Sábado, Julho 30, 2011

Os Contos



ANTÓNIO BOTTO

Lisboa, s.d.
Livraria Bertrand
7.ª edição (21.º milhar), designada por «Nova edição aumentada e definitiva – Segundo volume das Obras Completas»
19 cm x 12,4 cm
440 págs.
exemplar estimado; miolo limpo ocasionalmente por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
65,00 eur



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Os Sonetos de [...]


ANTÓNIO BOTTO

[Lisboa], 1938
[s.i.]
[1.ª edição]
19,3 cm x 13,2 cm
48 págs.
composto manualmente
exemplar com restauro na lombada, mas no geral aceitável
exibe na capa e na folha de ante-rosto o carimbo da Livraria Moraes
50,00 eur

Acresce a este conjunto de 31 sonetos do Poeta uma Marginália crítica que se divide por João Gaspar Simões, Augusto Pinto e Luiz Forjaz Trigueiros. Outros são chamados a defender uma obra perseguida mais pela homossexualidade do seu autor do que pela eventual falta de qualidade estética, e tanto António Patrício como Raúl Brandão e Fernando Pessoa apõem aí o seu selo de reconhecimento. «Tôda a moderna poesia portuguesa nos mostra a poderosa influência da poesia de António Botto – diz Pessoa. – A poesia de António Botto é uma antecipação genial.»


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Sexta-feira, Julho 29, 2011

Canções


ANTONIO BOTTO
capa de Fred Kradolfer

Lisboa, 1932
Edições Paulo Guedes
nova edição definitiva (17.º milhar)
17,8 cm x 12,8 cm
208 págs.
subtítulo: Nova Edição Definitiva de Toda a Obra Poética do Autor com Oito Canções Inéditas e um Estudo Crítico de Teixeira Gomes Antigo Chefe de Estado
composto manualmente
exemplar com o miolo em estado muito aceitável, com alguns picos de humidade; assinatura de posse no frontispício
peça de colecção
130,00 eur

Diz Manuel Teixeira-Gomes na Marginalia que encerra o volume: «[...] Ah! como se pode ainda pôr em duvida que o amôr opéra milagres. Se milagres ha ou houve jamais, é no amôr que se lhe deve procurar a origem, porque só elle possue o dom divino de os fazer. A inspiração poetica é um milagre do amôr, que se revela rythmado, á semelhança do pulsar do coração... [...]»
Acrescentamos que a homossexualidade do autor acabou por, na boca depreciativa da crítica “literária” da sua época, sobrepor-se à excelência da sua arte.


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Canções



ANTONIO BOTTO

Lisboa, 1922
«Olisipo», Sociedade Editora [ed. Fernando Pessoa]
2.ª edição
23,2 cm x 15,8 cm
76 págs. + 1 fotografia colada em extra-texto («Da casa Bobone Ltd.»)
subtítulo: Segvnda Edição Mvito Avgmentada com Vm Retrato do Avctor e Palavras de Teixeira de Pascoaes
composto manualmente e impresso em papel superior (pelas irregularidades de apara no bordo inferior do papel pode concluir-se que o trabalho foi executado também num prelo manual)
exemplar com o miolo em estado como novo, apesar dalguma sujidade visível na capa; aberto, mas não aparado
peça de colecção
220,00 eur

Livro perseguido desde a primeira hora, o que justifica as suas palavras de abertura:
«Se nos acusarem de hypocritas, deixal-os acusar; mentem. E a mentira só aos mentirosos prejudica. Se nos amesquinharem a fama e cercearem a gloria, desviando de nós as multidões, que não pensam e vão para onde as levam, melhor. Os que nos querem, os que nos amam, os que nos entendem, ficarão comnosco. Os outros, deixando-nos, prestam-nos favor. Lezam-nos somente na vaidade, que é vicio ruim, grama que custa a deitar fóra. Portanto, melhor. E se nos insultarem e injuriarem, melhor. E se nos perseguirem, melhor. E se nos apedrejarem e ensanguentarem, melhor ainda, muito melhor. Quando a alma, ao termo de mil hesitações e desenganos, cravou as raizes para sempre num ideal de amor e de verdade, podem calcal-a e tortural-a, podem-na ferir e ensanguentar, que quanto mais a calcam, mais ella penetra no ideal que busca, mais ella se entranha no seio ardente que deseja.»


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Quarta-feira, Julho 27, 2011

Daqui Houve Nome Portugal [junto com] 10 Reproduções




EUGÉNIO DE ANDRADE, org. e pref.
reproduções de Pousão, Eduardo Viana, Abel Salazar, Dordio Gomes, Alvarez, António Cruz, Augusto Gomes, Resende, Armando Alves e anónimo do séc. XVIII
direcção gráfica de Armando Alves

Porto, 1968
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
2 volumes
27,9 cm x 22,2 cm
[2 págs. + 402 págs.] + estojo em cartolina com 10 cromos impressos a cor e colados sobre semi-cartonado preto
subtítulo: Antologia de Verso e Prosa Sobre o Porto [comemorativa dos mil e cem anos da presúria do burgo portucalense por Vímara Peres]
encadernação editorial em linho gravada a duas cores
folhas-de-guarda impressas
profusamente ilustrado
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
é o n.º 324 da tiragem comum de 1.500 exemplares a que alguém juntou o estojo de reproduções destinado à tiragem especial
valorizado pela dedicatória manuscrita de Eugénio de Andrade «À Alda e ao José Campelo [...]»
140,00 eur

Sentida homenagem do poeta à cidade do Porto, que preciosamente escolheu, entre autores vivos e mortos, colaborações de escritores como, entre tantos outros, Agustina Bessa Luís, Ruben A., Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Pedro Homem de Mello, Miguel Torga, José Régio, João Araújo Correia, Aquilino Ribeiro, António Patrício, Teixeira de Pascoaes, Carlos Malheiro Dias, etc., etc., numa lista ascendente até ao abade de Jazente, a Faustino Xavier de Novais, ao padre Agostinho Rebelo da Costa, a Diogo Brandão, etc.
Entre as fotografias a que Armando Alves recorreu para ilustrar o correr das páginas, o destaque vai para as “chapas batidas” pelo escultor e pintor Lagoa Henriques, cujas imagens de crianças do povo são um mimo de significações.


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Memórias de Alegria



EUGÉNIO DE ANDRADE, org. e pref.
direcção gráfica de Armando Alves

Porto, 1971
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
23,7 cm x 18,7 cm
4 págs. + 728 págs.
subtítulo: Antologia de Verso e Prosa Sobre Coimbra no Centenário da Geração de 70
encadernação editorial em sintético gravada a prata e relevo seco
folhas-de-guarda impressas
profusamente ilustrado
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
é o n.º 831 da tiragem comum de 1.200 exemplares
assinatura de posse no ante-rosto
125,00 eur

Trata-se de um livro de nostalgia pela juventude passada numa cidade universitária, ilustrada pela escolha culta de um reconhecido poeta. Aí figuram, entre muitas outras, entre autores vivos e mortos, colaborações de Fernão Lopes a Nicolau Tolentino, ou Herculano, ou Ramalho, ou Antero, ou Eça; mas também Edmundo de Bettencourt, Nemésio, Vergílio Ferreira, Namora, Políbio Gomes dos Santos, Carlos de Oliveira, Ruben A., Agustina, Urbano Tavares Rodrigues, etc.


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Alentejo não Tem Sombra [...]



EUGÉNIO DE ANDRADE, org.

Porto, 1983
O Oiro do Dia
2.ª edição
22,5 cm x 15 cm
48 págs. + 4 págs. em extra-texto
subtítulo: [...] antologia de poesia contemporânea sobre o Alentejo organizada por [...] com uma pintura de Armando Alves e outra de Jorge Pinheiro nas edições oiro do dia
capa e miolo impressos sobre papel avergoado
exemplar estimado; miolo limpo
discreta assinatura de posse de Eulália Marques na pág. 2
25,00 eur

Antologiados, entre outros, e para além de si próprio, poetas como Florbela Espanca («Horas mortas... Curvada aos pés do Monte / A planície é um brasido [...]»), José Régio, José Gomes Ferreira («Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho / com egoísmo de fonte. [...]»), Miguel Torga, Manuel da Fonseca («Nove casas, / duas ruas, / ao meio das ruas / um largo, / ao meio do largo / um poço de água fria. [...]»), Jorge de Sena («[...] Por entre os campos, os cordões rugosos / dos caminhos para toda a parte, / menos para os campos, que pacientemente evitam. [...]»), Raul de Carvalho, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cesariny, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, Ruy Belo, etc.


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Antologia [1945-1961]



EUGÉNIO DE ANDRADE
ensaio de Eduardo Lourenço
desenho de Dordio Gomes

s.l., 1961
Delfos
1.ª edição
19,5 cm x 13 cm
232 págs.
impresso sobre papel avergoado
exemplar muito estimado, apresentando sinais de traça na contracapa; miolo irrepreensível
60,00 eur

Reúne aqui o Autor o melhor da sua produção poética, abrangendo os excepcionais livros As Mãos e os Frutos, Os Amantes Sem Dinheiro, As Palavras Interditas, Até Amanhã, Coração do Dia e Mar de Setembro. O magnífico ensaio do filósofo Eduardo Lourenço constitui a introdução à leitura que qualquer poeta desejaria.


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Variações Sobre um Corpo


EUGÉNIO DE ANDRADE, org.
desenhos de José Rodrigues
capa e direcção gráfica de Armando Alves

Porto, 1973
Editorial Inova sarl
2.ª edição
22,4 cm x 14,5 cm
92 págs. + 8 págs. (não numeradas)
subtítulo: Antologia de Poesia Erótica Contemporânea
exemplar estimado; miolo limpo
20,00 eur

Antologia com algumas diferenças relativamente à sua edição primitiva – para além da mudança de formato, por exemplo, foi suprimido o poema de Sophia... –, abre com Fernando Pessoa e fecha com Nuno Guimarães, numa panorâmica que abrange os nomes cimeiros de quase um século poético, a saber: Mário de Sá-Carneiro, Irene Lisboa, José Régio, António Botto, Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena, Egito Gonçalves, Eugénio (ele mesmo), Natália Correia, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, David Mourão-Ferreira, Fernando Guimarães, João Rui de Sousa, Alberto de Lacerda, José Terra, Herberto Helder, José Bento, Pedro Tamen, M. S. Lourenço, Maria Teresa Horta, Armando da Silva Carvalho e Fiama Hasse Pais Brandão.
Um exemplo ao acaso, de Natália Correia:

«COSMOCÓPULA

O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso de água
da tua língua demasiada e lenta

dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro».


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Segunda-feira, Julho 18, 2011

Thermas de Caldellas (1901-1902)


JOÃO NOVAES

Caldelas, 1903
Emprezarios – Coelho & C.ª
1.ª edição
20,1 cm x 11,3 cm
100 págs. + 1 folha desdobrável em extra-texto (mapa da região)
subtítulo: Therapeutica Hydro-Mineral
capa impressa sobre cartolina de fantasia imitação de pele de réptil
acabamento com cantos arredondados
exemplar com muito restauro nas capa, contracapa e lombada; miolo limpo mas homogeneamente oxidado
20,00 eur

Livrinho destinado «[...] a duas ordens de leitores – medicos e aquistas – tem, para ser util a ambos de elucidar os primeiros sobre a indicação thermal de Caldellas, e ensinar os ultimos tanto quanto possivel, na pratica do tratamento hydrologico. [...]»


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Sábado, Julho 16, 2011

Poesias


FAUSTINO XAVIER DE NOVAES

Porto / Braga, 1879
Livraria Internacional de Ernesto Chardron e Eugenio Chardron
[3.ª edição]
21,5 cm x 13,8 cm
352 págs.
subtítulo: Publicadas por Antonio Moutinho de Sousa
discreta encadernção editorial em tela com ferros a ouro, ao espírito da época
composto manualmente, com todas as aberturas de poema encabeçadas por elegante vinheta; ante-rosto e rosto impressos a duas cores
exemplar em bom estado, com raras e ligeiras manchas de envelhecimento do papel; assinatura de posse na folha de rosto
30,00 eur

Poeta romântico, que no quadro desta corrente literária fundou no Porto a folha de poesia O Bardo. Cultivou a sátira – o que constitui uma raridade entre congéneres –, e isto de tal maneira que até Camilo Castelo Branco, intelectual nada mesmo de boa boca, o elogiou em Carta que figura, de abertura, num outro volume da obra do vate:
«[...] Ha oito annos que te vi entrar no inferno das letras: já eu cá estava, quando vieste todo encolhido, e como que arrependido de haver pactuado com o demonio a troca d’uma perspectiva de commendador pelo alvará de poeta satyrico, que te fôra lavrado por Nicolau Tolentino, secretario perpetuo da academia infernal, onde fôras proposto socio pelo inimigo do deão de Evora, que está no céo (o deão) e mais o seu hyssope.
Quando te vi assim tranzido de susto, balbuciando a medo as primeiras imprecações satânicas contra os barões, e algumas até contra o genero humano, cuidei em te animar com não sei que ameigadoras esperanças de conseguires um dia o teu resgate, como S. Gil de Santarém.
Este S. Gil era um bruxo, que comprára a preço de sua alma philtros com que enfeitiçava as moças.
Tu, peor que o santo do Riba-Tejo, embruxavas as moças com certos versos que nunca publicaste, e atenazavas as velhas arreitadas com a galhofenta satyra, e punhas causticos nos peitos dos velhos opilados de coração, e obrigavas a fallar as baronezas menos correctamente que o Casti fizera fallar as tartarugas, e enfiavas a cabeça dos condignos maridos, afóra as orelhas – que isso não eras tu capaz de encarapuçar – em barretes com o nome da victima, e demais a mais com um fartum a raposinho que não podia falhar.
Eras o diabo! [...]
Dize ao seculo XXII o que era esta gente, que eu faço por cá em prosa um arremedo da tua poesia.
Se disserem que havemos de assistir aos funeraes da nossa reputação, deixa fallar os despeitados e os tolos illuminados.
Antes de assistirmos aos responsorios funebres que nos agouram os praguentos, havemos de enterrar muito lorpa, se Deus quizer. [...]»


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Itinerário Histórico da Poesia Portuguesa – De 1189 a 1964


JOÃO GASPAR SIMÕES

Lisboa, 1964
Editora Arcádia Limitada
1.ª edição
18 cm x 10,5 cm
404 págs.
colecção BAB
exemplar em bom estado
17,00 eur

Trata-se de uma síntese a que Gaspar Simões procedeu a partir da sua própria obra, de 1958, a História da Poesia Portuguesa.
De grande interesse para estudo e confronto com algumas falsas ideias hoje correntes.


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A Nova Poesia Brasileira


org. ALBERTO DA COSTA E SILVA
nota de abertura de Fanor Cumplido Júnior


Lisboa, 1960
Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil em Lisboa
1.ª edição
28,3 cm x 19,3 cm
292 págs.
pontualmente (págs. 127, 130 e 270), gralhas tipográficas emendadas a tinta
exemplar em bom estado
25,00 eur

No presente, em que parece haver por cá uma revalorização do vanguardismo concretista, pode ser interessante rever-se o contexto em que alguns seus titulares brasileiros se encaixavam nos finais dos anos 50 relativamente à tradição lírica. Toda a turma de Décio Pignatari, os irmãos Campos (Augusto e Haroldo), Lino Grunewald e outros se encontra aí a pulsar entre os Lêdos Ivos e os Aluízios Medeiros...


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Adolescente Agrilhoado


JOSÉ MARMELO E SILVA

Lisboa, 1958
Editora Arcádia Limitada
nova versão [de Adolescente, 1948]
17,6 cm x 10,8 cm
128 págs.
capa de Victor Palla
é o n.º 5 dos livros de bolso Colecção Autores Portugueses
exemplar em bom estado
17,00 eur

Fala-nos o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses (vol. IV, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1998) do «choque provocado por Adolescente Agrilhoado (denúncia vigorosa da crueldade disciplinar nos seminários), [...] testemunhos exemplares da repressão sexual exercida pelas estruturas de poder – familiar, eclesiástico – sobre os adolescentes dos anos 30-40. Um estilo brilhante acabaria por justificar o apreço geral pela sua obra [...].»


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Quarta-feira, Julho 06, 2011

Diário da Viagem Presidencial às Províncias de Guiné e Cabo Verde em 1955


RODRIGUES MATIAS, coord.
capa de Moura

Lisboa, 1956 [1957]
Agência Geral do Ultramar – Divisão de Publicações e Biblioteca
1.ª edição
2 volumes (completo)
25,6 cm x 19,7 cm
[320 págs. + 1 folha (cromo) em extra-texto + 40 págs. em extra-texto] + [304 págs. + 36 págs. em extra-texto]
miolo impresso a duas cores, extra-textos fotográficos impressos em rotogravura
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo
135,00 eur

O presidente «de todos os portugueses» era na altura o general Francisco Higino Craveiro Lopes, o ministro da tutela o comandante Sarmento Rodrigues. Para lá seguiram de avião, para cá vieram de navio.


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Terça-feira, Julho 05, 2011

Poesia Portuguesa do Pós-Guerra, 1945-1965


AFONSO CAUTELA
SERAFIM FERREIRA
, orgs.


Lisboa, 1965
Editora Ulisseia
1.ª edição [única]
18,1 cm x 10,4 cm
XVIII págs. + 428 págs.
orientação gráfica do pintor Espiga Pinto
com sobrecapa em papel de alcatrão
é o n.º 8 da prestigiada Colecção Poesia e Ensaio
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
50,00 eur

Antologia proibida pelo Estado Novo (ver Livros Proibidos no Estado Novo, Assembleia da República, Lisboa, 2005), a sua enorme importância adveio do seu confronto subterrâneo com a de E. M. de Melo e Castro / Maria Alberta Menéres, Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, que já ia em 2.ª edição (1961) sem que alguém tivesse proposto melhor. É interessantíssimo compará-las porque, apesar da sobreposição de muitos dos autores, as escolhas dentro das obras deles devolve-nos uma outra inquietação social. Vitor Silva Tavares, que dirigia então os destinos culturais da Ulisseia, pode, também por aqui, orgulhar-se do seu legado.


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Sábado, Julho 02, 2011

Antologia da Poesia do Período Barroco


NATÁLIA CORREIA, selec., introd. e notas
[capa de José Escada]

Lisboa, 1982
Moraes Editores
1.ª edição
20,1 cm x 15,4 cm
344 págs.
da prestigiada colecção Círculo de Poesia
exemplar novo
45,00 eur

Do lúcido prefácio da organizadora:
«[...] O culto da obscuridade – uma poesia que se oculta para seduzir – concorre para imprimir à poesia de Seiscentos esse carácter minoritário em que alguns críticos vêem o código de uma elite intelectual espanholizada, hostil ao paladar do povo. Uma poesia, portanto, impopular? Sim e não. Impopular na medida em que a retórica cultista sobrecarrega essa poesia de virtuosismos que reduzem a sua comunicabilidade a uma esfera de iniciados. Observe-se contudo, que este círculo mais hermético onde se apertam as malhas do tecido da literatura barroca não é um exclusivo da poesia seiscentista. [...]
Restringir a poesia da época barroca a um ensimesmamento aristocrático releva de uma restrição crítica que valoriza a leitura histórico-literária em detrimento de uma leitura poética, a única que permite autentificar, mesmo no quadro mais hermético da poemática cultista, fulgurações de um entusiasmo e engenho líricos que nos contagia e seduz, amortecendo a nossa prévia resistência a uma fachada aristocrática que, franqueada a entrada, se simplifica e justifica como introdução no mundo de surpresas e revelações que o interior nos reserva. Estranheza semântica? Sem dúvida, mas funcional, ou seja, com função de extrair um sentido de combinações inusitadas, e não “arte pela arte” como sentenciam as avaliações crítico-racionalistas da perceptiva extrapoética.
Quem rasgar os horizontes da poesia barroca, com olhos limpidamente poéticos, colherá momentos de grande poesia, apenas prejudicada por um estilo comum que, à distância, homogeniza a família barroca como acontece com o lirismo galego-português onde a diferenciação se faz pela qualidade. [...]»


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As Maçãs de Orestes

NATÁLIA CORREIA
capa de Fernando Felgueiras

Lisboa, 1970
Publicações Dom Quixote
1.ª edição (nesta forma antológica)
18,2 cm x 11 cm
128 págs.
exemplar como novo
carimbo de «oferta do editor» na pág. 3
80,00 eur

Reunião de uma escolha de poemas vindos dos seus livros originais Dimensão Encontrada, Passaporte, Cântico do País Emerso, O Vinho e a Lira e Mátria, assim como três significativos inéditos. Da sua criação literária dizem Virgílio Martinho e Ernesto Sampaio, organizadores da Antologia do Humor Negro (Edições «Afrodite» de Fernando Ribeiro de Melo, Lisboa, 1969):
«[...] Poetisa que entende a poesia como “substância mágica desorbitada da sua funcionalidade primitiva”, como meio de aprofundar o mistério da vida e de recriar o mundo, desmistifica na sua obra as solicitações do espírito tendentes a des-sexualizar um universo inteiramente erotizado, a substituir o objecto e o desejo que o descobre por uma espécie de oração inarticulada às Ausências perfeitas, de fuga à terra ou voo nos espaços abstractos de um absoluto improvável. A poesia de Natália Correia, bem terrena e carnal, caracteriza-se assim por um deslumbramento perante a força prodigiosa do Eros na síntese e conciliação de todos os contrários, na plena humanização da vida. [...]»


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Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica


NATÁLIA CORREIA, selecção, pref. e notas
ilustrações do pintor Cruzeiro Seixas
badanas de Luiz Francisco Rebello e David Mourão-Ferreira

Lisboa, s.d. [1965]
Afrodite (Fernando Ribeiro de Mello)
1.ª edição
19,1 cm x 12,7 cm
552 págs. + 6 folhas em extratexto
subtítulo: Dos Cancioneiros Medievais à Actualidade
impresso sobre papel superior
capa impressa a prateado e relevo seco sobre cartolina de fantasia a imitar de tela
exemplar n.º 401 da tiragem especial de 500 exemplares rubricados (carimbo) pela Autora
exemplar manuseado mas aceitável, com manchas na capa e nas duas primeiras folhas
peça de colecção
180,00 eur

Livro proibido durante o Estado Novo. Da imprensa da época (Diário de Lisboa, 8 de Janeiro, 1970):
«Julgamento de Escritores por Motivo da Publicação de um Livro Tido por Imoral – No banco dos réus estão, esta tarde, no Plenário Criminal da Boa Hora, os escritores e poetas Mário Cesariny de Vasconcelos, Luís Pacheco, José Carlos Ary dos Santos e Natália Correia e, ainda, o comerciante Fernando Ribeiro de Melo, o empregado de escritório Francisco Marques Esteves e o técnico têxtil Ernesto Geraldes de Melo e Castro, como presumíveis delinquentes no processo movido pelo Ministério Público, em consequência da publicação do livro “Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica”, a qual foi considerada “abuso de liberdade de Imprensa”.
Segundo a acusação, o livro [...] inclui algumas poesias que “ofendem o pudor geral, a decência e os bons costumes”.
Na tribuma do Ministério Público, toma lugar o dr. Costa Saraiva, ajudante do procurador da República; como patronos dos acusados, intervêm os drs. João da Palma Carlos, Luso Soares, José Vera Jardim, Francisco Vicente, Salgado Zenha e António de Sousa.»


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Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica


NATÁLIA CORREIA, selecção, pref. e notas
badanas de Luiz Francisco Rebello e David Mourão-Ferreira

Rio de Janeiro, s.d. [Lisboa, 1965]
F. A. Edições S. A.
1.ª edição
19,1 cm x 12,5 cm
552 págs.
subtítulo: Dos Cancioneiros Medievais à Actualidade
capa impressa a cinza e relevo seco
exemplar manuseado mas aceitável, sujidade na capa; miolo limpo por abrir
60,00 eur

Trata-se da edição pirata, à revelia do seu verdadeiro editor, realizada por um já falecido alfarrabista de Lisboa. Carece dos desenhos de Cruzeiro Seixas, que ilustravam a edição da Afrodite de Fernando Ribeiro de Mello; mas, para todos os efeitos, foi esta tiragem de circulação clandestina que mais leitores captou, dado a polícia política ter apreendido a legítima.


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Sexta-feira, Julho 01, 2011

Botelho [catálogo]



MANUEL BOTELHO
SENA DA SILVA

et alli

Lisboa, 1989
Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian
1.ª edição
28 cm x 24 cm (álbum)
196 págs. (não numeradas)
profusamente ilustrado a preto e branco e a cor
exemplar como novo, sem qualquer sinal de quebra na lombada
70,00 eur

Carlos Botelho, importante caricaturista e pintor dos costumes e da cidade de Lisboa. O suave leque cromático da sua paleta influenciará pintores menores como Tom, assim como da sua grelha estrutural do casario sairá uma Maluda. No vertente catálogo, que está longe de ser representativo do legado da sua obra, encontramos, por outro lado, uma imprescindível cronologia biográfica.


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Genocídio Contra Portugal [junto com] Death on the march in Angola




[ANÓNIMO]

[s.l., s.d., s.i. (ambos)]
[a) 23 cm x 16 cm] + [b) 22,5 cm x 16 cm]
a) 12 págs.
b) 16 págs. + 1 cinta [que originalmente selava de olhares indiscretos as chocantes imagens das págs. 7 à 16]
profusamente ilustrados
acabamentos com um ponto em arame
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo
45,00 eur

Panfleto de denúncia pela imagem, dos acontecimentos que, no início de 1961, desencadearam a guerra colonial em Angola. Os textos de apresentação divergem, sendo que pretendiam sensibilizar interlocutores com diversa experiência colonial.
Irene Flunser Pimentel, na sua página electrónica, volvidas as paixões da época e do ponto de vista neutro da actual sociedade democrática,  historia os acontecimentos assim:
«[...] Em 15 de Março, a partir da fronteira e da região dos Dembos, membros das tribos Bakong empreenderam uma insurreição que alastrou aos distritos de Luanda, Cuanza-norte, Malange, Uíge e Zaire, tendo sido massacrados dezenas de colonos brancos. Os acontecimentos relatados pela imprensa nacional e internacional causaram profunda emoção na opinião pública portuguesa, sendo atribuída a responsabilidade dessas acções à União dos Povos de Angola (UPA), de Holden Roberto. [...]»
O vertente documento fotográfico mostra como a dita matança contemplou brancos e negros aliados do homem branco (ou de outras tribos), mulheres (grávidas, inclusivamente), novos, velhos e crianças, numa profusão de carnificina gratuita, somente possível num lugar do mundo onde o ajuste de contas rácico há muito se fazia esperar. Mais nos diz o texto anónimo de propaganda, que serve de introdução às imagens, que a dita insurreição foi teleguiada por Lumumba a partir do Congo, ao serviço do comunismo. Percebe-se que o país dos “brandos costumes” não estivesse preparado para um afrontamento militar desta natureza guerrilheira; não se percebe a ignorância do governo central quanto às reais condições de vida dos colonos no terreno, fora do paraíso urbano costeiro, a Luanda de então. Era ministro do Ultramar, no Continente, o senhor Adriano Moreira...

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