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sábado, junho 28, 2025

A Fé e o Império

 


ANTÓNIO FERRO

Lisboa, 1935
SPN – Edição do Secretariado da Propaganda Nacional
[1.ª edição]
194 mm x 156 mm
16 págs. + 1 folha em extra-texto
subtítulo: Discurso pronunciado pelo Director do S.P.N. na Sociedade de Geografia em 19 de Janeiro de 1935
ilustrado
acabamento com um ponto em arame
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

A Política do Espírito e a Arte Moderna Portuguesa

 


ANTÓNIO FERRO

Lisboa, 1935
SPN – Edição do Secretariado da Propaganda Nacional
[1.ª edição]
198 mm x 157 mm
20 págs. + 1 folha em extra-texto
subtítulo: Discurso proferido pelo Director do S.P.N., em 23 de Março de 1935, no banquete comemorativo da I Exposição da Arte Moderna realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes
ilustrado
acabamento com um ponto em arame
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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domingo, fevereiro 16, 2025

Homens e Multidões


ANTÓNIO FERRO

Lisboa, s.d. [1941]
Livraria Bertrand
1.ª edição
190 mm x 125 mm
XX págs. + 300 págs.
exemplar estimado, capa suja principalmente na lombada; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião de textos com diversas proveniências, em que avulta, no fim, uma entrevista a Salazar datada de Setembro de 1938. Passagem significativa:
«[...] Vamos descendo agora a Calçada da Ajuda. Passam, formadas, algumas centenas de legionários que reconhecem Salazar e erguem os braços na clássica saüdação romana. Homens desempenados, rostos morenos, pintados pelo sol português, de tôdas as classes e idades, o operário ombro a ombro com o patrão, mas todos com vinte anos na luz dos seus olhos, na sua marcha irrepreensível.
– Quem vive? – pregunta, em voz clara, sonora, o comandante da “lança”.
– Portugal! Portugal! Portugal! – respondem todos.
– Quem manda? – pregunta a mesma voz.
– Salazar! Salazar! Salazar! – gritam os legionários, alegremente, afastando-se, descendo a calçada em passos cadenciados e certos.
– Como estamos longe – observo – dos primeiros tempos, quando o Chefe do Govêrno português reconhecia, numa das entrevistas que me concedeu, que um dos perigos mais sérios do regime era a frieza dos que o serviam. “Durar, eis o segrêdo”, disse-me um dia, Mussolini. E tinha razão.
Salazar concorda:
A formação da “Legião” e, com alcance longínquo, talvez ainda mais a da “Mocidade Portuguesa”, tem contribuído poderosamente para modificar a mentalidade geral, para restituir aos portugueses o que parece que tinham perdido: a consciência cívica. Ao português corajoso, mas indisciplinado, com horror atávico ao serviço militar, habituado à guerra, sim, mas à guerra civil, já não repugna fardar-se e está disposto a obedecer na hora própria. A “Legião” e a “Mocidade” têm-lhes dado ao mesmo tempo um sentimento mais profundo de solidariedade social aproximando as classes, quebrando as distâncias entre os ricos e os pobres. Ensinou-os igualmente a ser tolerantes, a respeitar as crenças de cada um, grande conquista no nosso País. [...]»
De facto, não há como os coveiros para manter a ordem nos cemitérios!...

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quarta-feira, janeiro 10, 2024

Orpheu 1 [junto com] Orpheu 2 [junto com] Orpheu 3



[Lisboa, Janeiro-Fevereiro-Março, Abril-Maio-Junho (e segs.) de 1915
dir. Fernando Pessôa e Mario de Sá-Carneiro
ed. Antonio Ferro]
Lisboa, 1959, 1976 e 1984
Edições Ática [1.ª reedição]
3 volumes (colecção completa)
200 mm x 143 mm
[LIV págs. + 114 págs. + 8 folhas em extra-texto] + [LXVIII págs. + 128 págs. + 3 folhas em extra-texto] + [6 págs. + LII págs. + 104 págs.]
ilustrados
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo
120,00 eur (IVA e portes incluídos)

Os dois primeiros volumes têm Maria Aliete Dores Galhoz como prefaciadora, o terceiro é apresentado por Arnaldo Saraiva.
Disse Almada Negreiros (Orpheu 1915-1965, Ática, 1993), em memória da criação da revista:
«[...] De mais extraordinário não vejo senão que tenha sido um movimento os nossos encontros pessoais entre companheiros de revista.
[...] Até este momento nada mais disse que “Orpheu” tinha sido o nosso encontro actual das letras e da pintura. É tudo o que queria ter dito. A continuar seria isto mesmo no resultado do “Orpheu”. Nenhuma geração post “Orpheu” se acusa no da pintura não separada do seu encontro com as letras. “Orpheu” continua. [...]
O selo do “Orpheu” era a modernidade. Se quiserem, a vanguarda da modernidade. A nossa vanguarda da modernidade. [...]»

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sexta-feira, julho 21, 2023

Política do Espírito [colecção]







ANTÓNIO FERRO

Lisboa, 1948-1950
Edições SNI
1.ª edição (todos)
15 volumes (completo)
192 mm x 133 mm
[28 págs. + 1 folha em extra-texto] + [30 págs. + 1 folha em extra-texto] + [122 págs. + 9 folhas em extra-texto] + [34 págs. + 3 folhas em extra-texto] + [48 págs. + 2 folhas em extra-texto] + [36 págs. + 3 folhas em extra-texto] + [4 págs. + 40 págs. + 4 folhas em extra-texto] + [234 págs. + 14 folhas em extra-texto] + [80 págs. + 7 folhas em extra-texto] + [32 págs. + 2 folhas em extra-texto] + [24 págs. + 1 folha em extra-texto] + [2 págs. + 148 págs. + 4 folhas em extra-texto] + [224 págs. + 1 folha em extra-texto] + [116 págs. + 4 folhas em extra-texto] + [108 págs. + 1 folha em extra-texto]
títulos individuais:
[1] Apontamentos para uma exposição; [2] Museu de Arte Popular; [3] Turismo, fonte de riqueza e de poesia; [4] Eça de Queiroz e o centenário do seu nascimento; [5] Arte moderna; [6] Artes decorativas; [7] Panorama dos centenários (1140-1640-1940); [8] Estados Unidos da Saudade; [9] Jogos florais; [10] Imprensa estrangeira; [11] Sociedades de recreio; [12] Teatro e cinema (1936-1949); [13] Prémios literários (1934-1947); [14] Bailados portugueses – “Verde-Gaio” (1940-1950); [15] Problemas da rádio
ilustrados
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo
dez dos volumes ostentam colados nas costas das capas ex-libris da Academia Portuguesa de Ex-libris
PEÇA DE COLECÇÃO
300,00 eur (IVA e portes incluídos)


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sábado, dezembro 31, 2022

Leviana



ANTONIO FERRO
capa e ilust. António Soares

Lisboa | Rio de Janeiro, 1921
H. Antunes, Editor
1.ª edição
172 mm x 130 mm
128 págs.
subtítulo: Novela em Fragmentos
encadernação em meia-francesa com lombada e cantos em pele, elegante gravação a ouro na lombada, com o selo do encadernador Frederico de Almeida
aparado e carminado somente à cabeça
conserva as capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo limpo
ostenta colado no verso do frontispício o ex-libris de Raul de Oliveira
47,00 eur (IVA e portes incluídos)

É o livro emblemático do ainda então escritor modernista António Ferro, que, «[...] ligado ainda novo ao grupo de Orpheu, levaria para o jornalismo e para a orientação do Secretariado de Propaganda Nacional (1933) um certo modernismo formal, cujo lado provocativo se fizera antes sentir nos aforismos algo paradoxais da Teoria da Indiferença, 1920, e de Leviana – novela em fragmentos, 1921, [...], e na peça de escândalo Mar Alto, 1924. [...]» (António José Saraiva / Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, 15.ª ed., Porto Editora, Porto, 1989)

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sábado, novembro 13, 2021

Contemporanea – Grande revista mensal



Lisboa, 1984-1992 [fac-símiles de Maio de 1922 a Março de 1924]
dir. José Pacheco
ed. Agostinho Fernandes
pref. José-Augusto França (vol. IV)
Contexto, editora
2.ª edição [1.ª edição fac-similada]
10 fascículos que constituem os vols. I, II, III e IV (completo)
este conjunto – que é tudo quanto foi publicado pela Contexto – não inclui os fascículos 11 a 13 (1926), o n.º espécime (Maio de 1915) e o n.º suplemento (Março de 1925)
298 mm x 205 mm
[6 págs. + 10 págs. + 154 págs. + 38 págs. em extra-texto + 16 págs.] + [10 págs. + 6 págs. + 168 págs. + 64 págs. em extra-texto] + [8 págs. + 170 págs. + 56 págs. em extra-texto] + [30 págs. + 42 págs. + 8 págs. em extra-texto + 32 págs.]
profusamente ilustrados, impressão a cor
exemplares como novos
140,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da vasta lista de colaboradores que, repetidamente, fizeram esta publicação moderna, assinalem-se, entre escritores e artistas plásticos, os nomes de Almada, Fernando Pessoa, António Botto, Mário de Sá Carneiro, Diogo de Macedo, António Sardinha, Judith Teixeira, Raul Leal, Mário Saa, Columbano, António Soares, Américo Durão, Vergílio Correia, Eduardo Viana, Jorge Barradas, Martinho Nobre de Mello, Mily Possoz, Augusto Santa-Ritta, Eugénio de Castro, Aquilino Ribeiro, Virgínia Victorino, Manuel Ribeiro, Teixeira de Pascoaes, António Arroio, Leonardo Coimbra, Afonso Duarte, Dordio Gomes, Carlos Malheiro Dias, etc. Especial destaque para a inclusão de Cena do Ódio de Almada, Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa (mas também Mar Português e Soneto Já Antigo) e Arte de Bem Morrer de António Ferro.
Logo à partida, o responsável pela publicação, que bem sabia de que estofo eram feitos os consumidores portugueses de cultura, comentou em entrevista ao Diário de Lisboa (15 de Junho, 1922): «Eu não tenho grande confiança nem consideração pelo público de arte português. Além disso cá não está criado público de revistas, a não ser das outras que metem pernas. Um insucesso, artisticamente, não me feria nada.»
Bem se recordava José Pacheco como Lisboa-Portugal tinha sido hostil ao aparecimento de uma outra revista de vanguarda muito similar, a Orpheu! Acompanhando o curso de fechamento do país às alegrias trazidas pela República e a abertura ao autoritarismo totalitário, «A Contemporânea insinuou-se no espaço cultural português no início de Maio de 1915, com um número espécimen que se caracterizava pelo seu ecletismo: a arte, a literatura, o teatro, o desporto, a moda e a sociedade preenchiam as suas páginas. Valorizava, muito ao gosto da época, a imagem, entre reportagens fotográficas de sabor fim de século e algum grafismo “moderno” em que se ensaiavam Almada, Barradas, Eduardo Viana, Carlos Franco e José Pacheco. Acenava à ditadura de Pimenta de Castro com uma mão, com a outra saudava a Igreja, que passava por dificuldades várias, fragilizada pelas incursões jacobinas.
A Contemporânea propunha-se ser um lugar de agitação e de convergência de todos os que se interessavam pela arte em Portugal e que não dispunham de uma tribuna onde pudessem aferir opiniões, apresentar sugestões, trilhar novas sendas. Tinha os olhos postos nos movimentos vanguardistas da Europa, recusando dialecticamente a claustrofobia e a anemia que secularmente nos tolhiam. Preconizava no seu programa que os seus colaboradores seriam “as figuras mais brilhantes e variadamente individuais das nossas modernas correntes artísticas, desde as mais simples às mais complexas – todos quantos, desde o verso até à linha, sabem servir as curiosidades cultas e os interesses aristocratizados”. Pretendia ser uma “revista para gente civilizada, uma revista expressamente para civilizar gente”, terminologia e programa que, na opinião circunstanciada de António Braz de Oliveira, poderá ter muito bem a dedada eterna e “excessivamente lúcida” de Fernando Pessoa, nas margens de Orpheu.
Por razões políticas – o consulado de Pimenta de Castro foi derrubado poucos dias depois do aparecimento da Contemporânea – ou por motivos menos “públicos”, o projecto teve, então, uma falsa partida e só foi retomado sete anos mais tarde. Com efeito, em 1921, os jovens que tiveram o privilégio de viver na cidade de Paris – laboratório onde fertilizavam as experiências mais ousadas no domínio das letras e das artes – insurgiram-se contra a apatia e a inércia que eram lugar comum na Sociedade Nacional de Belas-Artes, cuja actividade estava circunscrita à organização de uma exposição anual. [...]» (Fonte: Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940), vol. I, Grifo, Lisboa, 1996)

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sábado, outubro 16, 2021

Intervenção Modernista


ANTONIO FERRO
pref. António Rodrigues
capa de Sebastião Rodrigues
desenho de Mário Eloy

Lisboa, 1987
Verbo
1.ª edição
vol. 1 das Obras de António Ferro [único publicado]
215 mm x 155 mm
XXVI págs. + 410 págs.
subtítulo: Teoria do Gosto
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reúne os conhecidos livros Teoria da Indiferença, Batalha de Flores, Nós, A Arte de Bem Morrer e A Idade do Jazz-Band; assim como os importantes inéditos em livro Cartas do Martinho, O Elogio das Horas, Uma Hora Com Asas e Ilustração Portuguesa. Sendo o muito breve Cartas do Martinho um dos mais gostosos nacos de prosa que, a propósito dos cafés de Lisboa na época (1918), poderia, quiçá, ter sido escrito.

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domingo, novembro 01, 2020

Exposição dos Artistas Premiados pelo S.N.I.

 

[ANTÓNIO FERRO, pref.
DIOGO DE MACEDO, alocução]


Lisboa, 1949
Edições S.N.I.
1.ª edição
216 mm x 160 mm
12 págs. + 80 págs.
subtítulo: Palácio Foz – Maio 1949
profusamente ilustrado
exemplar estimado; miolo irrepreensível
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Volume de propaganda governamental, também conhecido numa outra versão intitulada Arte Moderna Portuguesa Através dos Prémios Artísticos do S.N.I. Segundo os mentores políticos do Estado Novo, António Ferro à cabeça, eram dignos de nota artistas plásticos, que foram intelectuais de regime, como António Soares, Eduardo Malta, Dordio Gomes, Jorge Barradas, Carlos Botelho, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Mário Eloy, Camarinha, Paulo Ferreira, Dacosta, Mily Possoz, Sarah Afonso, Celestino Alves, Carlos Carneiro, Júlio Resende, Manuel Lapa, Tom, Martins Correia, Canto da Maya, Barata Feyo, etc.

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terça-feira, outubro 02, 2018

Teoria da Indiferença


ANTONIO FERRO
capa de Armando de Basto

Lisboa | Rio de Janeiro, 1921
H. Antunes Editor
2.ª edição
13 cm x 9,5 cm
208 págs. [não num.]
exemplar estimado, falhas de papel na lombada; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Edição substancialmente ampliada por comparação com a anterior.

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Mar Alto


ANTONIO FERRO
prefácio do Autor

Lisboa, 1924
Livraria Portvgalia Editora
1.º milhar
19,5 cm x 13,1 cm
208 págs.
subtítulo: Peça em 3 actos
impresso sobre papel avergoado
exemplar muito estimado; miolo limpo
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Peça inicialmente representada sem contratempos no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) no ano anterior à proibição da encenação lisboeta, a 10 de Julho de 1923, com escândalo e repúdios, por desabrida imoralidade a que a então popular actriz Lucília Simões dera voz. Ferro conta com pormenor, num longo Prefácio, o sucedido, tendo acrescentado no fim do livro não só uma carta de desculpas à referida mulher de teatro, como também o texto do protesto público a que se associaram, entre outros, os seguintes homens de letras: Raul Brandão, António Sérgio e Fernando Pessoa. Resta sublinhar que este manifesto perdeu ab initio o seu efeito, dado, entretanto, o levantamento da proibição.
Mas nem todos os “homens de letras” foram na época consensuais neste apoio; Victor Falcão, por exemplo, numa sua colectânea de artigos para a imprensa periódica, Páginas de Crítica (Casa do Globo Editora, Braga, 1927), exibe uma opinião independente acima de qualquer suspeita:
«[...] Se venho hoje colocar mais algumas letras no cartaz espalhafatoso de António ferro, é porque estou farto de ouvir dizer asnidades àcêrca da sua peça Mar alto, sôbre a qual caíu, provadamente, o mau olhado de todos os ciganos da crítica. O que na mór parte dos jornais se escreveu sôbre essa peça ingènuamente imoral, onde a perversidade tirita aqui e àlém, envergonhada, não é justo nem injusto – é ridículo. Rimbombam ainda os clamores contra o Mar alto, considerado uma obra libertina, com indecências psicológicas abomináveis, e eu aposto que os protestantes ficam em palpos de aranha se eu lhes pedir para me indicarem que bitola usaram para a classificação. Neste país excêntrico, habitado por um povo que adora o pagode; neste país sem igual, onde a obscenidade é alimentada nos salões; num país, como o nosso, onde o deboche asfixia impunemente as energias individuais; num país assim, sem uma élite capaz de o arrancar do lôdo, ¿quem tem o direito de considerar imoral a peça de António Ferro? Ninguém, nem mesmo o próprio António Ferro... [...]
¿É a peça de António Ferro uma obra de Arte? Não é. O Mar alto não passa de uma asneira literária, rufada inconscientemente no tambor do escândalo. As personagens são inverosímeis e devem ter sido inventadas num momento de loucura do autor. A trama da peça, feita de côres berrantes, não resiste à traça da análise do mais obscuro sapateiro de escada. A acção é uma espécie de foguetes de três respostas, com chuva de lágrimas luminosas nos intervalos. O desfecho é de uma ingenuïdade infantil, imprevista e risonha. [...]
A cultura literária de António Ferro é totalmente boulevardière. D’Annunzio deslumbrou-o, não pela sua formidável potência criadora, não pela sua assombrosa interpretação do belo e do trágico, não pelo seu saber tão feiticeiramente diluído na sua prosa principesca, mas pelo esplendor, pelo inèditismo, pela boa-fortuna dos seus processos de reclamo. Entre D’Annunzio e Colette – entre um homem de génio e uma mulher fútil – António Ferro não hesita – segue na peugada de Colette. É mais fácil e cansa menos. Colette pára muitas vezes no caminho a pôr pó de arroz na cara e carmim nos lábios. Gabriel D’Annunzio é um touriste insaciável de beleza; procura-a por toda a parte, quási sem descanso. É muito difícil acompanhá-lo, porque anda muito depressa. Por isso, António Ferro prefere seguir Colette, que dá passos miüdinhos, pára diante das montras e assobia, de vez-em-quando, para que os transeuntes a observem com espanto... De resto, António Ferro seguiu o seu caminho – instintivamente. Não sendo um combativo, não sendo um estudioso, não sendo mesmo um homem de audácia (porque a sua audácia é tão artificial como a sua imoralidade), êle só podia ser o que é realmente – uma pessoa de bom-humor, pachorrenta e teimosa, que faz paciências com as palavras, como os vèlhotes, aos serões, as fazem com as cartas de jogar... [...]»

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sexta-feira, abril 20, 2018

Bailados Verde-Gaio [programa]



[IVO CRAMÉR,
Frederico de Freitas,
Paulo Ferreira,
Bárbara Thiel,
Tyyne Talvo,
António Ferro]

Lisboa, Dezembro de 1948
s.i. [Secretariado Nacional de Informação]
1.ª edição
25,2 cm x 18,9 cm
16 págs.
ilustrado
acabamento com dois pontos em arame
exemplar estimado; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Programa de sala referente à exibição de Quatro Danças (Rameau), Pavana para uma Infanta Defunta e Balada (Ravel), La Fille aux Cheveux de Lin (Debussy), Noite Sem Fim (Moussorgsky), Aventuras de Arlequim (Scarlatti), Para Lá do Oriente e A Menina e os Fantoches (Prokofieff) e Oriental (Granados).

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quinta-feira, março 29, 2018

A Amadora dos Fenómenos



ANTONIO FERRO

Porto, 1925
Livraria e Imprensa Civilização – Editora
1.ª edição
20 cm x 12,9 cm
208 págs.
encadernação recente de amador com rótulo gravado a ouro na lombada
por aparar
conserva as capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

A propósito da ligeireza de estilo na primeira fase da obra literária de António Ferro escreveu, em 1987, Guilherme Castilho (ver fichas de leitura do serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, «Intervenção Modernista: Teoria do Gosto – Obras de António Ferro, 1»):
«[...] não se poderá afirmar que a obra de Ferro ultrapasse um certo superficialismo, um notório sensacionalismo, o gosto gratuito de aderir a uma epidérmica modernidade supostamente futurista. Mas o que é certo é que com todos estes “handicaps”, ela é representante de um momento, de uma determinada vertente que existiu na nossa literatura – um documento, em suma, que importa não ignorar. Além do que, não obstante destas facetas negativas que lhe possamos apontar, ela possui, por outro lado, uma inegável originalidade, um vivo poder de criatividade, um humor bastante pessoal e um virtuosismo verbal e conceptual que lhe emprestam, por vezes, um atractivo que torna gratificante e deleitável a leitura de certos trechos desta primeira fase. [...]»

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sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Batalha de Flores



ANTONIO FERRO
capa de António Soares

Rio de Janeiro, 1923
H. Antunes & C.ª – Editores
1.ª edição
17,4 cm x 13 cm
168 págs.
impresso sobre papel avergoado
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
discreta rubrica no canto superior direito da capa
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Recolha de crónicas anteriormente publicadas na imprensa diária de Lisboa.

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D. Manuel II, o Desventurado




ANTÓNIO FERRO

Lisboa, 1954
Livraria Bertrand
1.ª edição
19 cm x 12,2 cm
232 págs. + 13 folhas extra-textos com reproduções fotográficas
encadernação em meia-inglesa com cantos em pele e gravação a ouro na lombada
pouco aparado, sem as capas de brochura
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do Prefácio do autor, que, como se sabe, foi o vigilante mentor cultural da ditadura do Estado Novo através do Secretariado da Propaganda Nacional, e notório impulsionador das ideias de Mussolini, Gabriel d’Annunzio, Primo de Rivera, et alii:
«[...] figura portuguesíssima, insinuante, de D. Manuel II. Se houve um rei luso que se perdeu na bruma, esse foi, sem dúvida, o triste exilado de Fullwell Park, o Desejado de muitos portugueses, outro D. Sebastião teimosamente aguardado numa manhã de nevoeiro. Mas nem os próprios, que tanto ansiavam por ele, conheciam bem, como eu pude conhecer, a esbelteza da sua alma, a sua doce melancolia de português saudoso, distante. Viam nele apenas o Rei, o símbolo ainda vivo do seu ideal, a esperança do regresso, mas não conheciam o homem, o seu encanto pessoal, a distinção e a graça das suas maneiras, não sabiam, por exemplo, que D. Manuel fingia viver em Inglaterra, mas que continuava, de facto, a ser rei na nossa maior possessão: na saudade. [...]»

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