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sexta-feira, outubro 09, 2026

frenesi 1980-1982




Lisboa, 1995 [Verão 1980 (1 a 11) – Inverno 1980-1981 (12 a 22) – Primavera 1982 (23 a 33)]
[dir. de Paulo da Costa Domingos]
edição fac-similada de apenas 50 exemplares encadernados em pele-de-diabo [3.ª edição]
colecção completa (33 folhas, capas originais, prefácio de Maio de 1995, historial das três tiragens, sumário descritivo de todas as colaborações)
218 mm x 156 mm
158 págs. + folhas de guarda
capa pintada à mão por Vera Pinto
acabamentos gráficos de vpcd sobre grafismo original de pcd
350,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da reedição comemorativa dos quinze anos do periódico que, na editora frenesi, antecedeu o início da publicação de livros. Periódico cuja importância se deverá nomeadamente à divulgação em primeira mão – estava-se no início da década de 80 – de autores traduzidos que vieram a ser ensaios de furo comercial nas mãos de editores para isso vocacionados, a saber, alguns apenas a título de boa memória: William S. Burroughs, Jim Morrison, Patti Smith, Tom Waits, Charles Bukowski, Jacques Rigaut, Tom Wolfe, Groucho Marx, Donald Barthelme.
Entre os autores portugueses encontrava-se o embrião poético do que veio a ser o “grupo frenesi”: Jorge Fallorca, Levi Condinho, Celeste Viriato, Rui Baião. Duas curiosidades: tanto Luísa Costa Gomes como António S. Ribeiro aí se estrearam.
O presente exemplar pertenceu a António José Forte.

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pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

A Seguir o Deserto



AL BERTO
na badana fotografia de Paulo Nozolino

Lisboa, 1984
frenesi
1.ª edição
190 mm x 130 mm
20 págs.
ilustrado
capa impressa em bicromia offset (fotografia) e duas cores directas em zinco-gravura (marca-de-água e lettering)
miolo composto em linotype e impresso sobre papel avergoado cinza
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
PEÇA DE COLECÇÃO
210,00 eur (IVA e portes incluídos)

À época, no ano mítico do apagamento global da iniciativa privada dos cidadãos (1984), a mera reprodução de genitália na badana deste caderno suscitou rumores insidiosos e ódios teológicos e políticos. Apesar e contra vagas adversas, os seus 500 exemplares de tiragem circularam rapidamente e foram culturalmente debatidos entre o escol de admiradores que, então, começavam a ver no escritor Al Berto um escritor, e não a figura anedótica da boémia estulta recentemente inventada por um atrevido cineasta.

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domingo, setembro 28, 2025

O Eterno Contorno



FERNANDO GANDRA
pref. Eduardo Lourenço
capa de Vera Pinto

Lisboa, 1997
frenesi
1.ª edição [única]
190 mm x 130 mm
152 págs.
subtítulo: Do Outro e do Mesmo
exemplar novo
10,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da longa nota introdutória de Eduardo Lourenço:
«[...] A sua [de Fernando Gandra] paixão – esta série de ensaios que tomam por vezes o aspecto e são um “diário singular” – aliás é a esse título que merece até ou impõe ao leitor o seu poder de o provocar – enraíza numa consciência muito aguda da “hipocrisia” do discurso dominante e é em função dela e contra ela que formula o seu. [...] Poucas “democracias reais” resistiriam a sua proposição de uma “satisfação democratizada do desejo...” Ou àquilo que ele chama “socialização do belo e do bom”, que não são para Fernando Gandra conceitos de essência “grega” mas valores ou fins inseparáveis da “desordem das paixões”. [...]»

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quinta-feira, maio 01, 2025

Banalidades de Base



RAOUL VANEIGEM
trad. Paulo da Costa Domingos
pref. Júlio Henriques
capa de pcd

Lisboa, 1998
frenesi
3.ª ed.
190 mm x 130 mm
64 págs.
exemplar novo
inclui a cinta alusiva «Nos 40 anos da I.S.» e o encarte publicitário à edição abreviada dos boletins da Internacional Situacionista, publicada pelas edições Antígona em consonância com esta publicação na frenesi
10,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem do texto:
«[...] o campo de batalha onde se trava o combate entre a totalidade e o poder, que emprega todas as energias a controlá-la, é a vida quotidiana. O que reivindicamos ao exigir o poder da vida quotidiana contra o poder hierarquizado: TUDO. Situamo-nos no conflito generalizado que vai da querela doméstica à guerra revolucionária, e apostamos na vontade de viver. Significa isto que devemos sobreviver como anti-sobreviventes. Interessamo-nos fundamentalmente pelos instantes em que a vida brota através da glaciação da sobrevivência (sejam tais instantes inconscientes ou teorizados, históricos – como a revolução – ou pessoais). [...]»

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quinta-feira, abril 10, 2025

Cicatriz



PAULO DA COSTA DOMINGOS
capa do escultor José Pedro Croft

Lisboa, 1986
frenesi
1.ª edição
19 cm x 12,9 cm
32 págs. + 1 cromo colado na primeira pág.
ilustrado
capa impressa a uma cor e relevo seco
acabamento com dois pontos em arame
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
PEÇA DE COLECÇÃO
75,00 eur (IVA e portes incluídos)

Não foi prémio literário, o que um escritor como Paulo da Costa Domingos agradece.

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terça-feira, dezembro 31, 2024

A Pão e Água de Colónia (Seguido de uma Autobiografia Sumária)


ADÍLIA LOPES
grafismo e composição tipográfica manual de PCD [Paulo da Costa Domingos]


Lisboa, 1987
frenesi
1.ª edição
190 mm x 130 mm
20 págs. [não num.]
ilustrado com um cromo colado na capa
impresso sobre papel costaneiro na mítica (e extinta) Tipografia Ideal sita à Calçada de São Francisco, em Lisboa
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
PEÇA DE COLECÇÃO
150,00 eur (IVA e portes incluídos)

É das primeiras obras de Adília Lopes (1960-2024), segunda e última publicada na casa editora frenesi, a que se seguiu um longo historial de publicações por tutti quanti venha mostrando vocação para editor, nesta atlântica província europeia. A «
Autobiografia Sumária de Adília Lopes», breve “poema” com o qual a escritora encerra o vertente caderno, abria a qualquer futuro editor pistas “literárias” seguras:

«Os meus gatos
gostam de brincar
com as minhas baratas»

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O Poeta de Pondichéry

 

ADÍLIA LOPES
grafismo de PCD [Paulo da Costa Domingos] sobre vinheta de Luis Manuel Gaspar


Lisboa, 1986
frenesi
1.ª edição
190 mm x 130 mm
24 págs. [não num.]
miolo impresso sobre papel avergoado creme, capa sobre cartolina kraft
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
PEÇA DE COLECÇÃO
320,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da obra que – muito justamente – catapultou Adília Lopes (1960-2024) para o estrelato das letras nacionais. Foi o seu primeiro livro na casa editora frenesi, e mereceu desde logo a atenção de Carlo Vittorio Cattaneo, que o fez publicar em Itália (1988), mas também de Henri Deluy que, em 1993, o dá a conhecer a Paris, e de August Willemsen que, em 1997, está na base do seu aparecimento em Roterdão.

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segunda-feira, agosto 26, 2024

Discurso Patético Sobre as Calamidades Presentes Sucedidas em Portugal | Seguimento do Discurso Patético, ou Resposta às Objecções e aos Murmúrios Que Esse Escrito Sobre Si Atraiu em Lisboa | O Cavaleiro de Oliveira Queimado em Efígie como Herético


FRANCISCO XAVIER DE OLIVEIRA
trad., posf. e notas de Jorge Pereirinha Pires
capa de pcd

Lisboa, 2004
frenesi
reed. das 1.as eds. (1756, 1757 e 1762)
190 mm x 130 mm
248 págs.
exemplar novo
22,00 eur (IVA e portes incluídos)

Nunca anteriormente traduzidos, estes seminais textos do «protestante lusitano» prestam simultaneamente serviço à filosofia, à religião e à história do terramoto de 1755.

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segunda-feira, julho 08, 2024

Pessimismo Nacional



MANUEL LARANJEIRA
precedido de duas cartas a Miguel de Unamuno
capa de António Carneiro
Lisboa, 2009
frenesi
3.ª edição [reed. da edição Contraponto (de Luiz Pacheco)]
19 cm x 13 cm
48 págs.
exemplar novo
10,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem do texto:
«[...] Incapaz de receber e transmitir ideias e sentimentos, o cérebro da grande massa da sociedade portuguesa, em virtude daquele impiedoso princípio lamarkeano que condena à morte o órgão que não trabalha, definha-se, atrofia-se, lenhifica-se, e a alma portuguesa estagna na tranquilidade morta das águas paludosas. Acrescente-se a esta lenta agonia do espírito nacional a influência corruptora e secular da educação jesuítica, sinistra e deprimente, e a única coisa que espanta verdadeiramente é a pasmosa resistência deste desgraçado povo, que tudo tem sofrido e que ainda não sucumbiu totalmente ao peso do seu mau destino. [...]»

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segunda-feira, junho 17, 2024

Bonecas Trapos Suspensos

 

ISABEL DE SÁ
capa e grafismo de Paulo da Costa Domingos


Lisboa, 1983
[frenesi]
1.ª edição
190 mm x 130 mm
16 págs.
impresso sobre papel superior
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
PEÇA DE COLECÇÃO
65,00 eur (IVA e portes incluídos)

Abria assim o breve livro de Isabel de Sá:
«Era único em mim. O fogo e as marés exigiram.
Por toda a terra ardiam rios. Nas margens a infância deslumbrava-se. Recolhia desencantos, visões, algumas luas. […]»

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quarta-feira, fevereiro 01, 2023

O Marquês da Bacalhoa, seguido de A Execução do Rei Carlos

ANTÓNIO DE ALBUQUERQUE
na capa e nas folhas de guarda reproduções fotográficas de Joshua Benoliel

Lisboa, 1 de Fevereiro, 2008
frenesi
1.ª reedição das edições princeps de 1908 e 1909
19 cm x 13 cm
384 págs.
subtítulo: Monárquicos e Republicanos
as imagens reproduzidas nas folhas de guarda devem ser consideradas inéditas
exemplar novo
24,00 eur (IVA e portes incluídos)

Transcrição integral do «Exórdio» à vertente edição:
«Grosso escândalo com o livro do Albuquerque – O Marquês da Bacalhoa. Este Albuquerque, conhecido pelo Lêndea, é o último descendente, pelo pai, do grande Afonso de Albuquerque, e, pela mãe, do grave, do douto João de Barros. Ainda aqui há anos, quando o rei visitou uma terra de província e se hospedou na casa dele, saíram das lojas caixotes de louça da Índia, que nunca tinham sido abertos. Ele tem tido uma vida de aventuras: bateu-se em duelo em Madrid, caçou no Cabo com lordes, tocou guitarra em Trouville e teve uma loja de instalações eléctricas na Itália. Agora é jornalista, escritor, poeta, e publica este livro de escândalo, em que a rainha, senhora na mais alta acepção da palavra, é posta de rasto… Mas faça-se-lhe justiça: tudo aquilo – e pior – anda por aí de boca em boca há muito tempo. E não vem de baixo – vem de cima…» (Raul Brandão, Memórias, I)
É num contexto histórico de revolta popular armada generalizada contra a ditadura do ministro monárquico João Franco que surge o romance panfletário de António de Albuquerque, em Janeiro de 1908; e, no dia 1 de Fevereiro, o inevitável regicídio, assumido por Manuel Buíça e Alfredo Costa. Fossem os deputados António José de Almeida, Egas Moniz, Afonso Costa, etc., ou o escritor Aquilino Ribeiro, as prisões enchiam-se de presos políticos, enquanto esquadras e quartéis iam sendo assaltados ou meramente destruídos à bomba. Timor, Moçambique, Angola, por exemplo, eram então autênticos viveiros de deportados… Só para se fazer uma ideia da influência ravacholista (a «poesia da dinamite») entre a população comum: a Carbonária, segundo o historiador Borges Grainha – que nem é único a dar à posteridade um tal retrato –, contava com algo como quarenta mil aderentes. «O lisboeta medroso foi substituído pelo lisboeta que dá tiros nos cafés…» (ainda nas palavras de Brandão). Deste mesmo modo, certos escritos da época, por seu turno, saíam dos entrefolhos da Literatura, descuidados na confecção estilística, respondendo à urgência do momento: consolidar uma opinião pública, legitimando d’avance a acção directa dos revoltosos.
Nunca se terá visto unanimidade mais geral, como a que os raros dicionários que se lhe referem patenteiam quando põem a sua garra sobre este autor: «escritor medíocre». E quando é Júlio Dantas, com a sua Ceia dos Cardeais, quem recolhe o elogio de «correcção formal», está tudo dito! Todavia, viviam-se dias pródigos em jornais de caricatura agressiva, e, entre o traço grosso e a reportagem de costumes, são esses os mais óbvios inspiradores da pena do nosso Albuquerque.
Gomes Leal, o fino poeta e panfletário, também ele frequentador das celas do Limoeiro, disto teve a visão à época, e, ao longo de três fascículos do seu Verdades Cruas, foi um dos arautos de Albuquerque. Começando por indignar-se com a ínvia apreensão do livro – «infeliz reputação régia que precisa de tais expedientes de confisco, mordaça e repressão, para encobrir e tapar as suas malhas podres, se acaso as tem, ou as há» (Verdades Cruas, n.º 15) –, acaba, em troca de correspondência pública com o autor, por tecer-lhe o necessário elogio:
«Reconheço a necessidade da severa História, da Sátira, do Panfleto, da Crítica dos costumes. A crápula do império romano, sem o desabafo dos historiadores e dos satíricos, seria uma vergonha hedionda e eterna da consciência Humana.
Disse-lhe que o seu romance era bem escrito, verdadeiro, mas cruel, e não me desdigo. A isto pode retorquir-me: Dura lex, sed lex!
Disse-lhe também que o seu romance fora mal revisto e continha muitos erros de imprensa que o apoucavam, e a isto retorquiu-me bem que ele fora impresso com imensas dificuldades, atabalhoadamente composto por tipógrafos inábeis, e em locais acanhados e secretos, para evitar as pesquisas e perseguições políticas. Compreendi então todos os defeitos que o maculavam, e que fizeram dizer à crítica injusta que o romance era mal feito, mal escrito, mal posto em acção e num péssimo português mascavado.
Console-se porém de todas as contrariedades e anátemas que lhe acarretaram o seu livro. Lembre-se que vai em camaradagem com muitos outros espíritos superiores excomungados pelos anátemas dos injustos contemporâneos, por perpetrarem também livros chamados revolucionários, hereges e malditos.» (Verdades Cruas, n.º 17)
Figuras gradas da época podem, então, aí ser identificadas sob a máscara ridícula do seu nome romanesco. Sabendo-se que a família real é dada pelos Bacalhoas, torna-se fácil decifrar, por exemplo, o ditador João Franco num João Nunes dos Santos, Mouzinho de Albuquerque num coronel Luna, o marquês de Soveral num Álvaro Negrão, o próprio autor em José Gusman, etc., etc., numa girândola implacável que, ao semear a saudável risada, colheu o ódio da polícia. Reproduz-se adiante, frente e verso, uma das muitas folhas que, por vezes, os leitores iam deixando dentro dos livros, onde identificavam, à sua responsabilidade, os figurões: procurar confirmação do que lá se afirma, é hoje tarefa de ratazana universitária.
Já A Execução do Rei Carlos (de 1909; óbvio desenlace do livro anterior) fica-se pela marca azeda de um fugitivo às sequelas do regicídio, cônscio de como fora traído, ou pelo menos frustrado nas expectativas. Sentimento, aliás, comum a tantos revolucionários sempre que deixam para trás de si portas abertas desaproveitadas… A (in)acção decorre em Espanha, e, para além do lamento pessoal, capta, da boca de um directo interveniente nos acontecimentos que vitimaram a família real, detalhes desse dia que virou o país de pernas para o ar. Limpando os escolhos “literários”, subsiste na sua pungência original uma passagem da nossa História, das difíceis de se lhe omitir a parte maldita.
E no fim de tudo (Junho, 1923), de novo Raul Brandão não se esquecerá de redigir um apontamento sobre a morte, em Sintra, do autor d’O Marquês da Bacalhoa:
«Já há longos meses que tinha desaparecido dos cafés. Nos últimos tempos queixava-se:
– Enquanto fui pobre, tive sempre saúde, agora, que herdei, estou sempre doente.
Morreu dum cancro na bexiga, depois de sete meses dum sofrimento horrível. Vivia enovelado, sobre um charco de urina, a gemer, num quarto onde ninguém podia entrar por causa do fedor. Tinham-lhe feito uma operação à bexiga e, quando lhe deram com o cancro, já lhe não puderam coser toda a abertura.
Estava sempre a gritar e a mijar-se. Antes de morrer, mandou pedir perdão à rainha e chamou um padre, pedindo perdão a Deus.
O Marquês da Bacalhoa chamou-se primeiro Enseada Azul. Quem lhe insinuou o título definitivo foi o Gualdino Gomes. Imprimiram-no num quarto andar da rua do Arco do Bandeira, numa dessas pequenas oficinas a que os tipógrafos chamam catraia. Mas quem o escreveu? Alguns dos capítulos não são do António de Albuquerque…» (Vale de Josafat, Memórias, III)

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sábado, dezembro 31, 2022

Marcas de Baton



GREIL MARCUS
trad. Helder Moura Pereira
capa de pcd

Lisboa, 1999
frenesi
1.ª edição [única]
19 cm x 13 cm
544 págs.
subtítulo: Uma História Secreta do Século Vinte
exemplar novo
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota editorial na contracapa:
«Os desejos não satisfeitos passam pelos anos de insondáveis maneiras e tudo o que depois aparece à superfície não passa de discurso simbólico, algo que fica surdo em relação à fonte de onde nasceu e cego em relação aos objectos a atingir – contudo, esses fragmentos de linguagem, escondidos nas pragas e nas blasfémias de canções como “Anarchy in the UK” ou “God Save the Queen” (“Deus salve a história”, cantava Johnny Rotten, “Deus salve a vossa louca ostentação / Deus, Senhor, tende piedade, já pagámos por todos os crimes / Quando não há futuro, não pode haver pecado”), são a última ligação a noções que há muito prosseguem a sua viagem subterrânea no interior do inconsciente cultural. Tudo o que fica são desejos sem linguagem: tudo o que fica é a história que não foi feita, ou seja, a possibilidade da poesia. E enquanto a poesia vai sendo feita, a linguagem recompõe-se e percebe o seu alvo: a história que foi feita.» (Greil Marcus)

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Ex.mo Sr. Dr. Arnaldo Dantas da Gama – Carta inédita de Camilo Castelo Branco a propósito de «A Caldeira de Pero Botelho»

CAMILO CASTELO BRANCO

Lisboa, 2006
frenesi
1.ª edição [única]
19 cm x 13 cm
16 págs. + 4 págs. em extra-texto
exemplar novo
19,00 eur (IVA e portes incluídos)

A edição reúne a carta em fac-símile e a sua transcrição, juntas com uma carta do mesmo dirigida a António Feliciano de Castilho, segundo compilação e prefácio de Paulo da Costa Domingos e Telma Rodrigues. Do Exórdio:
«Os leilões são uma torrente de conhecimento e aventura pela nossa humanidade passada. Ao invés do que, ciúme ou ganância, afirmam certos colegas editores, são, actualmente, os antiquários e os alfarrabistas os únicos negociantes de livros com interesse iniludível e feliz surpresa… Já que os mais, editores e livreiros de novidades estabelecidos, fraca mercadoria exibem nas suas quitandas. Dizíamos dos leilões: que das gavetas de algum cuidado coleccionador trouxeram à luz, no caso, a carta manuscrita inédita de Camilo Castelo Branco motivo da vertente publicação. Foi numa tarde do Outono de 2005, em amena sessão no Palácio do Correio Velho, com o número de lote 366, a uma sexta-feira sem história nem sobressalto, 7 de Outubro, que, por uns irrisórios cem contos (moeda antiga), ficámos na posse de maior riqueza para o domínio público das ideias. E do que se trata, afinal, no preciso capítulo destas?
Conhecia-se já, comunicada por João Costa em 1924, no seu trabalho Castilho e Camilo, Correspondência Trocada entre os Dois Escritores, carta escrita à data de 26 de Março de 1867 por Camilo ao poeta António Feliciano de Castilho, e que, entre assunto vário, expressa a sua total indisponibilidade para ler um romance de Arnaldo Gama, então novidade livreira no Porto. A dúvida, porém – dúvida, claro, para quem se interessa pelos detalhes do quotidiano dos nossos antepassados –, surge quanto ao título da tal obra de Arnaldo Gama, pois que duas haviam saído dos prelos, por essa altura, a curto intervalo entre si.
O camilianista Alexandre Cabral, editando novamente essa carta, nos anos oitenta, em obra sua profusamente anotada, Correspondência de Camilo Castelo Branco com António Feliciano de Castilho – I, continuava a ignorar que romance teria desgostado Camilo: “O romance de Arnaldo Gama, que Camilo afirma peremptoriamente que nunca lerá, deve ser um destes dois títulos: O Filho do Baldaia ou A Caldeira de Pero Botelho, editados ambos em 1866, o primeiro pela Viúva Moré; e o segundo, pelo Cruz Coutinho.” Ora, dado o conhecimento de hoje, do que inédito estava, fica assim desfeita a dúvida… Outras razões faltassem a justificar a presente edição do saboroso naco epistolográfico.
Mas não: o próprio conteúdo [...] fac-similado e transcrito até pode agradar-nos.
Com razão, acerca da carta autógrafa, alguém escreveu na ficha descritiva no catálogo da leiloeira: “muito valiosa pela sua graça e chiste” – o que é justo apreço literário ao arrepio do preço a licitar. E nem aí se suspeitava a maior graça que a coisa passa a ter logo que, juntando duas missivas, verificamos quão contrárias são as opiniões de Camilo sobre o mesmo objecto, com dois dias de intervalo e dirigindo-se a dois distintos interlocutores: um, o autor da Caldeira, talvez à míngua de aprovação do reconhecido mestre… sendo que se desconhece em que termos se dirigiu ele a Camilo no acto de enviar-lhe o livro; o outro, poeta que o prosador sempre teve em alta consideração (quando sobre ele não emitia, junto de terceiros, ditos biliosos), com quem desabafa os horrores que vai lendo, ou evitando. [...]»

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quinta-feira, fevereiro 10, 2022

Zona Autónoma Temporária

 

HAKIM BEY
trad. de Jorge P. Pires
capa de pcd


Lisboa, 2000
frenesi
1.ª edição
190 mm x 130 mm
64 págs.
exemplar novo
10,00 eur (IVA e portes incluídos)

Pseudónimo do escritor Peter Lamborn Wilson. As suas ideias filosóficas inscrevem-se numa corrente de “anarquismo ontológico”, ou imediatismo, a que não será alheia a estranha síntese entre o situacionismo debordiano e o sufismo persa. O vertente livro constitui um muito breve resumo programático da obra homónima, tal como Lamborn Wilson achou que deveria ser divulgada em disco.

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terça-feira, setembro 22, 2020

Da Nobreza do Sexo Feminino, e Sua Preeminência sobre o Outro Sexo


HENRICUS CORNELIUS AGRIPPA VON NETTESHEIM
trad. e pref. Jorge Pereirinha Pires
capa de pcd

Lisboa, 2007
frenesi
1.ª edição
19 cm x 13 cm
96 págs.
impresso sobre papel superior
exemplar novo
13,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem do livro:
«Não se pode censurar às mulheres que hajam perseguido os ortodoxos, que hajam inventado heresias, que hajam errado na fé: o contrário do que sucede com os homens.»
Cornélio Agrippa nasceu na cidade de Colónia em 1486, o que só por si é indicativo do avanço do seu espírito livre... mesmo em relação aos dias correntes. Na altura em que a editora frenesi publicou esta magnífica tradução, o livro passou completamente ao lado das feministas portuguesas.

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sábado, setembro 14, 2019

Cadeias de Transmissão



FÁTIMA MALDONADO
capa de Aldina Costa

Lisboa, 1999
frenesi
1.ª edição
19 cm x 13 cm
228 págs.
exemplar novo
15,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião, revista, dos seguintes livros da autora: Cidades Indefesas, Os Presságios, Selo Selvagem, A Urna no Deserto, Caça e Persuasões e O Rumo das Coisas.

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segunda-feira, abril 08, 2019

Le Héros [junto com] O Herói




BALTASAR GRACIÁN [Y MORALES]
trad. e pref. Joseph de Courbeville (francês)
trad., pref. e notas de Jorge P. [Pereirinha] Pires (português)

Paris, 1995 | Lisboa, 2003
Éditions Ivrea | frenesi
4.ª edição | 1.ª edição
[21,5 cm x 12,5 cm] + [19 cm x 13 cm]
[88 págs.] + [88 págs.]
exemplares como novos
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do «Prólogo» de Jorge Pires à ed. frenesi: «Numa altura em que voltaram a estar na ordem do dia temas como a construção europeia, as ligações entre a ética e a política ou as fronteiras entre Portugal e Espanha – das autoestradas aos fundos marinhos – talvez não seja despiciendo voltar a ler este mestre barroco da retórica, para mais ibérico, e ainda por cima contemporâneo do reinado filipino e das nossas guerras da Restauração.
[…] é Gracián quem introduz no pensamento da sua época a marca de uma contra-utopia, a que hoje chamaríamos a experiência do niilismo. […]»
Dístico na contracapa da edição portuguesa:
«Toma-se a altura a uma torrente pela elevação do gosto.»

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L’Homme Universel [junto com] O Discreto




BALTASAR GRACIÁN [Y MORALES]
trad. e pref. Joseph de Courbeville (francês)
trad., pref. e notas de Jorge P. [Pereirinha] Pires (português)

Paris, 1994 | Lisboa, 2005
Éditions Ivrea | frenesi
3.ª edição | 1.ª edição
[21,5 cm x 12,5 cm] + [19 cm x 13 cm]
[6 págs. + 170 págs.] + [144 págs.]
exemplares como novos
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Obra do grande Gracián y Morales (1601-1658), O Discreto «[…] faz a apologia da temperança e do sazonamento enquanto propõe – sob a capa de uma linguagem elíptica e alegórica, que se desdobra nos mais diversos recursos de estilo – uma série de conselhos para a vida prática. […]» (vd. «Prólogo» de Jorge Pires à ed. frenesi)
Dístico na contracapa da edição portuguesa:
«Voltam alguns dos empórios do mundo tão ao bárbaro como se foram, que quem não levou a capacidade não a pode trazer cheia de notícias.»

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terça-feira, junho 26, 2018

Nuez




RUI BAIÃO
PAULO NOZOLINO
, fotografias


Lisboa, 2003
frenesi
1.ª edição [única]
19 cm x 13,4 cm
2 págs. + 108 págs. (duas delas desdobráveis em trípticos) + 2 págs.
capa dura, cartonagem editorial
é o exemplar n.º 39 de uma tiragem declarada de 40 exemplares assinados pelos Autores
exemplar novo
200,00 eur (IVA e portes incluídos)

Livro de poemas com 36 fotografias reproduzidas em duotone e envernizadas. A tiragem corrente, de 750 exemplares – a que foram retirados os referidos 40 exemplares –, encontra-se há muito esgotada. O fotógrafo, além dos prémios internacionais que tem vindo a acumular, foi, entre outros prémios, objecto do galardão máximo da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).

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sexta-feira, janeiro 05, 2018

Lisboa en 1870. Costumbres, Literatura y Artes del Vecino Reino [junto com a tradução portuguesa]



G.[GONZALO] CALVO ASENSIO
[trad. Jorge Pereirinha Pires]

Madrid, 1870 / [Lisboa, 2009]
Imprenta de los Señores Rojas / [frenesi]
1.ª edição [únicas] (ambos)
2 volumes
18,5 cm x 12 cm [19 cm x 13,2 cm]
150 págs. [136 págs.]
encadernação modesta da época, meia-inglesa com ferros a ouro na lombada
pastas e fêsto cansados, pequena falha no topo do lombo, sinais de traça somente nos bordos das folhas de guarda
o exemplar ostenta o ex-libris do olisipógrafo Luiz Pastor de Macedo no verso da pasta anterior
assinatura de posse da actriz E[mília] das Neves à cabeça do frontispício
[o exemplar da tradução editada pela frenesi, que a título de oferta completa o lote, é novo]
145,00 eur (IVA e portes incluídos)

«[...] Calvo Asensio [director de El Democrata] professava as mesmas ideias de liberalismo avançado que seu pai, D. Pedro Calvo Asensio, conhecido notável do antigo partido progressista, que por muito tempo defendeu os ideais políticos de um grupo numerosíssimo e influente a partir das colunas de La Iberia. No início da Revolução de Setembro foi D. Gonzalo nomeado secretário da Legação de Espanha em Lisboa, cargo que exerceu até 1872, altura em que foi eleito deputado às Cortes [espanholas]. O Congresso, de que fez parte, nomeou-o seu secretário.
Terminado o período revolucionário com o advento da Restauração, Calvo Asensio pôs a sua pena de jornalista e a sua clara inteligência ao serviço do partido democrático-progressista, a cuja direcção pertencia.
Era Calvo Asensio um desses homens que têm o singular dom de captar a simpatia geral, pela afabilidade do seu carácter e pela doçura do seu trato. Os seus grandes padecimentos, consequência de uma doença do peito, que há anos havia contraído, não puderam suprimir-lhe dos lábios o amável sorriso que atraía irresistivelmente quantos alguma vez se aproximavam dele. A sua vida extinguiu-se tranquilamente, sem agonia; de modo que os amigos que o rodeavam pensaram tratar-se de um desmaio. [...]» (La Ilustración Española y Americana, ano XXIV, n.º 37, Madrid, 8 de Outubro de 1880)

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