EÇA DE QUEIROZ
RAMALHO ORTIGÃO
Lisboa, 1885
Livraria de Antonio Maria Pereira, Editor
2.ª edição (em livro, «retocada e precedida d’um prefacio»)
202 mm x 146 mm
X págs. + 244 págs.
subtítulo: Cartas ao Diario
de Noticias
encadernação em meia-francesa com cantos em pele, elegante gravação a ouro e relevo seco na lombada e somente a ouro nos remates da pele
ligeiramente aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo, acidez ocasional na primeira e nas últimas folhas
assinatura de posse no ante-rosto, selo branco no rosto
110,00 eur (IVA e portes incluídos)
Trata-se efectivamente da 3.ª edição do texto, dado que,
além das edições em livro, o mesmo foi antes publicado em folhetins no Diário de Notícias. Porém, Eça de
Queirós considerava este livro «emendado, quase refeito», e considerava isso de
forma tão entusiástica que daqui lhe veio a ideia de um «novo» Fradique Mendes,
vontade expressa em carta da época a Oliveira Martins.
Do livro propriamente, deve destacar-se o ser o primeiro
assinado, sem reserva de coutadas, por dois escritores, e logo no género
“policial”. Dizem eles num Prefácio que data de catorze anos volvidos sobre a
edição princeps:
«[...] sem plano, sem methodo, sem escola, sem documentos,
sem estylo, recolhidos á simples “torre de crystal da Imaginação”, desfechámos
a improvisar este livro, um em Leiria, outro em Lisboa, cada um de nós com uma
resma de papel, a sua alegria e a sua audacia. [...]» E aqui já encontramos
três marcos de referência para qualquer escritor, que se queira, nos nossos
dias: Imaginação (com letra grande), alegria e audácia. Mas há mais, nesse
Prefácio:
«[...] a publicação d’este livro, fóra de todos os moldes
até o seu tempo consagrados, pode conter, para uma geração que precisa de a
receber, uma util lição de independencia.
A mocidade que nos succedeu, em vez de ser inventiva, audaz,
revolucionaria, destruidora d’idolos, parece-nos servil, imitadora, copista,
curvada de mais deante dos mestres. Os novos escriptores não avançam um pé que
não pousem na pégada que deixaram outros. Esta pusilanimidade torna as obras
tropegas, dá-lhes uma expressão estafada; e a nós, que partimos, a geração que chega
faz-nos o effeito de sahir velha do berço e de entrar na arte de muletas.
[...]»
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