Quinta-feira, Maio 13, 2010

O Vestido Vermelho


STIG DAGERMAN
trad. e prefácio de Irene Lisboa

capa de Infante do Carmo

Lisboa, 1958
Editorial Estúdios Cor, Lda.
1.ª edição
19,3 cm x 14,3 cm
336 págs.
é o n.º 28 da Colecção Latitude, dirigida por Nataniel Costa
exemplar muito estimado, parcialmente por abrir
sinais do efeito continuado da luz na lombada
20,00 eur

Nota de badana na 2.ª edição, assinada P.C.D., edição à qual o editor suprimiu o Prefácio da tradutora (Edições Antígona, Lisboa, 1989):
Enfim, a morte estigmatiza a vida de todos os homens. Diz-se que é para a consciência da morte que nascemos... E se alguns parece quererem iludir tal facto, e a sua vida se destrói na ignorância da morte, certo é que outros – menos, talvez – fizeram delas um arame vibrátil cujas ressonâncias preserva o tempo. E, inalienavelmente, ainda outros – escassíssimos estes – converteram a acerada dor no sentimento estruturante da sua permanência. Depressa o Mundo, avaro de estima, desrespeitando-os, acelerou neles a fatalidade.
Quando a 5 de Outubro de 1923 nascia o sueco Stig Dagerman, era para a paixão da morte a certeza a que se propunha. Todos os seus escritos prenunciam e pronunciam a laboriosa construção de edifício assim. Ou barca... – já que um navio é sempre uma casa à deriva. O niilismo de Dagerman por demais se afigura a nossa esperança soçobrada nos adiamentos que o século vem impondo à mudança do Homem, à superação daquilo que nos aliena. Anarquista. Anarquista da abrupta falésia stirneriana; enigmaticamente ele teve um senso da dádiva social (ou seja da Vida colectiva) como poucos. Bastaria referir que o seu primeiro casamento partiu da generosidade em conferir um nome sueco a uma refugiada anarco-sindicalista alemã, durante a II Guerra Mundial.
Atribuir, embora com subtileza, a uma infância infeliz a causa dos males que sempre atormentaram quem luta por inverter o avesso opaco da subvivência parece-me um logro excessivo. Toda a revolta que demora em concretizar os objectivos pressupostos degenera, vazando o vazio do Mundo no coração do Homem. Sedento de apaziguamento, Dagerman saciou-se com o suicídio, aos 31 anos de idade...
À tradução da escritora Irene Lisboa nada disto escapa.


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Sábado, Maio 08, 2010

Subversão ou Evangelho?




JOSÉ DA SILVA, advogado

Porto, 1971
ed. Autor
4.ª edição
17,9 cm x 13,4 cm
192 págs.
subtítulo: O Processo do Pároco de Macieira de Lixa no Tribunal Plenário do Porto
exemplar como novo
17,00 eur

Da Apresentação:
«[...] O Padre Mário foi preso em 28 de Julho de 1970, no limiar das férias judiciais, e veio a ser pronunciado provisòriamente em 3 de Agosto do mesmo ano, sem admissão de caução. Acusado de graves actividades contra a segurança do Estado, de subversão política e social e de crítica pública à defesa do Ultramar, foi levado para a prisão da Direcção Geral de Segurança em Caxias, onde aguardou julgamento.
[...] Enquanto se aguardava a decisão, as sentenças desejadas iam desde o fusilamento, legalmente impossível, até à absolvição mais que justa e provável. Particularmente preocupante nos meios eclesiásticos era a parte da acusação referente aos cinco números do boletim paroquial que o Padre Mário publicou com o nome de “Encontro” e onde, em termos muito próximos ou idênticos aos do Evangelho, denunciou as injustiças sociais. O representante do Ministério Público qualificava tais escritos como “susceptíveis” de causar alarme e inquietação pública e como “conducentes” a esse mesmo resultado – o que integraria o crime previsto [...]. A defesa cobria-se com o múnus pastoral do Réu. Subversão ou evangelho? [...]»
Em Março de 1971 sairá o padre Mário Pais de Oliveira da prisão, absolvido no dito tribunal, enquanto o acusador recorria para o Supremo Tribunal de Justiça. Em 1973 volta a ser preso pela polícia da ditadura, mas de novo, em Fevereiro de 1974, será posto em liberdade após absolvição em segundo julgamento. Um homem que, no essencial, apenas desejava a libertação dos povos colonizados, e uma justa repartição da riqueza no continente...
Esta obra, para além de pelo menos quatro edições idênticas à presente, veio a ter em 1972 uma mais extensa explanação em dois volumes.

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