Sábado, Dezembro 31, 2011

Pátria, Lugar de Exílio


DANIEL FILIPE

[Lisboa], s.d. [1963]
[ed. do Autor]
1.ª edição
19,4 cm x 13,3 cm
80 págs.
sobrecapa de Pilo da Silva
subtítulo: Poesia em Tempo de Guerra
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
35,00 eur

Nascido em Cabo Verde e aí tendo falecido com menos de 40 anos de idade, são ainda hoje do reconhecimento de toda uma geração de combatentes anti-fascistas as suas qualidades de resistência aos interrogatórios da polícia política do Estado Novo. A sua vida de poeta, essa passou-a entre nós, no continente. Companheiro de escritores com preocupações de intervenção social, ajudou Egito Gonçalves a fundar e dirigir os caderninhos Notícias do Bloqueio – Fascículos de Poesia.


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O Manuscrito na Garrafa


DANIEL FILIPE

Lisboa, 1960
Guimarães Editores
1.ª edição [única]
16,7 cm x 11,4 cm
160 págs.
exemplar como novo, por abrir
peça de colecção
50,00 eur

Novela do já então basto conhecido poeta. A polícia política não se fez esperar para apreender os livros (fonte internet: José Brandão, Os Livros e a Censura em Portugal – Livros Proibidos nos Últimos Tempos da Ditadura).


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Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Ribatejo




CALDERON DINIZ
capa de Santos de Almeida
desenhos do autor e de Oskar Pinto Lobo


Lisboa, 1964
Editorial de Publicações Turísticas
1.ª edição
16,7 cm x 12,2 cm
136 págs.
profusamente ilustrado, miolo impresso a cor e preto e branco em rotogravura
exemplar como novo
17,00 eur

Breviário turístico em cinco línguas (português, francês, inglês, alemão e espanhol).


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Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Olímpio


aa.vv.

Lisboa, 2008
Diatribe
1.ª edição [única]
21 cm x 14,8 cm
72 págs.
ilustrado
exemplar como novo
13,50 eur

O ofício das artes gráficas, na era da paginação computorizada, teve no falecido Olímpio Ferreira um cuidadoso operário. Que partiu demasiado cedo. O seu legado estende-se, pelo menos, por três casas editoras de referência: a & etc, a Cotovia e a Averno. No vertente conjunto de colaborações literárias e gráficas prestam homenagem à memória da sua amizade, entre muitos outros, Vitor Silva Tavares, Silvina Rodrigues Lopes, Paulo da Costa Domingos, Manuel de Freitas, Luis Manuel Gaspar, Jorge Silva Melo, João Paulo Cotrim, Carlos Nogueira, Carlos Ferreiro, etc.


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O Medo


AL BERTO
capa de Paulo Nozolino

Lisboa, 1991
Contexto / Círculo de Leitores
2.ª edição (revista e acrescentada)
24,4 cm x 15,7 cm
592 págs.
cartonagem editorial
exemplar muito estimado; miolo limpo
assinatura de posse na folha de ante-rosto
120,00 eur

Esta edição naturalmente actualiza a anterior, de 1987, do mesmo modo que rectifica pontuais gralhas tipográficas e repõe um poema omisso por lapso, «eras novo ainda». Nesta altura, Al Berto, já então autor no catálogo da editora frenesi com três títulos autónomos, respirava a adulação própria de um prémio literário atribuído pelo PEN-Clube nacional, em detrimento de outra grande escritora a concurso – Fiama Hasse Pais Brandão.


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Horto de Incêndio


AL BERTO
capa de Paulo Nozolino

Lisboa, 1997
Assírio & Alvim
1.ª edição
20,5 cm x 13,6 cm
80 págs.
corte das folhas carminado a negro
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse na folha de ante-rosto
45,00 eur

Trata-se do último livro publicado em vida do Autor, conjunto de versos que inclui o magnífico Morte de Rimbaud Dita em Voz Alta no Coliseu de Lisboa, a 20 de Novembro de 1996 – resultado de uma sua colaboração em espectáculo com João Peste, Rui Reininho, Sérgio Godinho e Jorge Palma.


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O Medo


AL BERTO

Lisboa, 1997
Assírio & Alvim
3.ª edição (1.ª póstuma, acrescentada)
24,1 cm x 16 cm
640 págs.
verso da capa e folhas de ante-rosto e fecho impressos a negro
apara carminada
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
80,00 eur

O editor, ao cobrir de glória o recente falecimento do Autor, não somente “esqueceu” que a fotografia de capa nas edições anteriores é indissociável da obra de Al Berto, como não resistiu à tentação beata de pintar o corte das folhas do livro a roxo... É de sublinhar, todavia, o interesse em ir acompanhando as suas sucessivas edições desde a princeps na Contexto dez anos antes, posto que todas foram sendo sempre acrescidas dos versos entretanto surgidos em publicações autónomas.


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O Livro dos Regressos [junto com] Al Berto na Casa Fernando Pessoa





AL BERTO

Lisboa, 1989 e 1997
frenesi [livro] / Movieplay [compact digital audio]
1.ª edição (ambos)
[19 cm x 13 cm] + [12,5 cm x 14,2 cm]
32 págs. + 28m : 50s
livro: capa de Helder Lage (foto); vinheta sobre fóssil de hipocampo e layout de pcd
disco: capa de Luísa Ferreira (foto); desdobrável desenhado por vpcd.sign
tiragem [declarada no livro] de 500 exemplares, sendo a do disco tiragem única
caderno com 2 pontos de arame, com o corte pintado da mesma cor da cartolina da capa
exemplares novos
150,00 eur

Foi o livro de regresso do Autor à poesia após a publicação da prosa Lunário, e de regresso temático à infância, aonde na infância o rebelde viria a nidificar. E é de um género poético contido, menos comum no decurso da sua obra, que sempre sem excepção fez a prova da leitura frente a um público. Al Berto veio a falecer prematuramente em 1997, pelo que a edição da sua voz em disco constituiu, por parte dos amigos mais próximos, uma merecida homenagem e o reparar de uma falta – por tratar-se de um escritor de certo modo na linhagem dos primevos bardos.
Posteriormente, o núcleo de poemas lidos pelo Autor na gravação, que constitui uma antologia pessoal e que se encontra transcrito na íntegra no desdobrável que acompanha o disco, foi copiado para livro e comercializado por um editor oportunista.


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Luminoso Afogado



AL BERTO
ROSA CARVALHO
(desenhos)


Lisboa, 1995
Casa Fernando Pessoa / Edições Salamandra
1.ª edição [única]
22,5 cm x 21 cm
60 págs.
fotografia do autor: Adriana Freire
exemplar como novo
25,00 eur

Longo texto poético – «E se a morte te esquecesse? [...]», etc. – seguido de 17 desenhos a carvão. Corresponde ao período alto de internacionalização deste já falecido poeta, que foi para os da sua geração etária uma espécie de adido cultural.


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Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Escrever


VERGÍLIO FERREIRA
edição de Helder Godinho

Lisboa, 2001
Bertrand Editora
1.ª edição
21 cm x 14 cm
284 págs.
texto revisto por Luís Milheiros
exemplar como novo
35,00 eur

Conjunto de textos com carácter epigramático, que Vergílio Ferreira deixou inéditos e, dalgum modo, não dados como definitivos para publicação. O correcto trabalho de compilação e leitura do manuscrito, levado a cabo por Godinho, faculta-nos uma limpa e clara abordagem do pensamento do romancista.
Uma passagem, a título de exemplo:
«É imensa a presunção do homem. E é decerto por isso que os seus maus cheiros cheiram mal aos outros mas não lhe cheiram mal a ele. Como os antigos já tinham anotado.»


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Cântico Final


VERGÍLIO FERREIRA
sobrecapa do pintor surrealista [Marcelino] Vespeira

Lisboa, 1959
Editora Ulisseia, Limitada
1.ª edição
20,3 cm x 13,7 cm
2 págs. + 224 págs.
capa impressa a preto e relevo seco
sobrecapa a cor, ligeiramente gasta ao longo dos bordos superior e inferior
exemplar como novo; miolo irrepreensível
75,00 eur

Romance de reflexão fortemente existencialista, a que a adapção cinematográfica de Manuel Guimarães (com montagem final do seu filho Dórdio Guimarães, por morte do realizador) não fez justiça. Não por acaso Vergílio referiu, no seu Conta-Corrente, que de um filme assim «difícil» só poderia sair algo «Ou [...] bom ou péssimo. Deste livro não se pode extrair um filme simplesmente “razoável”. Só um Ingmar Bergman estaria à altura de. Bom. [...]»


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Em Nome da Terra


VERGÍLIO FERREIRA

Lisboa, 1990
Bertrand Editora
1.ª edição
20,9 cm x 13,9 cm
296 págs.
exemplar manuseado, miolo limpo
40,00 eur

É o romance em que o Autor mais detalhadamente se interroga acerca do envelhecimento e da morte pessoal: «[...] e sinto que há gente ainda dentro de mim, o corpo habitado. Mas o desprendimento há-de acontecer. É difícil, mas há-de. O desprendimento é um misticismo ao contrário – ocorreu-me agora isto, não o entendi ainda bem. Porque o máximo da união é o dos místicos, minha Mónica, eles passam-se todos para o lado de Deus. Hei-de passar todo para o lado de mim. Ainda lá não estou, mas vou estar. [...]»


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Até ao Fim


VERGÍLIO FERREIRA

Venda Nova, 1987
Bertrand Editora
1.ª edição
21 cm x 14,1 cm
274 págs.
exemplar como novo, sem qualquer quebra na lombada
35,00 eur

Livro que motivou a atribuição do Grande Prémio de Novela e Romance da Associação Portuguesa de Escritores. Dizem-nos os autores de Vergílio Ferreira – Fotobiografia, Helder Godinho / Serafim Ferreira (Bertrand Editora, s.l., 1993):
«[...] Os três romances de Vergílio Ferreira, Para Sempre, Até ao Fim e Em Nome da Terra, usam a tensão entre a juventude e a velhice para, sobre este reino da mudança e da degradação, mostrarem a presença da Ordem [Universal] que tudo subsume e igualiza, e contêm uma pergunta implícita: onde sou eu, qual o lugar onde eu sou e permaneço por sobre toda a mudança? [...]»


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Apelo da Noite


VERGÍLIO FERREIRA

Lisboa, 1963
Portugália Editora
1.ª edição
19,2 cm x 13,4 cm
280 págs.
capa de João da Câmara Leme
exemplar manuseado mas aceitável
assinatura de posse e data na pág. 9
40,00 eur

Do notável Posfácio do autor:
«[...] E eis que a arte conquista assim, no mundo de hoje, uma necessidade imprevista, uma viru­lência única. Por sobre todos os terrorismos, no silêncio final de cada hora que nos espera a todos, se nos não esquecemos, ela ergue a sua voz da vitória de nós próprios, da vitória da verdade que os “astros” para nós “conjugaram”, da iluminação da certeza que nenhuma estratégia pode disfarçar. Mundo da liberdade, porque da criação, da autenticidade, mundo da evidência, porque da convicção, mundo da conquista, porque da invenção das origens – ela revela-se ainda, quantas vezes na dor, o mundo da moralidade, ou da santidade, porque da assunção iluminada de nós próprios, e dos graves riscos disso. Que a arte seja para o artista um “ponto de chegada” [...], e um “ponto de partida” quando muito para os outros – é uma questão que fica à margem da própria arte. Que um homem actue depois de ver, é um problema do homem, não um impedimento da arte. E no entanto, sim, alguma coisa na arte se transcende do imediato para lhe descobrir a verdade primeira e para assumir esse imediato no que lhe é humano. Um crime em arte não é menos crime. Somente pode acontecer, sim, que deixe aí de nos falar ao ódio, para nos falar ao remorso e à piedade; somente pode acontecer que em vez de odiarmos aí os homens, tenhamos pena do Homem. Mas será então longa a distância que vai da arte à justiça, ao amor, à fraternidade? Se o fosse, seria fácil construir uma grande obra de arte sobre a injustiça. Mas ninguém a construiu ainda – alguém já no-lo lembrou...»


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Aparição


VERGÍLIO FERREIRA
capa de Sebastião Rodrigues

Lisboa, 1960 (Junho)
Portugália Editora
2.ª edição
19,3 cm x 13 cm
292 págs.
exemplar muito estimado
50,00 eur

Segundo João Gaspar Simões, em palavras suas que o editor puxou para a badana, este romance é um caso «[...] tão extraordinário que vale a pena compará-lo com o desse outro romance a que a nossa literatura deve a implantação do realismo em Portugal. De facto, na minha opinião, a “réussite” de Vergílio Ferreira só é comparável com a de Eça de Queirós ao escrever a primeira versão de O Crime do Padre Amaro
Do livro, uma passagem:
«[...] Acendo um cigarro, fico-me a olhar o incêndio. Lembra-me imagens da guerra, de cidades bombardeadas. Alguém deve ir pegando o fogo por sectores, estabelecendo linhas de chamas que o vento vai impelindo. O campo arde vastamente, como numa destruição universal. Quase ouço o crepitar das chamas como o fervor final de uma inundação. Sinto-me só e nu, escapado ao desastre. Mas esta nudez que eu algum dia julguei possivelmente coberta pela compreensão dos outros, esta redução extrema às minhas raízes, esta solidão inicial de quem não pode esquecer a sua pobre condição é o sinal humilde e amigo de que à vida que me deram a não repudiei, de que cuidei dela, a não perdi, a levo comigo nesta viagem breve, a aceito ao meu olhar de fraternidade e perdão... A noite avança, a minha cidade arde sempre. Vou fundar outra noutro lado. Mas não sabia eu que ela devia arder? Acaso será possível construir uma cidade como a imagino, a Cidade do Homem? Acaso não dura ela em mim, no meu sonho, apenas porque a penso sem consequências, a imagino, a não vivo, lhe não exijo responsabilidades? Não o sei, não o sei...»


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Aparição


VERGÍLIO FERREIRA

Lisboa, 1960 (Novembro)
Portugália Editora
3.º edição
19,3 cm x 13 cm
272 págs.
capa de Sebastião Rodrigues
exemplar estimado, com uma sombra da assinatura de posse na página que antecede o ante-rosto e ligeira mancha de humidade nas duas últimas folhas
30,00 eur



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Terça-feira, Dezembro 20, 2011

As Três Missas Rezadas


ALPHONSE DAUDET
trad. Nataniel Costa
desenhos de Manuel Lapa

Lisboa, 1963
Estudios Cor
[1.ª edição]
19,3 cm x 12 cm
32 págs.
exemplar estimado; miolo limpo, por abrir
17,00 eur



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As Boas Intenções


AUGUSTO ABELAIRA
capa de José Cândido

s.l. / s.d. [1963]
Livraria Bertrand, S.A.R.L.
1.ª edição
19 cm x 12,5 cm
exemplar por abrir, embora a capa se apresente um pouco gasta nas dobras da lombada com especial incidência no lado da contracapa
30,00 eur

Da nota de badana:
«[...] romance que decorre nas vésperas da República.
Assistimos à aventura espiritual de três jovens – e de outros, menos jovens – à procura do sentido da vida e da acção, quer através de uma verdade interior egoìsticamente conseguida, quer através de uma alienação lúcida – talvez até demasiado lúcida – a favor da comunidade.
Estas páginas de invulgar sagacidade exploram, com um sorriso amargo, os pequenos mecanismos da História, os motivos, ambições e esperanças de cada um, o papel subterrâneo da vaidade, do egoísmo e das nossas ilusões, bem como o valor pragmático da intervenção do indivíduo na marcha do mundo. [...]»


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Bolor


AUGUSTO ABELAIRA

Venda Nova – Amadora, s.d. [1968]
Livraria Bertrand
1.ª edição
19 cm x 12,4 cm
196 págs.
exemplar bem conservado
30,00 eur

Aplaudido à época como «o melhor romance português de 68» (Manuel Poppe), e mesmo «talvez o mais belo, o mais profundo, o mais lúcido e o mais generoso dos romances» do Autor, pode ainda hoje ser lido objectivamente como exemplo «de uma vida conjugal onde já desapareceu todo (ou quase todo) o encanto das máscaras juvenis» (Óscar Lopes) – e o exemplo não perdeu sequer actualidade...


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Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Uma Aventura Inquietante


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de Infante do Carmo

Lisboa, 1958
Iniciativas Editoriais
1.ª edição
19,3 cm x 14,9 cm
324 págs.
exemplar como novo, por abrir
70,00 eur

Das notáveis notas finais do Autor:
«[...] Não tencionava reformar o mundo nem sublevar as almas. Queria, a par disso, e fugindo às tintas sombrias da Páscoa [Feliz], fazer a sátira do burguês solitário, comodista e misógino (que dormita no fundo de tantos homens), procurando levá-lo a tirar-se das dificuldades e contradições do seu carácter específico, sem o aniquilar. É sempre este “burguês” que eu persigo implacàvelmente, com riso e simpatia, através das minhas Reflexões.
Mordeu-me, desde logo, um escrúpulo: Eu era um universitário classificado, ex-bolseiro lá fora, de pedagogias e psicologias, orador conhecido, colaborador de revistas de doutrina e crítica, homem de “ideias” convicto, desinteressado e sem temor, ungido de renúncia, impermeável às tentações do Baal, e como tal condenado a subir risonhamente o meu calvário, para edificação e gozo da plateia. Um mártir em perspectiva, digamos. E além disso, uma promessa literária.
Como podia eu oxidar uma tão bela reputação de homem grave e responsável, com planos de reforma e salvação nos bolsos, voluntário da auto-imolação indispensável à tranquilidade geral das consciências, – rebaixando-me a escrever uma novela de imaginação sem qualquer “mensagem” visível, sem programa nem panfleto, e ainda por cima com um Fim Feliz?... Na nossa sociedade não pode haver um Fim Feliz, nem mesmo para um burguês da raça de Zacarias.
Não haveria nisso uma quase traição ou deserção, o renegar duma vida, duma vocação, duma responsabilidade? uma fatal contradição comigo mesmo e com os meus leitores? Iria eu, também, lançar ópio nos miolos das gentes, servir-lhes gato por lebre? cooperar na Grande Burla?... Cavar enfim a minha própria ruína, e atrasar o relógio da História por sete­centos escudos, um prato de lentilhas?...
Não era, decerto, uma novela policial ou de amor que esperavam de mim a meia dúzia de leitores sequiosos de mais intensos estímulos intelectuais. [...]»


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Uma Aventura Inquietante

JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de Infante do Carmo

Lisboa, 1958
Iniciativas Editoriais
1.ª edição
19,3 cm x 14,9 cm
324 págs.
exemplar muito bem conservado, miolo limpo
valorizado pela assinatura do Autor
90,00 eur



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Páscoa Feliz


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de Infante do Carmo

Lisboa, 1958
Editorial Estúdios Cor, Ld.ª
2.ª edição (edição definitiva [acrescida de um posfácio inédito])
19,5 cm x 14,4 cm
192 págs.
é o n.º 30 da Colecção Latitude, dirigida por Nataniel Costa
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
VALORIZADO PELA ASSINATURA DO AUTOR
60,00 eur

Recentemente, o catálogo de um leilão de manuscritos transcrevia significativas passagens de uma carta do Autor a David Mourão-Ferreira, datada de Nova Iorque, 17 de Dezembro, 1948 (dez anos, portanto, antes da vertente edição), em que Miguéis desabafava, depois de se referir a uma crítica amarga à sua escrita, na Seara Nova, assinada por Vergílio Ferreira:
«[...] Talvez não saibas que a Ática, que já tinha a 2.ª edição da Páscoa [Feliz] toda composta e revista (e impressas as gravuras hors-texte do Keil [do Amaral]), destruiu a edição, isto é, derreteu o metal! E já me tinham pago metade dos direitos de autor. [...]» (in Livraria Luís Burnay, Leilão de Manuscritos, Autógrafos, Fotografias e Efémera, Lisboa, 19 de Junho de 2010)
Tudo leva a crer que, até à publicação dessa referida crítica, o corpo expedicionário de afectos ao regime que dirigia a Ática não se tivesse apercebido ainda como o exilado escritor já gravitava na esfera dos ideais comunistas. A presente reedição revista vale pela sua novidade linguística e por passar uma esponja sobre o involuntário desleixo da anterior, assim referido por Miguéis no posfácio:
«[...] um próspero sindicato operário condescendeu em editá-la: na Páscoa de 1932, com uma ortografia atrabiliária, impressa em mau papel, e com o único chamariz da capa de Fred Kradolfer. Não se fizeram anúncios, não houve rádio-propaganda, nem dei entrevistas aos jornais. [...] Não pedi nem cobrei direitos de autor: o sacrifício era de regra para o escritor “interveniente”, ainda que nas veias lhe corresse, exclusivamente, o sangue de pedreiros, carpinteiros, oleiros e labregos. [...]»


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Páscoa Feliz


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de Luís Filipe de Abreu

Lisboa, 1965
Editorial Estúdios Cor, Lda.
3.ª edição
18,7 cm x 13,6 cm
184 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
20,00 eur



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Páscoa Feliz


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de K [Fred Kradolfer]

Lisboa, 1932
Edições Alfa
1.ª edição
19 cm x 13 cm
168 págs.
exemplar manuseado e com restauro tosco na lombada; miolo limpo
discreta assinatura de posse no bordo superior do frontispício
45,00 eur



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Léah


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
capa de Bernardo Marques

Lisboa, 1958
Editorial Estúdios Cor, Lda.
1.ª edição
19,3 cm x 14,4 cm
360 págs.
subtítulo: E outras histórias
é o n.º 24 da Colecção Latitude, dirigida por Nataniel Costa
exemplar em considerável estado de conservação, apenas a lombada apresenta fortes sinais da presença continuada da luz; contracapa com pequenas manchas
45,00 eur

Prolífico prosador, hoje posto de parte pelo gosto superficial do que é dado ler aos leitores, dele nos disse, por exemplo, Massaud Moisés:
«Eça, apesar de realista, está mais fora da realidade (no conto Singularidades duma Rapariga Loira) do que José Rodrigues Miguéis, atiçado pelo lirismo jacente no interior de uma história crua e trivial (Léah). [...]»
O vertente volume inclui, entre outros igualmente notáveis, o conto «Saudades para Dona Genciana», anteriormente publicado nas Iniciativas Editoriais.


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A Amargura dos Contrastes


JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS
edição de Vasco Rosa
capa de André Carrilho

Lisboa, 2004
O Independente
1.ª edição (em livro)
22,1 cm x 15,8 cm
176 págs.
encadernação editorial com sobrecapa
exemplar novo
20,00 eur

O trabalho editorial de escolha de textos representativos de um Autor e o seu alinhamento e respectivo enquadramento gráfico são um trabalho de respeito pela História passada, e precisão, em tudo similar ao de um relojoeiro: há que encaixar entre si todas as peças, sem atritos, sob pena de ficarmos perante um amontoado de tralha disfuncional. Vasco Rosa – por assim dizer, o compilador – é um caso no cumprimento de tais requisitos... e não unicamente no vertente livro, mas em todas as intervenções que dele conhecemos no vasto universo da edição literária por ele já tocado. Temos aqui, por exemplo, e para exemplo, uma recolha de materiais avulsos no lugar e no tempo deixados por Rodrigues Miguéis ao longo dos imensos anos de colaborações regulares ou pontuais, nas múltiplas publicações periódicas que lhe abriram as portas. Temos aqui algo que funciona como uma peça única linguística... de «amargura».


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Domingo, Dezembro 18, 2011

Critério – Revista Mensal de Cultura




Lisboa, Novembro de 1975 a Novembro de 1976
dir. João Palma-Ferreira e Alexandre O’Neill (até ao n.º 6)
dir. Cardoso Ferreira (n.º 7 e n.º 8)
colecção completa (8 números)
28 cm x 21 cm
8 x 64 págs.
exemplares irrepreensivelmente novos acondicionados em estojo próprio
210,00 eur

Colaboração, entre outros, de Vitorino Magalhães Godinho, Miguel Torga, António José Saraiva, Vergílio Ferreira, José Martins Garcia, Antonio Tabucchi, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, José-Augusto França, Vaclav Havel, Ruy Cinatti, Fraústo da Silva, David Mourão-Ferreira, Álvaro Guerra, Mário Cesariny, Orlando Ribeiro, João Gaspar Simões, Iva Delgado, Sophia de Mello Breyner Andresen, J. S. da Silva Dias, Helder Godinho, Carlo Vittorino Cattaneo, Nora Mitrani, etc.
Destaque para este embrião do que virá a ser a ideia de cultura dos socialistas.


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Sábado, Dezembro 17, 2011

Aden-Arábia


PAUL NIZAN
introd. Jean-Paul Sartre
trad. José Borrego

Lisboa, 1967
Editorial Estampa, Lda.
1.ª edição
21,7 cm x 15,5 cm
2 págs. + 208 págs.
capa impressa sobre cartolina martelada
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo, por abrir
discreta assinatura de posse na página de ante-rosto
30,00 eur

«Eu tinha vinte anos e não permitia a ninguém que dissesse ser essa a mais bela idade da vida.
Tudo ameaça com a ruína um jovem: o amor, as ideias, a perda da família, o ingresso entre os grandes. É muito duro obter a sua parte no mundo.
[...] Mais ou menos por toda a parte, havia gente nos campos e nos subúrbios: mas nós, olhávamo-nos para fazermos como os nossos mestres e os nossos pais, acocorados nos cantos, levantando-se às vezes para fazer rir os patrões, encomendar-lhes ilusões, argumentos ou justificações. Palhaços, cúmplices: ofícios do espírito. De tempos a tempos, pediam que fôssemos pacientes: o mundo iria em breve ser salvo. [...]
Imaginai: eis-nos deixados aos vinte anos num mundo inflexível, munidos de algumas artes de adorno: o grego, a lógica, um extenso vocabulário que nem sequer nos dá a ilusão de ver claro. Estamos perdidos na galeria das máquinas dos nossos pais, em que todos os recantos mal iluminados dissimulam recontros sangrentos, guerras nas colónias, terror branco nos Balkans, assassinatos americanos aplaudidos por todas as mãos francesas: a terrível hipocrisia dos homens do poder não chega para pôr um véu sobre a presença das desgraças que não compreendemos: sabemos somente que existem, que em qualquer lugar há sofrimento. Não nos digam que é para nosso bem. Não se contentem em acusar o destino, em fazer eternamente o gesto de Pilatos. [...]»
Assim abre aquela que é uma das mais pungentes narrativas de identificação geracional. Aquela que ficou como um cântico do mal-estar dos filhos da Segunda Guerra Mundial, maiormente verbalizado.


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Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

Elegia para um Caixão Vazio


BAPTISTA-BASTOS

Porto, 2001
Edições Asa
5.ª edição
20,2 cm x 13,3 cm
160 págs.
ilustração de João Machado
encadernação editorial
EXEMPLAR COM DEDICATÓRIA DO AUTOR AO CRÍTICO LITERÁRIO EDUARDO PRADO COELHO
em estado novo
conserva a cinta publicitária editorial
20,00 eur

Dedicatória blandiciosa. Para verdade, é de menos; para mentira, é de mais.


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Por Ahi Fóra


BRITO CAMACHO

Lisboa, 1916
Guimarães & C.ª – Editores
1.ª edição
19,4 cm x 13 cm
200 págs.
subtítulo: Notas de Viagem
composto manualmente
impresso sobre papel superior avergoado
exemplar estimado, com pequenos restauros na lombada; miolo limpo
25,00 eur



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Longe da Vista



BRITO CAMACHO

Lisboa, 1926
Livraria Editora Guimarães & C.ª
2.ª edição
19 cm x 12,4 cm
202 págs.
exemplar envelhecido pelo tempo, com pequeno restauro na lombada; miolo limpo
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
25,00 eur

Livro de comentários de uma viagem a Espanha, França e Itália, datado de 1918, altura em que o médico militar republicano e activista político fundador dos jornais de combate O Intrasigente e a A Lucta, e líder do Partido Unionista, começava a afastar-se da vida política. Tendo tido, durante o 5 de Outubro de 1910, um papel crucial na ligação entre os civis armados e o exército, e constando o seu nome, no ano seguinte, entre os signatários da importante Lei da Separação da Igreja do Estado, a crescente discordância quanto ao radicalismo presidencial de António José de Almeida leva-o ao progressivo abandono da militância.


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Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

The Rosicrucian Cosmo-Conception [junto com] The Effects of Suicide [junto com] recibo de assinatura da revista «Rosacruz»



MAX HEINDEL

Londres, 1971
L. N. Fowler & Co., Ltd.
26.ª edição
19,8 cm x 14,2 cm
[706 págs. + 5 folha em extra-texto] + [14,9 cm x 8 cm] + [10 cm x 15,5 cm (oblongo)]
volume ilustrado
encadernação editorial em tela impressa
exemplar em bom estado de conservação; limpo muito limpo
25,00 eur

Juntaram-se ao volume uma folha-volante estigmatizando o suicídio e um recibo de assinatura do boletim rosicruciano português, à data de Fevereiro de 1974, e autenticado pelo respectivo administrador Francisco Marques Rodrigues.


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The Rosicrucian Philosophy in Questions and Answers


MAX HEINDEL

Londres, s.d. [1922 ?] + 1947
L. N. Fowler & Co., Ltd.
volume I – 3.ª edição (7.ª tiragem)
volume II – 1.ª edição
2 volumes (completo)
19,8 cm x 14,2 cm
[432 págs. + 1 folha em extra-texto] + [608 págs. + 1 folha em extra-texto]
encadernação editorial em tela impressa
exemplares em bom estado de conservação, acusando o mais antigo algum desgaste cromático na lombada; limpo muito limpo em ambos
55,00 eur



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O Pensamento Criacionista


LEONARDO COIMBRA

Porto, 1915
Renascença Portuguesa
1.ª edição
19,3 cm x 12,2 cm
224 págs.
subtítulo: Lições efectuadas na Universidade Popular do Porto em Abril e Maio de 1914
composto manualmente
exemplar estimado; miolo limpo, parcialmente por abrir
35,00 eur



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Adoração


LEONARDO COIMBRA
desenhos de João Peralta

Porto, 1921
Renascença Portuguesa
1.ª edição
18,2 cm x 13 cm
128 págs.
subtítulo: Cânticos de Amor
ilustrado
todas as páginas impressas a duas cores sobre papel superior
exemplar manuseado mas aceitável; miolo limpo
assinatura de posse no canto superior direito da capa
27,00 eur



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O Problema da Filosofia Portuguesa


ÁLVARO RIBEIRO

Lisboa, 1943
Editorial “Inquérito” Limitada
[1.ª edição]
19,1 cm x 12,3 cm
80 págs.
composto manualmente em Elzevir
exemplar manuseado mas aceitável; miolo limpo
17,00 eur

Para além dos considerandos genéricos acerca da reflexão e do estudo filosóficos nacionais, em que Sampaio (Bruno), Fidelino de Figueiredo, Sant’Ana Dionísio e Leonardo Coimbra surgem como luminares, também, e nomeadamente, são aqui expressas as preocupações do Autor no que concerne o ensino da disciplina sob a alçada universitária.


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Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Pensamentos


[BLAISE] PASCAL
trad. e prefácio de Salette Tavares

capa de José Escada

Lisboa, 1959
Livraria Morais Editora
1.ª edição
20,3 cm x 15,7 cm
352 págs.
colecção Círculo do Humanismo Cristão
exemplar com a capa envelhecida; miolo limpo
17,00 eur




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O Imenso Adeus


RAYMOND CHANDLER
trad. Mário Henrique Leiria
capa de Cândido Costa Pinto

Lisboa, s.d.
Edição «Livros do Brasil»
[1.ª edição]
16,2 cm x 10,7 cm
334 págs. + VIII págs.
é o n.º 101 da popular Colecção Vampiro
exemplar manuseado mas muito estimado
17,00 eur

O realizador de cinema Robert Altman tentou levar mais longe o êxito deste romance policial. Mas um certo sarcasmo cínico que perpassa pelo texto acabou transformado, pelo actor Elliott Gould, numa palhaçada burlesca. É necessário regressar ao texto – agora de Mário-Henrique Leiria – para reencontrar o estilo e o enfoque... Ou, como diz Ernest Mandel no seu muito estimável ensaio Cadáveres Esquisitos – Uma História Social do Romance Policial (Edições Cotovia, Lisboa, 1993):
«[...] A corrupção da sociedade, principalmente entre os ricos, tornou-se o assunto dominante das intrigas, acompanhada de brutalidade e reflectindo, simultaneamente, a transformação dos valores burgueses desencadeada pela Primeira Guerra Mundial e o impacto do gangsterismo organizado. [...]»


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A Sombra Chinesa


GEORGES SIMENON
trad. Alexandre O’Neill
capa de Cândido Costa Pinto

Lisboa, s.d.
Edição «Livros do Brasil»
[1.ª edição]
15,9 cm x 11 cm
138 págs. + VI págs.
é o n.º 71 da popular Colecção Vampiro
exemplar muito estimado; miolo limpo
20,00 eur

Alguns dos nossos melhores escritores cultos deram voz, em português, a autores de entretenimento. Muitos dos nossos futuros exegetas, atafulhados em teses académicas acerca desses escritores, não deram ainda por os nomes em estudo haverem estado ligados à árdua tarefa da tradução, e muito menos à da tradução “popular”. O inspector Maigret, por exemplo, não lhes serve o propósito de arredondar a nota nem de enfeitar um currículo. Mas há que pô-lo de par com «Um Adeus Português»... porque nenhuma das partes sairá a perder: nem O’Neill, nem Simenon.


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Domingo, Dezembro 11, 2011

A Ordem Natural das Coisas



ANTÓNIO LOBO ANTUNES
capa de Fernando Felgueiras sobre pastel de Johannes Grützke


Lisboa, 1992
Publicações Dom Quixote
1.ª edição
21 cm x 13,5 cm
332 págs.
exemplar como novo, sem qualquer sinal de quebra na lombada
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor ao ilustrador Vítor Mesquita
45,00 eur

Escreveu Urbano Tavares Rodrigues, em recensão para Fundação Calouste Gulbenkian:
«É talvez o melhor romance de António Lobo Antunes. Muito bem estruturado, na linha faulkneriana de vários narradores internos, o que supõe um certo esforço por parte do leitor. A Ordem Natural das Coisas conta a história dos amores, das lutas, dos fracassos, das decadências dos membros de uma família rica, com casa apalaçada na Benfica de há mais de trinta anos. O título fala-nos das leis da Natureza que condenam à morte os seres humanos e votam ao insucesso as paixões de homens de cinquenta anos por meninas adolescentes. Não há um herói nem um fulcro de narrativa, que se tece das múltiplas histórias dos irmãos e irmãs (e do sobrinho bastardo) e ainda de outras personagens adjacentes, como o antigo mineiro semi-louco, na sua arteriosclerose adiantada, que por todo o lado abre furos com a picareta, em busca de ouro, ou do ex-agente da P.I.D.E. reduzido a expedientes de miséria. [...]»


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Exortação aos Crocodilos


ANTÓNIO LOBO ANTUNES
capa de Emília Abreu
fotografia de Isabel Risques

Lisboa, 1999
Publicações Dom Quixote
1.ª edição
20,7 cm x 13,5 cm
384 págs.
brochado com capa e sobrecapa
exemplar como novo, sem qualquer sinal de quebra na lombada
35,00 eur

Escrevendo de um ponto de vista narrativo feminino, em que verdade histórica e ficção literária subtilmente se misturam, Lobo Antunes dá-nos os sinais de um pós-Abril com assaltos a sedes de partidos políticos e assassinatos por encomenda. Dos apontamentos do escritor (in Tereza Coelho, António Lobo Antunes – Fotobiografia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004):
«[...] Quatro mulheres de “crocodilos” da revolução de Abril, tomando aqui uma liberdade de expressão para bombistas, dizem o que sabem – e o que sabem é o que inventam a partir do que os homens lhes disseram [...]
[...] A história vista por quatro mulheres: por trás da história; apenas sabem dos factos por conversas escutadas apesar do cuidado dos homens, cartas, papéis, segredos roubados, nunca sabem de tudo; presumem, inventam, adivinham, suspeitam. Metade real, metade inventado, sonhos, desejos, desilusões, projectos, frustrações, esperanças, medos [...]»


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