, discretos restauros na sobrecapa; miolo irrepreensível
65,00 eur (IVA e portes incluídos)

«Conhecer um país é apreender, de modo tanto quanto possível exacto, a sua paisagem, a sua cultura, o povo que o habita. [...] Havia, pois, necessidade de criar, sobre Portugal, um livro que não se limitasse às já fatigadas impressões sobre os lugares comuns do turismo. [...]
Este livro procura ser a reprodução escrita e visual das múltiplas imagens colhidas por uma sensibilidade, por uma maneira de estar no mundo e ser português. [...]» (da nota editorial na badana).

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quarta-feira, julho 09, 2025

As Opiniões Que o DL Teve

 

JOSÉ SARAMAGO
capa de Lucília Louro
grafismo de Acácio Santos

Lisboa, Janeiro de 1974
Empresa de Publicidade Seara Nova, S.A.R.L.
1.ª edição (em livro)
184 mm x 114 mm
224 págs.
exemplar muito estimado; miolo com orelhas nas págs. 37 e 155, sublinhado lateral na pág. 36, parcialmente por abrir
VALORIZADO PELA ASSINATURA DE POSSE DO ESCRITOR LUIZ PACHECO E DATAÇÃO DE 1985
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Pela data tardia a que Luiz Pacheco terá chegado ao conhecimento do vertente livro de José Saramago, e pela irrelevância do sublinhado na referida página, ficamos com uma ideia da irrelevância de muitas das opiniões do escritor “maldito” Luiz Pacheco, hoje tão apreciado por uma geração de indigentes críticos.

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Uma Mulher em Berlim


CHRISTINE GARNIER
trad. de José Saramago

capa de Sebastião Rodrigues

Lisboa, 1957
Publicações Europa-América
1.ª edição
196 mm x 141 mm
288 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

A autora, jornalista basto conhecida em Portugal pelo menos desde a publicação, em 1952, do seu livro autocomplacente Férias com Salazar [Parceria António Maria Pereira, Lisboa], surge-nos aqui (traduzida pelo comunista José Saramago, e numa editora da resistência antifascista) a assinar um romance característico da cidade que a guerra dividiu.

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sábado, agosto 05, 2023

Casa de Correcção


URBANO TAVARES RODRIGUES
pref. José Saramago
capa de Henrique Ruivo

Lisboa, 1972
Livraria Bertrand, S.A.R.L.
2.ª edição
191 mm x 123 mm
196 págs.
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Disse Eduardo Lourenço no prefácio à 3.ª edição do vertente livro: «Ninguém na nossa geração escreveu mais à flor do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. [...] Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. [...]
A um público que nos anos cinquenta das suas novelas cosmopolitas não saía ainda de casa senão para voltar excitado às doçuras arcaicas de um mundo estofado em pele maternal, Urbano comunicou o frisson nouveau de visões, experiências, encontros, notícias, sonhos [...]. Com o mesmo fervor e exaltação, com a mesma equívoca fascinação com que sempre se moveu nas atmosferas onde a pulsão de morte se oferece os refinamentos do desejo ou dos seus simulacros, Urbano Tavares Rodrigues se fará em casa, na plácida e silenciosa casa portuguesa dos anos sessenta, o novelista da subversão nocturna, da revolução marginal [...].» (vd. Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, Porto, Edições Asa, 2003)

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quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Poesia 70 – 71


EGITO GONÇALVES, org.
MANUEL ALBERTO VALENTE, org.
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, org.
aa.vv.
capa e grafismo de Armando Alves
ilust. Ângelo

Porto, 1971 e 1972
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
2 volumes (completo)
195 mm x 140 mm
248 págs. + 256 págs.
exemplares estimados; miolo limpo, as páginas finais do segundo volume apresentam um erro tipográfico de impressão designado por repintagem
assinaturas de posse nos ante-rostos
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Alguns autores coligidos foram, à época, uma revelação entre alguns outros basto conhecidos. É assim que deve ser feita uma antologia: transportar o vinho novo dentro de selhas velhas. Alguns exemplos: Fallorca ao lado de José Gomes Ferreira, ou Eduardo Guerra Carneiro ao lado de Saramago, ou Nuno Guimarães ao lado de Cesariny, ou José Agostinho Baptista ao lado de Couto Viana; ou mesmo Idalécio Cação de par com João Miguel Fernandes Jorge, ou Licastro na companhia de Herberto Helder, de Jorge de Sena, de Régio, de Sophia, de Maria Teresa Horta (que vai muito bem com Torquato da Luz e Fernando Grade), etc., etc., etc.

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sábado, outubro 29, 2022

A Centelha da Vida


ERICH-MARIA REMARQUE
trad. de José Saramago
capa de Otelo Azinhais *

Lisboa, 1955
Publicações Europa-América
1.ª edição
19,5 cm x 14 cm
472 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo, parcialmente por abrir
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

O autor, que conheceu na pele a I e a II Guerras Mundiais, teve o “privilégio” de ver obras literárias suas queimadas em público pelos nazis; apropriadamente, a acção do presente romance desenrola-se dentro de um campo de concentração...
Palavras do editor na badana de suporte do volume:
«[...] O seu livro desenrola-se integralmente no plano dos factos mais concretos. Não obstante, o próprio título anuncia a grande lição que se desprende destas páginas. É a da precaridade do valor humano. O espírito, fá-lo Remarque dizer à sua personagem principal, não é uma luz intangível desprendida das necessidades materiais. Quem quer que seja pode liquidá-lo, se para tanto tiver tempo e ocasião. A humanidade está constantemente ameaçada, a possibilidade do seu desaparecimento está sempre presente. É preciso salvá-la e reconquistá-la em cada momento.
E é sem dúvida esse o tema mais trágico deste livro, essa centelha espiritual sempre prestes a apagar-se, morrendo e renascendo em cada instante, protegida medrosamente por homens encurralados, obrigados sem cessar a recorrerem à astúcia para permanecerem homens.»
* Capa referida em Ilustração & Literatura Neo-Realista (Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2008).

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