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sábado, abril 25, 2026

Para Sempre

 

vergílio ferreira
ilust. Júlio Resende
grafismo de Armando Alves


s.l. [Porto], 1993
Edições ASA
edição monumental
295 mm x 232 mm (estojo)
224 págs. (12 das quais com cromos colados)
profusamente ilustrado a cor
impresso a cinza sobre papel Marina
encadernação editorial inteira em tela gravada a seco na pasta anterior e na lombada, cromo impresso a cor colado na pasta anterior, sobrecapa polícroma
volume protegido por estojo editorial em tela gravada a seco
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
PEÇA DE COLECÇÃO
120,00 eur (IVA e portes incluídos)

De uma entrevista concedida pelo Autor ao jornalista Francisco José Viegas para a revista Ler (Primavera de 1988):
«[...] P. — Que significado dá à expressão “para sempre”?
R. — Não sei. Você faz-me uma pergunta agora, e agora é que eu tenho de pensar...
P. — Claro...
R. — Não sei... é uma certa dose de nostalgia, de fim de vida que se realizou completamente. É isso. Completamente. É a historia de um homem que fechou o ciclo da vida e que rememora, procurando cortar um pouco o mel e a doçura desse prazer da evocação com acidez e ironia.
P. — Por que razão insistiu nessa versão da vida com este novo título, Até ao Fim?
R. — Porque eu queria dizer, de algum modo, que a destruição dos valores (que é o que marca de um modo geral, os actos que hoje dominam certas áreas da juventude) é uma coisa terrível. E queria, por uma razão de amizade para com o António Ramos Rosa, encontrar um verso dele que significasse isso, que dissesse isso. E foi: “perseguido até ao fim, acho o mar”. Este verso resume o meu objectivo. Achar o mar como um símbolo, como uma metáfora dessa alegria, que é a alegria da pacificação, da eternidade, da plenitude, da juventude plena. Depois há outra coisa, evidentemente: eu quis sempre que os títulos dos meus livros tivessem alguma coisa de si próprios, um certo valor estético. Não me interessam os títulos puramente designativos, como o rótulo de um frasco. Quero que o título seja em si mesmo um sinal e um valor estético e poético. Que fosse uma abertura, um começo de um poema. [...]»

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terça-feira, março 10, 2026

Estudos sobre Vergílio Ferreira

 

HELDER GODINHO, org. e pref.
capa e grafismo de Armando Alves


Lisboa, 1982
Imprensa Nacional – Casa da Moeda
1.ª edição
240 mm x 150 mm
582 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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terça-feira, janeiro 06, 2026

Cântico Final

 

VERGÍLIO FERREIRA
Manuel Guimarães
sobrecapa e grafismo de Luiz Duran


Lisboa, 1975
Editora Arcádia, S.A.R.L.
4.ª edição («revista incluindo documentos sobre o filme de Manuel Guimarães, textos de Lauro António e Vergílio Ferreira, fotografias, guião»)
211 mm x 140 mm
342 págs. + 16 págs. em extra-texto
ilustrado
encadernação editorial gravada a branco na lombada, sobrecapa impressa a duas cores directas
exemplar estimado, sobrecapa ligeiramente gasta ao longo dos bordos superior e inferior; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Romance de reflexão fortemente existencialista, a que a adapção cinematográfica de Manuel Guimarães (com montagem final do seu filho Dórdio Guimarães, por morte do realizador) não fez justiça. Não por acaso Vergílio referiu, no seu Conta-Corrente, que de um filme assim «difícil» só poderia sair algo «Ou [...] bom ou péssimo. Deste livro não se pode extrair um filme simplesmente “razoável”. Só um Ingmar Bergman estaria à altura de Bom. [...]»

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Cântico Final


VERGÍLIO FERREIRA
sobrecapa do pintor surrealista [Marcelino] Vespeira

Lisboa, s.d. [1959]
Editora Ulisseia
1.ª edição
204 mm x 137 mm
2 págs. + 224 págs.
capa impressa a negro e relevo seco, sobrecapa polícroma
exemplar estimado, pequenas raspadelas na sobrecapa; miolo irrepreensível
95,00 eur (IVA e portes incluídos)

Romance de reflexão fortemente existencialista, a que a adaptação cinematográfica de Manuel Guimarães (com montagem final do seu filho Dórdio Guimarães, por morte do realizador) não fez justiça. Não por acaso Vergílio referiu, no seu Conta-Corrente, que de um filme assim «difícil» só poderia sair algo «Ou [...] bom ou péssimo. Deste livro não se pode extrair um filme simplesmente “razoável”. Só um Ingmar Bergman estaria à altura de. Bom. [...]»

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sábado, novembro 08, 2025

Aparição


VERGÍLIO FERREIRA
capa do pintor António Charrua

Lisboa, s.d. [1959]
Portugália Editora
1.º edição
193 mm x 131 mm
260 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
carimbo de Oferta dos Editores no ante-rosto
150,00 eur (IVA e portes incluídos)

É o livro mais conhecido do Autor, que não o mais importante. Mas foi Prémio Literário Camilo Castelo Branco. E é o livro em que Vergílio mais consistentemente se afasta do neo-realismo.

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domingo, agosto 24, 2025

Signo Sinal


VERGÍLIO FERREIRA
capa de Luís Duran


Amadora, 1979
Livraria Bertrand, SARL
1.ª edição
212 mm x 140 mm
244 págs.
exemplar como novo, sem qualquer marca de quebra na lombada
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da contracapa, uma passagem do livro:
«[...] E, com efeito, as obras recomeçaram. Outra vez os operários regressavam dos subsídios de desemprego e dos retroactivos salariais, o comércio reanimou, havia putas novas vindas de fora. E imediatamente pás, picaretas e escavadoras, os cilindros de terraplanagem, uma grande rede de trincheiras foi-se abrindo para os alicerces. [...] Então olhava com terror e maravilha os construtores do destino, delegados visíveis de uma ordem antiquíssima, mandatários de um império oculto, realizadores magníficos dos sinais tangíveis do signo que nos marcou. [...]»

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sexta-feira, junho 27, 2025

Pena de Morte

 


aa.vv.

Coimbra, 1967
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
1.ª edição
3 volumes (completo)
multilingue português – francês – inglês – alemão – castelhano – italiano
242 mm x 170 mm
[12 págs. + 412 págs.] + [8 págs. + 562 págs.] + [8 págs. + 5 folhas em extra-texto + 152 págs.]
subtítulos: Colóquio Internacional Comemorativo do Centenário da Abolição da Pena de Morte em Portugal: I e II – Comunicações; III – Relato das sessões e conclusões do Colóquio
ilustrado (III vol.)
exemplares em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
carimbos de posse nas primeiras páginas
130,00 eur (IVA e portes incluídos)

Nas intervenções, figuram os nomes, entre muitos outros, nomeadamente estrangeiros, de Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Boaventura de Sousa Santos, e Guilherme Braga da Cruz.

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sábado, janeiro 18, 2025

Manhã Submersa



VERGÍLIO FERREIRA
pref. A. Lopes
capa de Paulo-Guilherme

Lisboa, s.d.
Portugália Editora
2.ª edição
201 mm x 139 mm
224 págs.
encadernação inteira em imitação de pele gravada a ouro na lombada
não aparado
conserva as capas de brochura
exemplar estimado, capa de brochura com pequenos defeitos; miolo limpo
carimbo de posse no frontispício
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do livro mítico deste prosador, que esteve na origem do filme homónimo realizado por Lauro António, em que o próprio Vergílio Ferreira surge como actor a protagonizar a figura do reitor de seminário. A ferocidade autobiográfica, de ambos – livro
e filme –, transporta-nos ao tempo em que imperou no país uma tirania “pedagógica” de internato sob a mão da Igreja. Para quem frequentou o Liceu Camões em Lisboa nos últimos anos da ditadura fascista, essa figura evoca de imediato aquele Dr. Joaquim Sérvulo Correia que, sob laicos puxões de orelhas, punha na ordem nova alguns futuros líderes da nação. Vergílio Ferreira, aí leccionando na altura, bem lhe decalcou os tiques e a indisfarçável hipocrisia, na composição do seu personagem cinematográfico.

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segunda-feira, outubro 21, 2024

Sobre o Rosto da Terra [livro impresso e dactiloescrito]



ANTÓNIO RAMOS ROSA

posfácio de Vergílio Ferreira


Covilhã, 1961
Livraria Nacional
1.ª edição
211 mm x 143 mm (estojo)
32 págs. + 2 extra-textos de Manuel Baptista
é o n.º 1 da colecção Pedras Brancas
exemplar bem conservado

[junto com 1 pasta de arquivo com o respectivo dactiloescrito]
31 cm x 24,5 cm
13 folhas A4 apenas escritas de um lado
alguns poemas apresentam emendas a tinta que são do punho do poeta; verificámos alterações da versão dactiloescrita para o livro impresso, quer de pormenor, quer de cortes de versos, quer do alinhamento dos poemas – a mais importante das quais reside na mudança do título do livro
exemplar em bom estado de conservação
lote acondicionado num magnífico estojo artístico em tela negra impressa a vinil

500,00 eur (IVA e portes incluídos)


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domingo, setembro 01, 2024

Estrela Polar


VERGÍLIO FERREIRA
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, s.d. [1962]
Portugália Editora
1.ª edição
193 mm x 132 mm
320 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Segundo declaração do próprio autor, na página biográfica, este livro continua um seu romance anterior, Aparição. Cite-se: «[...] Com efeito, à revelação da “pessoa” humana (não a física, nem a psíquica, mas a metafísica) sucede agora a obsessão de transmiti-la a outrem e de aceder à desse outrem. [...]»

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Carta ao Futuro


VERGÍLIO FERREIRA
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1966
Portugália Editora
2.ª edição
191 mm x 140 mm
104 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota editorial na badana, acerca deste ensaio-manifesto:
«[...] Se é fácil determinar as linhas gerais da obra de Vergílio Ferreira, é-o particularmente [...] através de Carta ao Futuro, no que se refere aos problemas evidenciados nas suas obras de ficção, exemplificando-se assim a afirmação de Camus segundo a qual todo o artista exprime ùnicamente “uma só coisa sob aspectos diferentes”.»

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quarta-feira, junho 14, 2023

Apenas Homens


VERGÍLIO FERREIRA


Lisboa, 1972
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
22,5 cm x 14,5 cm
104 págs.
capa e direcção gráfica de Armando Alves
subtítulo: E Outros Contos
exemplar muito estimado; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião de contos inéditos daquele que representou, relativamente ao dogma neo-realista, a fuga para a frente, sob os auspícios do existencialismo francês.

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domingo, outubro 02, 2022

Nítido Nulo


VERGÍLIO FERREIRA
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1971
Portugália Editora
1.ª edição
193 mm x 141 mm
320 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível, por abrir
65,00 eur (IVA e portes incluídos)

«[...] Todas as interrogações do livro [Nítido Nulo foi escrito durante o ano de 1969], que põem em causa Deus e o pecado original. Salazar e o regime. A revolução e a acção revolucionária. A liberdade e a prisão. Todas elas desembocam numa vontade de ver o horizonte, o eterno “nítido nulo” do horizonte, como única certeza. Porque a prisão do condenado não é só a prisão de um Estado. Tem algo a ver com a nossa condição humana. Mas a cela dessa “prisão” engana, porque “a sala é larga e limpa. As próprias grades são pintadas de branco para deixarem passar a alegria que puderem. Decerto entendeu-se que sofria mais assim”.
Em suma, há uma frase algures em Nítido Nulo que poderia dar o tom ideal para a leitura deste livro, para mim um dos mais importantes de Vergílio Ferreira: “Dizer ‘não’ é abrir um espaço para o homem se pôr de pé”. Dizer não.
(Fonte: João Carlos Santana da Silva, pág. electrónica «A Causa das Coisas», 13 de Janeiro, 2009)

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quinta-feira, fevereiro 24, 2022

Do Mundo Original

 

VERGÍLIO FERREIRA
capa de Carlos de Almeida


Coimbra, 1957
Vértice
1.ª edição
188 mm x 120 mm
180 págs.
exemplar envelhecido mas aceitável; miolo limpo, papel acidulado
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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quinta-feira, novembro 14, 2019

Critério – Revista Mensal de Cultura



Lisboa, Novembro de 1975 a Novembro de 1976
dir. João Palma-Ferreira e Alexandre O’Neill (até ao n.º 6)
dir. Cardoso Ferreira (n.º 7 e n.º 8)
8 números (colecção completa)
29,3 cm x 22 cm (estojo)
8 x 64 págs.
exemplares em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
acondicionados em elegante estojo próprio de fabrico recente
160,00 eur (IVA e portes incluídos)

Colaboração, entre outros, de Vitorino Magalhães Godinho, Miguel Torga, António José Saraiva, Vergílio Ferreira, José Martins Garcia, Antonio Tabucchi, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, José-Augusto França, Vaclav Havel, Ruy Cinatti, Fraústo da Silva, David Mourão-Ferreira, Álvaro Guerra, Mário Cesariny, Orlando Ribeiro, João Gaspar Simões, Iva Delgado, Sophia de Mello Breyner Andresen, J. S. da Silva Dias, Helder Godinho, Carlo Vittorino Cattaneo, Nora Mitrani, etc.

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quinta-feira, agosto 01, 2019

Alegria Breve



VERGÍLIO FERREIRA
pref. Robert Bréchon
capa de Manuel Dias

Lisboa, 1973
Editora Arcádia, S.A.R.L.
3.ª edição
21 cm x 14,5 cm
338 págs.
encadernação editorial inteira em tela impressa a prata, sobrecapa a duas cores directas
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
25,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Cartas a Sandra


VERGÍLIO FERREIRA

Lisboa, 1996
Bertrand Editora, Lda.
1.ª edição
21 cm x 14 cm
156 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Romance inacabado, sob género epistolar, de publicação póstuma, em que o consagrado escritor dá seguimento romanesco a Para Sempre, servindo-se dalgumas das suas figuras literárias. É motivo próprio e ficcional de despedida – o escritor projecta nos personagens o seu próprio fim da vida –, interrogação acerca do sentido da morte e da existência humana. Mas, acima de tudo, é um livro em que o Amor se afirma como matéria-prima dessa existência.

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terça-feira, janeiro 15, 2019

Aparição


VERGÍLIO FERREIRA
capa de Sebastião Rodrigues

Lisboa, 1960 (Junho)
Portugália Editora
2.ª edição
194 mm x 130 mm
292 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
inclui caderno-encarte promocional da editora
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Segundo João Gaspar Simões, em palavras suas que o editor puxou para a badana, este romance é um caso «[...] tão extraordinário que vale a pena compará-lo com o desse outro romance a que a nossa literatura deve a implantação do realismo em Portugal. De facto, na minha opinião, a “réussite” de Vergílio Ferreira só é comparável com a de Eça de Queirós ao escrever a primeira versão de O Crime do Padre Amaro
Do livro, uma passagem:
«[...] Acendo um cigarro, fico-me a olhar o incêndio. Lembra-me imagens da guerra, de cidades bombardeadas. Alguém deve ir pegando o fogo por sectores, estabelecendo linhas de chamas que o vento vai impelindo. O campo arde vastamente, como numa destruição universal. Quase ouço o crepitar das chamas como o fervor final de uma inundação. Sinto-me só e nu, escapado ao desastre. Mas esta nudez que eu algum dia julguei possivelmente coberta pela compreensão dos outros, esta redução extrema às minhas raízes, esta solidão inicial de quem não pode esquecer a sua pobre condição é o sinal humilde e amigo de que à vida que me deram a não repudiei, de que cuidei dela, a não perdi, a levo comigo nesta viagem breve, a aceito ao meu olhar de fraternidade e perdão... A noite avança, a minha cidade arde sempre. Vou fundar outra noutro lado. Mas não sabia eu que ela devia arder? Acaso será possível construir uma cidade como a imagino, a Cidade do Homem? Acaso não dura ela em mim, no meu sonho, apenas porque a penso sem consequências, a imagino, a não vivo, lhe não exijo responsabilidades? Não o sei, não o sei...»

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sexta-feira, julho 28, 2017

O Existencialismo É um Humanismo



JEAN-PAUL SARTRE
trad., pref. e notas de Vergílio Ferreira

Lisboa, 1962
Editorial Presença Lda.
1.ª edição
19,7 cm x 13,2 cm
276 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

A incursão de Vergílio Ferreira na essência filosófica do existencialismo, para além da perfeita tradução do texto de Sartre, constitui muito mais que uma lição de inteligência e de raciocínio.

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sábado, janeiro 16, 2016

Apelo da Noite


VERGÍLIO FERREIRA
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1963
Portugália Editora
1.ª edição
19,2 cm x 13,4 cm
280 págs.
exemplar estimado; miolo limpo, por abrir
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do notável Posfácio do autor:
«[...] E eis que a arte conquista assim, no mundo de hoje, uma necessidade imprevista, uma viru­lência única. Por sobre todos os terrorismos, no silêncio final de cada hora que nos espera a todos, se nos não esquecemos, ela ergue a sua voz da vitória de nós próprios, da vitória da verdade que os “astros” para nós “conjugaram”, da iluminação da certeza que nenhuma estratégia pode disfarçar. Mundo da liberdade, porque da criação, da autenticidade, mundo da evidência, porque da convicção, mundo da conquista, porque da invenção das origens – ela revela-se ainda, quantas vezes na dor, o mundo da moralidade, ou da santidade, porque da assunção iluminada de nós próprios, e dos graves riscos disso. Que a arte seja para o artista um “ponto de chegada” [...], e um “ponto de partida” quando muito para os outros – é uma questão que fica à margem da própria arte. Que um homem actue depois de ver, é um problema do homem, não um impedimento da arte. E no entanto, sim, alguma coisa na arte se transcende do imediato para lhe descobrir a verdade primeira e para assumir esse imediato no que lhe é humano. Um crime em arte não é menos crime. Somente pode acontecer, sim, que deixe aí de nos falar ao ódio, para nos falar ao remorso e à piedade; somente pode acontecer que em vez de odiarmos aí os homens, tenhamos pena do Homem. Mas será então longa a distância que vai da arte à justiça, ao amor, à fraternidade? Se o fosse, seria fácil construir uma grande obra de arte sobre a injustiça. Mas ninguém a construiu ainda – alguém já no-lo lembrou...»

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