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sexta-feira, abril 24, 2026

Catalabanza, Quilolo e Volta


FERNANDO ASSIS PACHECO
capa de Júlio

Coimbra, 1976
Centelha
[1.ª edição]
180 mm x 117 mm
78 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se, de facto, da actualização aumentada do livro Câu Kiên: um Resumo, que havia saído em edição do Autor durante a vigência da ditadura (1972), o que o fez optar então por topónimos que remetiam a acção algures para a Indochina, onde uma outra guerra colonial igualmente bárbara e sem escrúpulos se desenrolava. A linguagem, essa, qualquer seja a versão que leiamos, é acusatória e desesperada. Um exemplo, o poema «O Garrote»:

«Ribeiras limpas acudi-me.
Vou ficar vivo encostado
a esta memória de trampa.
Os meus olhos já foram brilhantes.
Sei fazer alguns versos mas nem sempre.
Eu narrador me confesso.
A guerra lixou tudo.

É curioso como se bebia
água podre.
Não falando no vinho, muito.
Durante os ataques doía-me um joelho.
Estou pronto, pensei.
Ninguém me conhece.
Os ratos são felizes.

Vocês não sabem como se perde a tusa.
De resto não serve para nada.
A melhor noite que eu tive
em Nambuangongo foi com uma garrafa de whisky.
Sei fazer versos mas doem.
Ninguém me conhecia dentro do arame.
[...]
Suponho que a violência tem os dias contados.
Se não é assim é parecido.
Eu vi-os sair do quartel
com as alpergatas nas últimas.
Vai ali o Ocidente, escrevi.
Vai beber água podre.

E depois há um que pisa uma armadilha.
Houve um que pisou uma armadilha!
Sei fazer versos. Ou seja: nada.
O coto em sangue.
Neste ponto o narrador sofreia a imaginação.
Ninguém disse que me conhecia.
Conheço um rato, está em cima duma viga.
Serve para a gente olhar.»

pedidos para:
pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

quinta-feira, abril 25, 2024

Cuidar dos Vivos


FERNANDO ASSIS PACHECO

Coimbra, 1963
Cancioneiro Vértice [Ed. Autor]
1.ª edição
22,1 cm x 15,2 cm
84 págs.
impresso sobre papel superior avergoado
exemplar estimado; miolo limpo
assinaturas de posse no ante-rosto e no frontispício
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

A melhor homenagem que se pode aqui fazer ao poeta e jornalista é recordar palavras, ainda actuais, do poeta e crítico literário Joaquim Manuel Magalhães: «O Fernando Assis Pacheco de que eu gosto tem a obra publicada bem longe dos empórios editoriais cuja distância do poder económico é um acto cultural defender (Centelha, Inova); ou então entregues a esse prazer da auto-publicação lateral, através de opúsculos passados a stencil e quase que difundidos de mão em mão; ou mesmo em ignorados jornais de província [...].
[...] Há editoras onde publicar é um acto de compromisso inaceitável com uma série de situações aberrantes do nosso mercado livreiro. [...]»

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segunda-feira, abril 10, 2023

O Homem na Cidade

 

PEDRO ALVIM
MANUEL DE AZEVEDO
MANUEL BEÇA
MÁRIO CASTRIM
FÉLIX CORREIA
JOAQUIM LETRIA
TORQUATO DA LUZ
LUÍS D’OLIVEIRA NUNES
FERNANDO ASSIS PACHECO
JOSÉ CARLOS VASCONCELOS
pref. Mário Sacramento
capa de Luís Carrôlo


Lisboa, 1968
Prelo Editora
1.ª edição
208 mm x 143 mm
8 págs. + 184 págs.
subtítulo: Crónicas
exemplar estimado; miolo limpo, alguns sinais de foxing nas primeiras e últimas páginas
assinatura de posse no ante-rosto
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO ESCRITOR PEDRO ALVIM
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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sábado, junho 26, 2021

Caliban


Lourenço Marques (Moçambique), 1971
dir. J. P. [João Pedro] Grabato Dias e Rui Knopfli
2 números (de 4 números em 3 brochuras)
217 mm x 152 mm
68 págs. [num. contínua (32 págs. + 36 págs.)]
exemplares muito estimados; miolo irrepreensível
180,00 eur (IVA e portes incluídos)

Revista ultramarina – cujo nome é de inspiração shakespeareana – «fechada pela PIDE, em 1972» (segundo Daniel Pires, Dicionário das Revistas Literárias Portuguesas do Século XX, Contexto Editora, Lisboa, 1986), a sua raridade pauta-se até pela ausência nos ficheiros da Biblioteca Nacional, que apenas conseguiu obter um exemplar completo em 2006 (leilão de 26 e 27 de Abril, na Livaria Antiquária do Calhariz, Lisboa).
Dentre os colaboradores, nota-se o alto gabarito das escolhas obtidas pelos coordenadores, a saber: Eugénio Lisboa, Jorge de Sena, José Craveirinha, Rui Nogar, Sebastião Alba, Herberto Helder, António Ramos Rosa, [João da] Fonseca Amaral, Luís Amaro, João Rui de Sousa, Fernando Assis Pacheco, etc. Além dos inéditos – alguns são-no ainda hoje –, a tradução teve o mérito de nos dar a conhecer uma integral do longo poema de T. S. Eliot, Quarta-feira de Cinzas, e poemas de Marianne Moore.
A participação de Herberto Helder, essa, pode ser considerada única, porque «Movimentação Errática» virá a ser revista e fraccionada entre a sua “prosa” introdutória e o poema que a ilustra, seguindo este último, já baptizado «Texto 1», para o núcleo «Antropofagias» de Poesia Toda (vol. 2, Plátano Editora, Lisboa, 1973) e, a referida “prosa”, para o livro Photomaton & Vox (Assírio & Alvim, Lisboa, 1979).

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segunda-feira, janeiro 20, 2020

Walt ou o Frio e o Quente



FERNANDO ASSIS PACHECO
capa de Manuel Dias

Amadora, Outubro de 1978
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
21 cm x 14 cm
124 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota de Fernando Assis Pacheco (1937-1995) na contracapa:
«Este livro é uma prosa acerca dos malefícios da guerra entendidos no tempo do inefável Marcial Caneta […]. Eu queria apenas dizer “Gare Marítima de Alcântara”, “Lisboa”, num ano qualquer entre 1961 e 1974. […]»

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Memórias do Contencioso


FERNANDO ASSIS PACHECO

Lisboa, 1976
Heptágono [ed. Autor]
1.ª edição
205 mm x 145 mm
8 págs.
acabamento com um ponto em arame
impressão mimeografada
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
rara tiragem de apenas «500 exemplares destinados a ofertas»
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Deste singelo núcleo poético, e num elogio rasgado que atira sobre muita poesia dessa época que estava mesmo “a pedi-las”, diz-nos o poeta e perspicaz ensaísta Joaquim Manuel Magalhães (in Os Dois Crepúsculos, A Regra do Jogo, Lisboa-Porto 1981):
«[…] Memórias do Contencioso […] o tema é o do amor matrimonial. […] A raridade da paixão, a perturbação por ela introduzida numa ordem do mundo de que é o contraponto, o “amor louco” mais dominante do lirismo do nosso tempo, são substituídos com uma veemência notável na ligação ao dia a dia, à vida, à vida comum. De um certo modo, à tradição petrarquista da mulher idealizada e desligada dos conflitos quotidianos pelo imaginário pessoal, a qual surge na epígrafe escolhida para primeiro sinal desses poemas, é antagonizada pela mulher não simbólica, não ao contrário do mundo, junto da qual a velhice ameaça começar a chegar. […]»

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Variações em Sousa


FERNANDO ASSIS PACHECO
capa de Augusto T. Dias


Lisboa, 1987
Hiena Editora
2.ª edição
20,5 cm x 14,5 cm
48 págs.
exemplar novo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reúne aqui o Autor duas plaquettes impressas a expensas do mesmo, em stencyl electrónico, que inicialmente circularam, uma em 1984 e a outra em 1986, sob os títulos Variações em Sousa e A Bela do Bairro e Outros Poemas. E é, de facto, o poema que dá título a esta segunda aquele por nós escolhido como ilustração da verve de Assis Pacheco:

«Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor»

Há ainda uma questão que deve ser aqui lembrada: Em finais dos anos 70 e início de 80 do século passado, o falecido Assis Pacheco, ao serviço de O Jornal, alimentava uma coluna jornalística que ainda hoje poderia servir de modelo a muito noticiário de publicação de livros. Chamava-se «Bookcionário», e perdeu-se-lhe o rasto como se perde tudo neste mundo quando os interessados se desinteressam, ou morrem, ou mudam de ramo. Nós, não esquecemos. Nem essa simpática coluna, nem o seu intuito, nem o estilo. – Os presentes verbetes de leitura, na nossa loja, em apoio das respectivas fichas técnicas, tomaram daí a antiga inspiração.

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sexta-feira, agosto 03, 2018

Antologia Breve


PABLO NERUDA
trad. e pref. Fernando Assis Pacheco
capa de Fernando Felgueiras

Lisboa, 1971
Publicações Dom  Quixote
2.ª edição
18,1 cm x 11,1 cm
156 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da reedição de um livro de Fevereiro de 1969, levada a cabo por ocasião da candidatura do poeta chileno Pablo Neruda ao Prémio Nobel.

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Antologia Breve



PABLO NERUDA
org. e trad. Fernando Assis Pacheco
capa e grafismo de Fernando Felgueiras

Lisboa, 1975
Publicações Dom Quixote
4.ª edição
21 cm x 13,5 cm
124 págs.
exemplar estimado, contracapa com vinco de prensa tipográfica; miolo limpo
VALORIZADO PELA EXTENSA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DA ESCRITORA MATILDE ROSA ARAÚJO
20,00 eur (IVA e portes incluídos)


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