A.[LEXANDRE] HERCULANO
Lisboa / Paris / Rio de Janeiro / São Paulo / Belo Horizonte, s.d.
Livrarias Aillaud e Bertrand
11.ª edição + 12.ª edição
2 tomos (completo)
18,6 cm x 12,5 cm
[XIV págs. + 314 págs.] + 384 págs.
encadernações uniformes da Oficina de Encadernação Santos & Alves, meia-inglesa em pele e papel de fantasia, com cantos em pele e elegante gravação a ouro na lombada
sem capas de brochura
exemplares pouco aparados e em muito bom estado de conservação; miolo limpo
45,00 eur
Acerca do nosso Herculano escreveu, à época, um representante diplomático da vizinha Espanha em Lisboa, Gonzalo Calvo Asensio (ver
Lisboa em 1870, frenesi, Lisboa, 2009):
«[...] a obra de Garrett era puramente literária, mais de forma que de fundo, e necessitava de algo mais. À pureza de dicção, à galhardia do estilo, ou ao encanto do dizer, era preciso acrescentar a profundidade do pensamento, a inspiração enérgica e filosófica, o espírito científico, e Alexandre Herculano vem representar de modo admirável tão colossal e importantíssima evolução. [...] [A] fase da poesia devia completar-se com a severidade majestosa da ciência, e Herculano, com estilo conciso, enérgico,
de bronze, escreve um poema histórico, o
Eurico, além de outras novelas do mesmo género, nas quais rivaliza em exactidão e fidelidade com os períodos que compreende e pinta, tais como
A Abóbada,
Mestre Gil,
O Monge de Cister; não satisfeito ainda com os triunfos obtidos, inspirando-se na filosofia moderna e na grandeza da ideia revolucionária, logra com a sua
História de Portugal pôr seu glorioso nome por cima do dos maiores mestres da raça latina e, ao nível dos profundos historiadores e filósofos, da dos germanos. O nervo do seu estilo, a pureza da frase, a concisão com que expressa a ideia, a arrogância e valentia dos seus períodos, indicam desde logo a poderosa energia do seu pensamento e, se como escritor alcança merecido renome, como investigador diligente chega ao ponto de devolver a vida dos séculos da Idade Média à Moderna, fazendo compreender o quanto aquela significava e, apresentando-se tal qual era, como se a sua voz se reconstruísse e animasse sobre a lápide de seu sepulcro, chega aonde a muitos não é dado chegar, fazendo-se credor da mais respeitosa veneração por parte dos homens apreciadores de tão raro mérito. [...]»
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