
STIG DAGERMAN
trad. e prefácio de Irene Lisboa
capa de Infante do Carmo
Lisboa, 1958
Editorial Estúdios Cor, Lda.
1.ª edição
19,3 cm x 14,3 cm
336 págs.
é o n.º 28 da Colecção Latitude, dirigida por Nataniel Costa
exemplar muito estimado, parcialmente por abrir
sinais do efeito continuado da luz na lombada
20,00 eur
Nota de badana na 2.ª edição, assinada P.C.D., edição à qual o editor suprimiu o Prefácio da tradutora (Edições Antígona, Lisboa, 1989):
Enfim, a morte estigmatiza a vida de todos os homens. Diz-se que é para a consciência da morte que nascemos... E se alguns parece quererem iludir tal facto, e a sua vida se destrói na ignorância da morte, certo é que outros – menos, talvez – fizeram delas um arame vibrátil cujas ressonâncias preserva o tempo. E, inalienavelmente, ainda outros – escassíssimos estes – converteram a acerada dor no sentimento estruturante da sua permanência. Depressa o Mundo, avaro de estima, desrespeitando-os, acelerou neles a fatalidade.
Quando a 5 de Outubro de 1923 nascia o sueco Stig Dagerman, era para a paixão da morte a certeza a que se propunha. Todos os seus escritos prenunciam e pronunciam a laboriosa construção de edifício assim. Ou barca... – já que um navio é sempre uma casa à deriva. O niilismo de Dagerman por demais se afigura a nossa esperança soçobrada nos adiamentos que o século vem impondo à mudança do Homem, à superação daquilo que nos aliena. Anarquista. Anarquista da abrupta falésia stirneriana; enigmaticamente ele teve um senso da dádiva social (ou seja da Vida colectiva) como poucos. Bastaria referir que o seu primeiro casamento partiu da generosidade em conferir um nome sueco a uma refugiada anarco-sindicalista alemã, durante a II Guerra Mundial.
Atribuir, embora com subtileza, a uma infância infeliz a causa dos males que sempre atormentaram quem luta por inverter o avesso opaco da subvivência parece-me um logro excessivo. Toda a revolta que demora em concretizar os objectivos pressupostos degenera, vazando o vazio do Mundo no coração do Homem. Sedento de apaziguamento, Dagerman saciou-se com o suicídio, aos 31 anos de idade...
À tradução da escritora Irene Lisboa nada disto escapa.
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