Segunda-feira, Fevereiro 28, 2011

Cultura Portuguesa – Revista bimestral da Secretaria de Estado e da Cultura


Lisboa, Agosto-Setembro de 1981 e Janeiro-Fevereiro de 1982
dir. Afonso Botelho e Lima de Freitas [e no segundo número também João Palma Ferreira]
desenho gráfico de Sebastião Rodrigues
colecção completa (2 números)
23,5 cm x 16,5 cm
[120 págs. + 1 folha em extra-texto] + 128 págs.
exemplares em bom estado de conservação
40,00 eur

Colaboração, entre outros, de José Marinho (que faz abertura do primeiro número), António Telmo, João Gaspar Simões, Yvette Kace Centeno, Natália Correia, Tomaz Ribas, Pinharanda Gomes, Luiz Francisco Rebello, Maria Aliette Galhoz, Vergílio Ferreira, Agostinho da Silva, Sant’Anna Dionísio, Henrique Barrilaro Ruas, José-Augusto França, etc.
Revista produzida pela Biblioteca Nacional sob a vigência de Lucas Pires, ministro de direita num governo retrógado de “limpeza” anti-comunista; ou, como lembra Eduarda Dionísio [ver Títulos, Acções, Obrigações – A Cultura em Portugal, 1974-1994, Edições Salamandra, Lisboa, 1993]:
«[...] Os anos em que houve Ministro para a Cultura foram, de facto, anos determinantes para a viragem da Cultura Portuguesa e o seu “acertar” de passo com a Europa, mas certamente não por terem Ministro. Corresponderam ao relançamento dos Descobrimentos e das glórias do passado, às candidaturas a património mundial, à chegada de dinheiros para restauros e reconstituições e, simultaneamente, ao advento do pós-modernismo. Nenhum problema de estruturas nem de acesso à cultura se resolveu. [...]»


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Domingo, Fevereiro 27, 2011

Arco Iris – Caderno de Ideias Literárias



Porto, Dezembro de 1976 a Outubro de 1978
dir. Eduardo Paz Barroso e Paulo Jorge Tunhas
A Regra do Jogo, 1977 e 1978
colecção completa (5 números em 3 volumes [os três primeiros números, que tiveram edição original policopiada, encontram-se aqui reunidos em um volume único])
2 x [21 cm x 14,1 cm] + [24,6 cm x 18,6 cm]
112 págs. + 48 págs. + 116 págs.
capas de António Vasconcelos, Luís Miguel e Bernardo Pinto de Almeida
exemplares em bom estado de conservação
90,00 eur

Colaboração, entre outros, de Manuel Resende, Álvaro Lapa e António Ramos Rosa. Trata-se de uma das primeiras reacções literárias ao marxismo galopante nesses anos imediatos ao 25 de Abril, vinda do Norte – em Lisboa, nessa época, éramos tidos por mouros e vermelhos.


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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2011

Memórias do Contencioso e outros poemas

FERNANDO ASSIS PACHECO

Porto, 1980
Erva Daninha
1.ª edição [nesta forma reunida]
19,1 cm x 15,6 cm
56 págs.
tiragem declarada de 500 exemplares
exemplar como novo
apresenta em emendas manuscritas pelo Autor os dois principais erros editoriais nas págs. 29 e 42-43
55,00 eur

Trata-se efectivamente de um apreciável conjunto de poemas em 2.ª edição, que Assis Pacheco havia antes ele próprio editado em simpáticos caderninhos mimeografados, aqui ampliados com outros tantos inéditos. A melhor homenagem que se lhe pode aqui fazer é recordar palavras, ainda actuais, do poeta e crítico literário Joaquim Manuel Magalhães: «O Fernando Assis Pacheco de que eu gosto tem a obra publicada bem longe dos empórios editoriais cuja distância do poder económico é um acto cultural defender (Centelha, Inova); ou então entregues a esse prazer da auto-publicação lateral, através de opúsculos passados a stencil e quase que difundidos de mão em mão; ou mesmo em ignorados jornais de província [...].
[...] Há editoras onde publicar é um acto de compromisso inaceitável com uma série de situações aberrantes do nosso mercado livreiro. [...]» (Os Dois Crepúsculos, A Regra do Jogo, Lisboa / Porto, 1981)


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Variações em Sousa


FERNANDO ASSIS PACHECO
capa de Augusto T. Dias


Lisboa, 1987
Hiena Editora
2.ª edição
20,5 cm x 14,5 cm
48 págs.
exemplar novo
30,00 eur

Reúne aqui o Autor duas plaquettes impressas a expensas do mesmo, em stencyl electrónico, que inicialmente circularam, uma em 1984 e a outra em 1986, sob os títulos Variações em Sousa e A Bela do Bairro e Outros Poemas. E é, de facto, o poema que dá título a esta segunda aquele por nós escolhido como ilustração da verve de Assis Pacheco:
«Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor»

Há ainda uma questão que deve ser aqui lembrada: Em finais dos anos 70 e início de 80 do século passado, o falecido Assis Pacheco, ao serviço de O Jornal, alimentava uma coluna jornalística que ainda hoje poderia servir de modelo a muito noticiário de publicação de livros. Chamava-se «Bookcionário», e perdeu-se-lhe o rasto como se perde tudo neste mundo quando os interessados se desinteressam, ou morrem, ou mudam de ramo. Nós, não esquecemos. Nem essa simpática coluna, nem o seu intuito, nem o estilo. – Os presentes verbetes de leitura, na nossa loja, em apoio das respectivas fichas técnicas, tomaram daí a antiga inspiração.


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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011

Sodoma Divinisada

RAVL LEAL (HENOCH)

Lisboa, 1923
«Olisipo» – Editores [ed. Fernando Pessoa]
1.ª edição
23,2 cm x 16,6 cm
32 págs. [servindo as primeira e última folha como suportes para a dobra da capa, que é em papel]
texto complementar incluído: Antonio Botto e o Sentido Intimo do Rythmo
exemplar muito estimado, miolo limpo
RARA PEÇA DE COLECÇÃO
750,00 eur

Do Autor – que a si mesmo se tinha na conta de Henoch, pai de Matusalem, avô de Noé – pode dizer-se que sempre procurou e encontrou «abrigo nos jornais que apoiavam o regime; quer isto dizer que em pleno Estado Novo, numa altura em que a maioria dos intelectuais do país ganhava maior sensibilidade a indícios que reforçassem ideais subjacentes às teorias do poder, Raul Leal rodeava-se de uma aura de suspeito fascismo que a sua preferência monárquica (em permanente exibição) ainda mais turvava; que a sua posição nada conservadora, no domínio dos costumes, ainda mais desacreditava [...]» (do magnífico prefácio de Aníbal Fernandes à reedição na Hiena Editora, em 1989).
No centro da polémica que a vertente brochura de Raul Leal desencadeou – com uma tal “Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa”, encabeçada por um tal Pedro Teotónio Pereira, a pedir nos jornais e em panfleto público a cabeça dos «adeptos da infâmia», autores de «livros torpes» – esteve a edição das Canções de António Botto, que Fernando Pessoa promoveu em 1922. Tanto o livro de Botto como o de Leal serão, pois, apreendidos por ordem do Governador Civil de Lisboa, desaparecendo os seus exemplares na vasa lodosa da “boa consciência” das famílias.


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Terça-feira, Fevereiro 01, 2011

The Beatles – The Authorised Biography


HUNTER DAVIES

Londres, 1968
William Heinemann Ltd
1.ª edição
22,1 cm x 14,5 cm
8 págs. + 374 págs. + 4 x 8 págs. em extra-texto
ilustrado
encadernação editorial em tela com ferros a ouro na lombada
exemplar muito estimado
sem a sobrecapa
45,00 eur

Livro extraordinário, de grande seriedade intelectual, escrito não do ponto de vista tolo dos consumidores de ié-iés, mas apreciando o percurso de uma banda de música que foi incomparavelmente um dos negócios mais rentáveis do século XX no império industrial britânico. Não se trata sequer, e ainda bem, de uma redutora abordagem ideo-crítico-marxista, mas de um olhar capitalista sobre uma firma capitalista que, no caso, vendia música e outras formas correlativas de lazer. Só para se ter uma pequena ideia, números relativos somente às vendas de discos nesses primeiros anos de actividade do grupo musical, sem contar os proventos realizados com filmes, objectos de culto, rádios, televisões, pautas impressas, etc., etc.:
«[...] An LP by the Beatles, costing just over 30 shillings in the shop, which sells a million copies would earn in all just over £1,500,000. EMI takes £605,000 for producing the record. The retailers take £400,000 for selling it. The Government takes £300,000 in purchase tax. That is the majority of the money accounted for immediately. The Beatles as performers then get £120,000 for singing and playing on the record. This is 10 per cent of the retail price, after purchase tax. (As composers [...] John and Paul and to a lesser extent George share approximately another £80,000.) [...]»
É quanto pagam as multidões de consumidores para levarem a “revolução” para casa. E os governos não têm de que se queixar, mesmo dos seus opositores...


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Sex





MADONNA
fotografias de Steven Meisel


Londres, 1992
Martin Secker & Warburg Limited
1.ª edição
35 cm x 29 cm (formato álbum)
124 págs. + 8 págs.
design gráfico de Fabien Baron
profusamente ilustrado a preto e branco e a cor com fotografias explícitas da cantora
impresso sobre papel fabricado por Mohawk Paper Mills, Inc. (Cohoes, Nova Iorque)
acabamento com capas em alumínio gravado na pasta anterior e recortado na pasta posterior, presas por argolas em espiral
embora lhe faltem o CD-single com a canção «Erotic» e a embalagem de plástico metalizado que selava a edição, inclui o raro encarte (para adultos) «Dita in “The Chelsea Girl”...»
exemplar em bom estado
150,00 eur

Para os que ignoram quem seja Madonna (de seu nome Louise Veronica Ciccone), trata-se de uma cantora de música popular norte-americana, que subiu na carreira artística projectando de si, no imaginário do público, um sucedâneo da imagem de Marilyn Monroe. Mas enquanto esta última tentou superar a depreciação da sua arte dramática ligando-se a intelectuais do gabarito de Arthur Miller e a escolas de representação como o Actor’s Studio, Madonna ligou-se sempre mais à ralé nova-iorquina dos clubes de sado-masoquismo. O vertente álbum fotográfico, com colaborações (sexualmente) apreciáveis, como as de Isabella Rossellini, Naomi Campbell, Joey Stefano ou Tatiana von Furstenberg, sendo embora uma calculada encenação, dá a correcta ideia dos fantasmas sexuais que a cantora pretende vender.


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José Francisco Azevedo



EMANUEL CAMEIRA
MANUEL DE FREITAS
PAULO DA COSTA DOMINGOS

paginação e arranjo gráfico de Inês Mateus

Lisboa, 2011
ed. dos intervenientes
1.ª edição [única]
22,8 cm x 16,9 cm
36 págs. (sendo desdobráveis as págs. 12-13 e 18-19)
ilustrado
impresso em duotone e verniz sobre papel superior
exemplar novo
n.º 28 de uma tiragem declarada de 200 + 50 exemplares
30,00 eur

Trata-se da reunião de 17 reproduções fotográficas do acervo do fotógrafo José Francisco Azevedo, que António Sena revelou, na galeria Ether / Vale Tudo Menos Tirar Olhos, em 1990. A sua cuidada escolha editorial completa-se com a intervenção escrita dos autores em epígrafe.

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Nuez




RUI BAIÃO
PAULO NOZOLINO
, fotografias


Lisboa, 2003
frenesi
1.ª edição [única]
19 cm x 13,4 cm
2 págs. + 108 págs. (duas delas desdobráveis em trípticos) + 2 págs.
capa dura, cartonagem editorial
é o exemplar n.º 33 de uma tiragem declarada de 40 exemplares assinados pelos Autores
exemplar novo
200,00 eur

Livro de poemas com 36 fotografias reproduzidas em duotone e envernizadas. A tiragem corrente, de 750 exemplares – a que foram retirados os referidos 40 exemplares –, encontra-se há muito esgotada. O fotógrafo, além dos prémios internacionais que tem vindo a acumular, foi agora objecto do galardão máximo da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).


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