sexta-feira, agosto 30, 2013

«O Reino da Estupidez» e a Reforma Pombalina



LUÍS DE ALBUQUERQUE
[FRANCISCO DE MELO FRANCO]

Coimbra, 1975
Atlântida Editora, S. A. R. L. / Vértice
1.ª edição
17 cm x 12 cm
136 págs.
exemplar como novo
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Luís de Albuquerque contextualiza, neste seu esplêndido ensaio, a circunstância histórico-político-religiosa em que, sob o pseudónimo Fabrício Cláudio Lucrécio, foi posto a circular o manuscrito de um longo poema – O Reino da Estupidez –, ainda hoje legível dada a sua acutilante e sarcástica sabedoria. Escrito durante o período que é de hábito designar-se por viradeira, ou regresso da treva pré-iluminista com o reinado de D. Maria I, documenta como as ideias pedagógicas de Verney e de Ribeiro Sanches foram atiradas ao lixo por beatos e ignorantes (ou vice-versa). Melo Franco, que foi médico e autor, entre outras obras, de um dos primeiros tratados portugueses de puericultura, viu-se, por delito de ideias, humilhado pela Inquisição e relegado para o manicómio. O poema aqui em estudo, e integralmente reproduzido na segunda parte do livro, é, de par com O Hissope de António Diniz da Cruz e Silva, um libelo de coragem na denúncia da superstição e da hipocrisia.

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Pagan Spain


RICHARD WRIGHT

Londres, 1960
The Bodley Head
1.ª edição (londrina)
22,2 cm x 14,4 cm
192 págs.
encadernação editorial em tela encerada com gravação a ouro na lombada, sobrecapa em bicromia
exemplar estimado; miolo limpo, foxing nas guardas e nas primeira e última folhas
27,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Importante reflexão em viagem por terras de Espanha, levada a cabo pelo escritor norte-americano autor de Uncle Tom’s Children e Black Power. A história, os usos e os costumes bárbaros de uma nação onde os ritos religiosos oficiais e os pagãos se encontram entrelaçados – touradas, procissões católicas, apologia da morte, sexo, prostituição, dança flamenca, etc. –, são aqui passados a pente fino por este visitante que aponta sobre o fanatismo, a repressão franquista, a fatalidade de um povo: «[...] Upon arriving in Seville for the second time, I could sense at once that I was in for a hectic week. In almost all the shop windows of the city I saw tiny robed figures with tall, pointed hoods that gave me a creepy feeling, for these objects reminded me of the Ku Klux Klan of the Old American South. It must have been from here that the Ku Klux Klan regalia had been copied. Well, I would see to what use the Spaniards had put this costume. Was pillage or penitency the object when one donned such an outlandish dress? [...]» E descreve de seguida a semana santa local, que considera uma reminiscência do terror inquisitorial do passado, que «[...] had whipped the Spaniards into a semblance of outward conformity, yet keeping intact all the muddy residue of an irrational paganism that lurked at the bottom of the Spanish heart, and Spain had been ready with one Will, one Race, one God, and one Aim...
And Spain, despite all the heroic sacrifices of her liberals, of her poets, of her lovers of liberty, had remained stuck right at that point. [...]»

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A Cabana do Pai Tomás


HARRIET BEECHER STOWE
trad. Leyguarda Ferreira
pref. Gentil Marques

Lisboa, 1963
Livraria Romano Torres – João Romano Torres & C.ª
5.ª edição
19,1 cm x 12,4 cm
320 págs.
exemplar como novo
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

Obra-prima do abolicionismo, antecede de perto, motivando-a, a guerra civil entre o norte e o sul nos Estados Unidos.

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quinta-feira, agosto 29, 2013

A Identidade Nacional


JOSÉ MATTOSO
design de Henrique Cayatte (atelier)

Lisboa, s.d. [1998]
Gradiva / Fundação Mário Soares
1.ª edição
17,9 cm x 11,3 cm
112 págs.
ilustrado
exemplar em bom estado de conservação
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem deste magnífico texto identitário:
«[...] Outro fenómeno que confirma a influência determinante do fenómeno político sobre a formação da consciência nacional é o facto de esta aparecer independentemente de qualquer sentimento de pertença territorial de outro nível (nomeadamente de nível regional). Com efeito, não existe qualquer relação de continuidade entre a consciência de pertença a uma determinada região ou família étnica e a condição de português (ao contrário do que acontece com as nações modernas derivadas, por exemplo, de povos germânicos ou eslavos, onde se verifica uma continuidade entre as formações étnicas e a sua expressão política moderna). Ser português começou por ser o mesmo que vassalo do rei de Portugal, e não por se pertencer a um determinado povo. [...]»

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Opúsculos


BLAISE PASCAL
trad. e pref. Alberto Ferreira

Lisboa, Dezembro de 1960
Guimarães Editores
[1.ª edição]
18,3 cm x 11,9 cm
176 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
20,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Pensamentos


[BLAISE] PASCAL
trad. e pref. Salette Tavares
capa de José Escada

Lisboa, 1959
Livraria Morais Editora
1.ª edição
20,3 cm x 15,6 cm
352 págs.
colecção Círculo do Humanismo Cristão
exemplar como novo
27,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Blaise Pascal (1623-1662) foi matemático, investigador científico e inventor da calculadora. Mas também teólogo, após súbita conversão religiosa. Neste plano, a influência de Cornelius Jansen (jansenismo) desviou-o em absoluto do pensamento lógico experimental. O vertente livro, pelo qual ficou conhecido, sobrepondo-se a tudo o mais, reflecte a luta entre essa tendência católica herética e o jesuitismo. De qualquer modo, mesmo para um leitor ateu é leitura de proveito filosófico alguma meditação acerca dos binómios nada e infinito, raciocínio e fé, matéria e espírito, vida e morte, sentido da existência e vacuidade.

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segunda-feira, agosto 26, 2013

O Livro do Doutor Assis


ALBERTO COSTA, ex-Pad Zé

Lisboa, 1905
Livraria Clássica de A. M. Teixeira & C.ª
2.ª edição
19 cm x 12,4 cm
XVI págs. + 356 págs. + 1 folha em extra-texto
subtítulo: Pensamentos – conceitos – anecdotas – larachas – chalaças – agudezas – subtilezas – facecias – dictos de espirito – calembourgs e charadas do Doutor Assis capataz das Finanças no primeiro estabelecimento scientifico do paiz. Com um portrait-charge do auctor, uns «Breves traços sobre a organisação e funccionamento do Primeiro Estabelecimento scientifico referido» e uma «Rapida excursão pelas Memorias do meu tempo de Coimbra». Com a valiosa collaboração d'uma sociedade de homens de lettras
exemplar estimado; miolo limpo
assinaturas de posse na capa, no ante-rosto e no verso da gravura
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

O modelo é o das memórias satíricas em torno da vida universitária em Coimbra, em que alguns mestres docentes são tratados como pedaços de asnos, sendo o Dr. Assis a parte de que se extrapola o todo: a Universidade.

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domingo, agosto 25, 2013

O “Chauffeur” Hábil


LUÍS DE SEQUEIRA OLIVA JUNIOR

Lisboa, 1929
Parceria António Maria Pereira – Livraria Editora
2.ª edição
16,9 cm x 12,5 cm
VIII págs. + 264 págs.
profusamente ilustrado no corpo do texto
exemplar manuseado mas aceitável; miolo limpo
assinatura de posse no canto superior direito do frontispício
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de um manual prático de condução e instruções de funcionamento e mecânica rudimentar para condutores de veículos.

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Automobilismo ao Alcande de Todos – O Instrutor Rápido (P-à-pá Santa Justa)



ESTEVEZ PINTO & URBANEZ
arranjo de J. R. O.

Lisboa, 1946
Livraria Avelar Machado
[1.ª edição]
15,9 cm x 11,7 cm
170 págs. + 1 desdobrável em extra-texto
bonita encadernação editorial (encadernador Moreira) em tela encerada, com cromo colado na pasta anterior e folhas-de-guarda impressas, gravação a ouro
exemplar estimado; miolo limpo
22,00 eur (IVA e portes incluídos)

Primitivo código de trânsito, com as regras de condução e a sinalética da época, além de sucintas noções de mecânica automóvel. O desdobrável é constituído por um mapa com os sentidos de trânsito na Baixa lisboeta.

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sexta-feira, agosto 23, 2013

Contos Alegres Portugueses [junto com] Novos Contos Alegres Portugueses



ARMANDO FERREIRA, org. e pref.

Lisboa, s.d. [1946, seg. BNP]
Livraria Editora Guimarães & C.ª
[1.ª edição (ambos)]
2 volumes (completo)
19 cm x 12,3 cm
232 págs. + 248 págs.
subtítulo: Antologia dos [aliás, de] Humoristas
exemplares estimados; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Género literário que Armando Ferreira – apesar de ele próprio humorista – vê mais como um escapismo inocente, a vida «alegre» em escrita menor, do que como a arma de arremesso político que caracterizou a segunda metade do século XIX. Daí a ausência, nestas antologias, de autores implacáveis como Eça ou Fialho, em proveito de sensaborões como Júlio Dantas, ou de canastrões como Augusto de Castro. Todavia, acerta e exibe uns poucos que, a avaliar pelo modo descafeinado, e até de estilística duvidosa, como se escreve hoje em dia, bem podiam ser puxados para dentro da história da cultura séria, a saber: Gervásio Lobato, André Brun, Urbano Loureiro, por exemplo; e, sem dúvida, também Armando Ferreira (1893-1968).

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terça-feira, agosto 20, 2013

Um Crime a Bordo


DENNIS WHEATLEY
L. H. Links
trad. Pedro Celestino Soares
capa de Stuart Carvalhais

Lisboa, s.d. [1945, seg. BNP]
Editora Marítimo-Colonial, Ld.ª
[1.ª edição]
24,6 cm x 17,9 cm
128 págs. + 19 folhas em extra-texto
ilustrado
exemplar estimado; miolo limpo
discretas assinaturas de posse nas págs. 1, 3 e 7
30,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Intriga policial escrita por reconhecido e popular autor no género (aqui coadjuvado). O método empregue é o da apresentação do cenário e das pistas ao leitor pela mesma sequência que os investigadores policiais se deparariam durante a recolha de provas no local.

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segunda-feira, agosto 19, 2013

Companhia Portuguesa de Celulose




Cacia, 1961
Companhia Portuguesa de Celulose
1.ª edição
21,7 cm x 15,5 cm (fechado)
desdobrável com 43,4 cm x 61,3 cm (aberto) impresso frente e verso
ilustrado
exemplar estimado e limpo
rótulo da Livraria Ferin colado no canto inferior esquerdo do rosto
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Folheto promocional da fábrica de papel, com reproduções fotográficas e desenhos representando as instalações fabris. É particularmente digno de nota um quadro com os principais pontos de interesse para o visitante, assim como a literatura elucidativa daquilo com que esse mesmo visitante iria deparar-se.

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domingo, agosto 18, 2013

Curso Geral de Estenografia



JOAQUIM TRAVASSOS-LOPES MENDONÇA SANTOS
pref. Thomaz de Miranda Refóyos

Lisboa / Rio de Janeiro – São Paulo – Belo Horizonte, 1945
Livraria Bertrand / Livraria Francisco Alves
1.ª edição
18,3 cm x 12 cm
300 págs. + 7 folhas desdobráveis em extra-texto
subtítulo: Sistema Martiniano [*]
encadernação editorial em tela gravada a negro em ambas as pastas e na lombada
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
peça de colecção
30,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Importante manual prático da colecção Biblioteca de Instrução Profissional, fundada por Tomás Maria Bordalo Pinheiro (1861-1921), irmão de Rafael Bordalo Pinheiro.

* Ref. a Francisco de Paula Martí e Ângelo Ramon Martí, autores (pai e filho) de um sistema de escrita abreviada para a língua castelhana.

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Tratado de Stenographia


JORGE LEOPOLDO DE CARVALHO
pref. Antonio La-Grange

Lisboa, 1904
Imprensa Nacional
1.ª edição
29 cm x 19 cm
XXXIV págs. + 120 págs.
encadernação de amador inteira em sintético com gravação a ouro na lombada
por aparar, conserva as capas de brochura
exemplar estimado, com restauros nas capas de brochura; miolo limpo
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor ao republicano Tomé de Barros Queirós, que apôs o carimbo da sua biblioteca pessoal ao baixo no frontispício e nas págs. 7 e 61
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Refere-se este tratado a uma revisão e adaptação do sistema que, até aí, vigorara em Portugal desde 1820, o de Angelo Ramon Marti (derivado, por seu turno, do sistema de Samuel Taylor), especialista vindo de Espanha ensinar a pedido dos liberais.

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quinta-feira, agosto 15, 2013

Canções do Amor à Terra




OLIVEIRA CABRAL, versos
ESTEFÂNIA CABREIRA, música
capa e ilust. António Carneiro e Carlos Carneiro

Lisboa, 1929
Edição da Emprêsa Nacional de Publicidade Sucessora da Emprêsa «Diario de Noticias»
1.ª edição
20 cm x 14,4 cm
112 págs. + 6 folhas em extra-texto
profusamente ilustrado
impresso a verde sobre papel superior avergoado
extra-textos impressos a sépia sobre papel couché
exemplar estimado, com pequenos restauros na capa; miolo limpo
peça de colecção
45,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Livro que, nas palavras dos autores, tem «[...] por objecto criar na alma da criança o amor à sua aldeia, à sua casinha simples onde se passam sofrimentos e também alegrias, ao pinhal, ao moinho, à ribeira, aos diferentes trabalhos do campo, se propõe êste fim – guerra ao urbanismo. [...]» Temos, portanto, uma obra de canto coral com preocupações de combate à desertificação do interior do país, combate à sangria dos seus habitantes em direcção às unidades fabris, esquecendo que a impressão (o fabrico) do seu próprio livro de propaganda tudo devia aos progressos industriais fora do mundo agrário.

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Novo Curso da Aula de Rudimentos



F. [FRANCISCO] DE FREITAS GAZUL

Lisboa, s.d.
Salão Neuparth / Casa Valentim de Carvalho
s.i. [2.ª edição ?]
2 volumes (completo)
27,1 cm x 18,7 cm
36 págs. + 40 págs.
exemplares estimados; miolo limpo
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Pautas com exercícios de ritmo e leitura de música. O autor, além de se lhe dever a versão musicada do Frei Luís de Sousa de Garrett, foi professor do Conservatório Nacional.

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Também Tu Entendes a Música


WALTER PANOFSKY
trad. Maria Osswald
capa de Gouveia Portuense

Porto, 1961
Livraria Fernando Machado
1.ª edição
22 cm x 16 cm
328 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
22,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Manual para estudantes de música, ou também para melómanos amadores.
Do prefácio: «[...] A música é intrìnsecamente sempre um mistério, evolução naquele país inefável – a terra de ninguém – entre o sentimento e a inteligência. Tentar captá-la ùnicamente com o sentimento é tão falso como dissecá-la e decompô-la por meio da inteligência. Música, é necessário sentir-se e compreender-se.
Para tal não é exigido o ouvido, que permite identificar em absoluto cada tom. Extraordinários compositores, como por exemplo Ricardo Wagner, nunca possuíram este dom especial. Não é preciso ter lições de piano ou de violino, embora seja maravilhoso poder executar música. Também não é imprescindível o cultivo constante por meio do rádio ou possuir uma vastíssima discoteca. Não é necessário mais do que aquela íntima predisposição que nos torna aptos para deixar actuar a música em nós, um pouco de ânsia do conhecimento que este livro tenta satisfazer, e sobretudo alguma coisa que nenhum livro pode ensinar: o amor pela música.»

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Beethoven


RICHARD WAGNER
trad. e pref. Daniel de Sousa

Lisboa, 1945
Editorial Inquérito Limitada
1.ª edição
18,9 cm x 12,3 cm
112 págs.
exemplar estimado, no geral com o papel muito oxidado; miolo limpo
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

A nota de abertura assinada pelo tradutor contextualiza historicamente, quer Wagner (1813-1883) quer Beethoven (1770-1827), dois génios da música alemã separados por, digamos, umas duas gerações. Se este último teve sempre a admiração daqueles que têm no Contrato Social de Rousseau a sua cartilha progressista, o mesmo não se pode dizer do injustiçado Wagner, cuja obra, mentirosamente associada ao “estilo” monumental e totalitário hitleriano, a populaça da sociedade de consumo, que nada estuda e tudo compra pré-concebido, passa a rejeitar no pós-guerra, porque lhes disseram que sim. «[...] Cruel anátema lançado contra uma personalidade que até aos anos 30 era reivindicada pelas vanguardas estéticas, de Baudelaire e Mallarmé a Cézanne, considerado um revolucionário por anarquistas e esquerdistas radicais. Custa a imaginar, nos nossos dias, que por inserir em 1911 a frase de Wagner: “Uma só coisa é sagrada: o homem livre. Acima dele nada existe”, os redactores de um periódico libertário de Berlim tivessem sido encerrados no calabouço... [...]» (Carlos da Fonseca, pref. a Richard Wagner, A Arte e a Revolução, Edições Antígona, Lisboa, 1990).

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Wagner a Carlsrühe – L’Artiste du Siècle


CHAMBRUN, Comte de

Paris, 1898
Calmann Lévy, éditeur
1.ª edição
24,9 cm x 16,1 cm
4 págs. + 32 págs. + 4 folhas em extra-texto
ilustrado
miolo impresso sobre papel superior; fotogravuras impressas em cromo e coladas sobre velino previamente chanfrado com relevo seco, protegidas por papel de cristal
encadernação modesta antiga em tela e papel de fantasia com o selo de execução da casa Carmelita
conserva as capas de brochura
exemplar não aparado e em muito aceitável estado de conservação; miolo limpo
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Trata-se de um dos primeiros panegíricos ao grande compositor que foi Richard Wagner. O mesmo libertário Wagner companheiro de Bakunine e participante nas barricadas revolucionárias de Dresden em 1849, artista cujo ideal artístico, tanto como o seu humanismo anarquizante, «só poderiam vingar uma vez destruída esta civilização inteiramente devota ao “bezerro de oiro” [o dinheiro]» (Carlos da Fonseca, introd. A Arte e a Revolução, de Richard Wagner, trad. José Miranda Justo, Edições Antígona, Lisboa, 1990).
A abordagem panorâmica do conde de Chambrun, porém, cinge-se às qualidades musicais e poéticas de uma extensa, mas vinculativa, obra.

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As Vozes da Orquestra


CARLOS EDGARD
capa de José João

Lisboa, 1965
Ministério da Educação Nacional – Direcção-Geral do Ensino Primário
1.ª edição
16,4 cm x 11,1 cm
128 págs. + 84 págs. em extra-texto (ilust.)
profusamente ilustrado em separado
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
carimbo de posse do Instituto dos Surdos Mudos da Imaculada Conceição no ante-rosto
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Trata-se de um breve estudo de como se distribuem os instrumentos por naipes dentro das orquestras, a sua função melódica ou polifónica, conforme produzem sons sucessivos ou simultâneos, e a sua classificação quanto ao material de que são fabricados.

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Chopin y George Sand en Mallorca



BARTOLOMÉ FERRÁ

Palma de Maiorca, 1949
s.i. [ed. Autor ?]
[1.ª edição]
texto em castelhano
20,3 cm x 13,5 cm
88 págs. + 10 págs. em extra-texto + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: Precedido de un fragmento de los “Recuerdos de Aurore Sand”
ilustrado
exemplar estimado; miolo limpo mas com algumas manchas de oxidação do papel
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Ensaio acerca do encontro em Valldemosa, no Inverno de 1838-39, entre esses dois artistas, o notável compositor polaco Fryderyk Chopin (1810-1849) e a ficcionista parisiense George Sand (1804-1876, de seu verdadeiro nome Amantine Lucile Aurore Dupin), que ficou conhecida pelo seu apelo a Versalhes para uma acção violenta contra os rebeldes da comuna de Paris.

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Chopin et George Sand à Majorque


BARTOMEU FERRÁ

Palma de Maiorca, 1936
s.i. [ed. Autor ?]
1.ª edição
texto em francês
20,1 cm x 13,5 cm
90 págs. + 10 págs. em extra-texto + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: Precédé d’un extrait des “Souvenirs d’Aurore Sand”
ilustrado no corpo do texto e em separado, vinhetas impressas a sépia
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
17,00 eur (IVA e portes incluídos)


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sexta-feira, agosto 09, 2013

A Noite Roxa


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de António Vaz Pereira

Lisboa, 1956
Livraria Bertrand
1.ª edição
19,2 cm x 13 cm
264 págs.
exemplar manuseado mas aceitável, com pequenas falhas de papel na lombada; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes já incluídos)

«Um estilo envolvente e luxuriante como os seus próprios temas, o poder expansivo de criar atmosferas, a adesão visual aos matizes e aos relevos da paisagem, um cunho de exotismo propício à singularidade de certos traços psicológicos, a precisão da bagatela que define uma emoção ou um incidente, a forte claridade das situações-limite, o desbobinar ritmado e sequente do entrecho, a intimidade sensual no seu mais amplo sentido, o verismo flagrante do romanesco, situam-no entre os nossos primeiros novelistas.» (Mário Sacramento, 1959)

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Os Insubmissos


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Luís Filipe Abreu

Lisboa, 1961
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19 cm x 12,4 cm
308 págs.
exemplar manuseado mas aceitável; miolo limpo
assinatura de posse na pág. 9
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Segundo a “conceituada ensaísta” Maria Alzira Seixo, no seu verbete de leitura deste romance, posto on-line pela Fundação Calouste Gulbenkian:
«Os problemas de um grupo de jovens, já instalados na vida (casados, na sua maioria) mas sem meios para proverem a essa instalação, as questões que entre eles surgem por motivo de acomodação política ou de insubmissão, os valores da amizade e do amor e a traição que leva ao triunfo social. Para os leitores que prefiram romances de intriga, e que não tenham muita formação literária, porque a acessibilidade do livro é vasta. Problemática social, companheirismo, ambições literárias em funcionários medianos; abundância de diálogo, pouca especulação, convívio com o dia-a-dia das personagens, que são, aqui, representações de pessoas do quotidiano português.» E disse...
Urbano diz, em contrapartida, e antevendo os disparates que o seu livro poderia desencadear, abre o livro com a seguinte Advertência:
«Habituado já a certas críticas venenosas e extraliterárias, começo por declarar, em poucas palavras, no limiar deste meu novo livro, que nele usei de um direito sagrado do ficcionista: o de inventar. Que fingir a vida é, afinal, a própria condição do ficcionista. [...]
Posto isto, reafirmo simplesmente, contra a má fé e contra a desconfiança de quem em todo o lado vê carapuças, que concebi e realizei este meu romance como obra de ficção e creio firmemente que só isso ele é.» Vale.

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As Pombas São Vermelhas


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Henrique Ruivo

Amadora, 1977
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19,1 cm x 12 cm
168 págs.
exemplar estimado, com um vinco na capa; miolo limpo
valorizado pela assinatura do Autor no ante-rosto
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Eduardo Lourenço foi um dos muitos intelectuais, desde sempre, a render-lhe homenagem sem rebuço:
«Ninguém na nossa geração escreveu mais à flor do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. (...) Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. (...)
A um público que nos anos cinquenta das suas novelas cosmopolitas não saía de casa senão para voltar excitado às doçuras arcaicas de um mundo estofado em pele maternal, Urbano comunicou o frisson nouveau de visões, experiências, encontros, notícias, sonhos (...). Com o mesmo fervor e exaltação, com a mesma equívoca fascinação com que se moveu nas atmosferas onde a pulsão de morte se oferece os refinamentos do desejo ou dos seus simulacros, Urbano Tavares Rodrigues se fará em casa, na plácida e silenciosa casa portuguesa dos anos sessenta, o novelista da subversão nocturna, da revolução marginal (...).» (Fonte: Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, aa.vv., Edições Asa, Porto, 2003)

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As Aves da Madrugada


URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1959
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19 cm x 12,6 cm
200 págs.
exemplar estimado, com vinco na capa; miolo limpo
20,00 eur (IVA e portes já incluídos)

«[...] Do conjunto das 5 narrativas que formam As Aves da Madrugada (1959), Óscar Lopes considera-as “claramente exemplares (...) ao nível da concepção da intriga, (...) da composição, (...) circulam certos curiosos temas líricos (...) [e os] das obsessões ou tensões centrais da sua mundividência pessoal”. [...] A “ética da dignidade pessoal gratuita vem aqui entroncar num dos temas dominantes de Urbano Tavares Rodrigues (...): o tema de uma ânsia de ir ao ‘encontro da brasa’ no sofrimento, no sacrifício, na coragem. Na ânsia de, perante os outros ou perante si próprio (...), pôr à prova uma integridade moral totalmente indiferente às consequências, ao êxito ou inêxito prático (...): o imperativo incondicionado da lei que a consciência se dá formalmente a si mesma”. [...] É por uma consciência ética em cada ser humano (com existência real ou ficcionada) e em todos os seres em sociedade, pela resistência à angústia e à desesperança, pela liberdade imperativa, que intervém Urbano nestes seus escritos, contudo sem nunca esquecer que um romance, uma novela, um conto é uma obra estética. [...]» (Fonte: Luísa Duarte Santos, «Alvor de um poeta de generosidade militante», in Escrevivendo Urbano Tavares Rodrigues – Exposição Biobibliográfica, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2009)

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A Porta dos Limites


URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1952
Empresa Nacional de Publicidade
1.ª edição
19,5 cm x 13 cm
324 págs.
em bom estado de conservação; miolo limpo
50,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Foi o primeiro livro de ficção do Autor (data de 1952 a edição princeps). Dele nos diz Manuel Gusmão [«Saudação a Urbano Tavares Rodrigues», in 50 Anos de Vida Literária, Edições Asa, Porto, 2003]:
«[...] um volume de contos, com o significativo título de A Porta dos Limites. Digo que é um título significativo porque cruza a ideia de porta como limiar, como algo por onde entramos ou alguém pode passar, e a ideia de que essa porta abre para a experiência e a exploração dos limites da condição humana. Deste modo, esse título pode valer para toda a obra de Urbano Tavares Rodrigues: uma porta que nos dá acesso aos limites que nos condicionam mas também às fronteiras que podemos atravessar ou transgredir. [...]»

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Terra Ocupada


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Luís Filipe Abreu

Lisboa, 1964
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19,1 cm x 12,5 cm
232 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
27,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Por esta altura, 1964, Urbano Tavares Rodrigues era dado na PIDE, não como mero simpatizante de ideais oposicionistas ao regime vigente, mas, de uma vez por todas, como comunista, «[...] após ser signatário de vários abaixo-assinados e petições, nomeadamente para a realização de um congresso de democratas, de amnistia para os presos políticos, contra a censura, ser testemunha de defesa em julgamentos de presos políticos, e por umas quantas actividades e acções mais ou menos “suspeitas” e clandestinas nas JAP [Juntas de Acção Patriótica]. Em 1965 é proibido de dar aulas no ensino particular, porque “não oferece garantias de cooperar na realização dos fins superiores do Estado”. [...]» (Fonte: Luísa Duarte Santos, «Alvor de um poeta de generosidade militante», in Escrevivendo Urbano Tavares Rodrigues – Exposição Biobibliográfica, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2009)

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A Impossível Evasão


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa e dir. gráfica de Armando Alves

Porto, 1972
Editorial Inova Limitada
2.ª edição
22,4 cm x 14,3 cm
100 págs.
subtítulo: Seguida de «O Espírito»
exemplar como novo
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Novela inicialmente publicada em 1957 no livro Uma Pedrada no Charco.
Dele nos diz outro excelente prosador, Augusto Abelaira:
«[...] Se outro valor não possuísse, este livro de Urbano Tavares Rodrigues (Uma Pedrada no Charco) teria esse: o de propor à nossa meditação a trajectória de um artista que não precisava de tocar a tecla do social para se impor às pessoas vivas. Um artista que sem se trair decidiu que a sua obra seguisse por novos caminhos e que deu a muitos escritores (apenas dotados de bons propósitos) uma lição de como é possível conciliar arte e amor pelos homens. [...]»

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Dias Lamacentos



URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1965
Portugália Editora
1.ª edição
19,5 cm x 13,3 cm
148 págs.
exemplar muito estimado
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
65,00 eur (IVA e portes já incluídos)


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Dias Lamacentos


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1965
Portugália Editora
1.ª edição
19,5 cm x 13,3 cm
148 págs.
exemplar muito estimado
35,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Dirá Eduardo Lourenço em 1979:
«Ninguém na nossa geração escreveu mais à flora do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. [...] Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. [...]»

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Casa de Correcção



URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1968
Livraria Bertrand
1.ª edição
19 cm x 12,4 cm
188 págs.
capa de José Cândido
exemplar em muito bom estado e por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
40,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Disse Eduardo Lourenço no prefácio à 2.ª edição do vertente livro: «Ninguém na nossa geração escreveu mais à flor do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. [...] Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. [...]
A um público que nos anos cinquenta das suas novelas cosmopolitas não saía ainda de casa senão para voltar excitado às doçuras arcaicas de um mundo estofado em pele maternal, Urbano comunicou o frisson nouveau de visões, experiências, encontros, notícias, sonhos [...]. Com o mesmo fervor e exaltação, com a mesma equívoca fascinação com que sempre se moveu nas atmosferas onde a pulsão de morte se oferece os refinamentos do desejo ou dos seus simulacros, Urbano Tavares Rodrigues se fará em casa, na plácida e silenciosa casa portuguesa dos anos sessenta, o novelista da subversão nocturna, da revolução marginal [...].» (vd. Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, Porto, Edições Asa, 2003)

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Bastardos do Sol


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Victor Palla

Lisboa, 1959
Editora Arcádia Limitada
1.ª edição
18 cm x 10,9 cm
148 págs.
exemplar n.º 108 de uma tiragem comprovada pela Sociedade Portuguesa de Escritores (que será encerrada em 1965 após assalto policial)
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Do prefácio à 4.ª edição, que João de Melo assina em 1987:
«No ponto em que o seu ideário pugna e procede à retomada dos princípios ideológicos do chamado realismo socialista, consideram-no, alguns, como herança (embora reformulada) do quadro estabelecido pelos romancistas de 40, a maioria dos quais pontifica ainda na década seguinte: a sociedade camponesa como cenário, o prenúncio, ainda que já diluído, do herói colectivo, a problematização do mundo rural e operário enquanto base determinista de uma superestrutura social, política e ideológica muito mais ampla. Mas naquele sentido em que a acção deste romance se desloca ao encontro de outros sujeitos e paradigmas da hierarquia social (...) e quando, sobretudo, Bastardos do Sol implica uma nova estrutura, uma utilização problemática de um novo tempo narrativo e uma re-codificação do espaço até aí pouco experimentada – então, sim, está-se perante uma obra de viragem realista e perante uma proposta que prepara o advento do existencialismo, numa prova já fundamental e não necessariamente teórica.» (Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, aa.vv., Edições Asa, Porto, 2003)

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As Máscaras Finais


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Luís Filipe Abreu

Lisboa, 1963
Livraria Bertrand, S.A.R.L.
[1.ª edição]
19,1 cm x 12,5 cm
276 págs.
exemplar por abrir, apresentando a lombada descorada por acção continuada da luz
30,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Apenas uma passagem do pungente fiel retrato de um regime político que se evidenciou pela vileza:
«[...] no fim do espectáculo serei preso.
É verdade: vou ser preso. Cartas anónimas me avisaram da iminência dos castigos que sobre mim impendem. Ontem, ainda, um telefonema caliginoso a prevenir-me. Hoje, um amigo, do lado de lá da muralha do ódio (nascem assim, às vezes, raízes parenteadas nos terrenos mais aversos), a avisar-me, a oferecer-me a casa, como abrigo. Se eles soubessem o que vai em mim, o farrapo que eu sou, apesar de continuar a dizer “Não!”
Já os vi, cá dentro, arreganhados, atentos à minha insignificante pessoa, em meio deste mistifório. Agora tenho a certeza. Vi os que mandam e os que executam. Uns sorriem, os outros afiam o dente. É hoje, com certeza.
Mas a liberdade, agora, a minha, que me importa!
Uma cela estreita, sem luz, tão estreita e tão escura que nela nem poderei ler a marca do alfaiate no forro do casaco. Ou a sala de espera, sempre igual, e um agente horas e horas a olhar para mim, disposto a acordar-me à bofetada, com desculpas polidas, se eu adormecer. E depois outro, e outro, que o hão-de revezar. Não me consentirão que durma, pelo menos durante os primeiros dias, três ou quatro, em que talvez me dêem a comer feijões podres, macarrão e pão azedo – o rancho. E terei de suportar esses degradantes interrogatórios... E hão-de sujeitar-me à violência contínua dos focos luminosos. E o silêncio há-de sufocar-me, por fim. Porque só concebo evidentemente o silêncio, a partir de então... [...]»

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Vida Perigosa


URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1955
Livraria Bertrand
1.ª edição
19,3 cm x 12,6 cm
204 págs.
exemplar estimado, contracapa com picos de oxidação; miolo limpo, por vezes com as páginas abertas toscamente, apontamento destituído de interesse na última página no verso do índice
30,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Trata-se da sua segunda obra romanesca em livro. Notabiliza-a David Mourão-Ferreira na nota de badana, assim:
«[...] pela subtileza da análise, pelo poder de um estilo vigoroso, dúctil e poético, sàbiamente matizado, os dois grandes temas de Urbano Tavares Rodrigues – o amor e a morte – atingem, por vezes, neste livro, uma intensidade dramática deveras invulgar.»

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O Mito de Don Juan e o Donjuanismo em Portugal


URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1960
Edições Ática
1.ª edição
16,4 cm x 11,9 cm
140 págs.
exemplar como novo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reunião de três pequenos ensaios, sendo os dois que completam o livrinho, um acerca de Jean Anouilh e o outro acerca de Castro Alves. Aquele que dá o título pode ser posto a par de um, posterior, de José Cardoso Pires, Cartilha do Marialva, ambos vitais para a compreensão de certas atitudes nacionais homofóbicas e até de violência doméstica.

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Horas Perdidas


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Henrique Ruivo

Lisboa, 1969
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19 cm x 12,4 cm
224 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
22,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Nestes termos refere-se Fernando Dacosta a Urbano:
«Na vanguarda da oposição à ditadura, à censura, à clausura, à usura do salazarismo, [Urbano Tavares Rodrigues] serviu-se, como ninguém, da escrita, da palavra, da coragem para defender as suas utopias, possuindo um domínio criativo e imaginativo sem paralelo. Ele não escreve (é dos raros a fazê-lo) com imagens mas com palavras, recuperando-lhes, restituindo-lhes a ressonante grandiosidade que elas têm na nossa cultura. É dos poucos que sabe que a escrita representa a última trincheira da liberdade porque não é, como a imagem, manipulada pelos poderes instituídos – daí a subalternidade a que foi votada.» (Fonte: Escrevivendo Urbano Tavares Rodrigues – Exposição Biobibliográfica, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2009)

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Romanceiro Português


URBANO TAVARES RODRIGUES
[escolha, notas e prefácio]

capa de Marcelo de Morais
ilustrações de Maria Judite
epígrafe de Salazar


Lisboa, 1955 (aliás, 1956)
Campanha Nacional de Educação de Adultos
[1.ª edição ?]
16,4 cm x 11,4 cm
6 págs. + 122 págs. + 6 folhas em extra-texto impressas a cor
exemplar estimado, contracapa um pouco suja; miolo limpo
17,00 eur (IVA e portes já incluídos)

No quadro de uma colecção educativa, propõe o antologiador – inspirado no Romanceiro de Almeida Garrett – «[...] restituir ao povo as suas canções como coisa viva, aproximando-as apenas, quanto possível, por matérias – o mar, o amor e o sentimento religioso, a luta da virtude com o vício, a guerra, o maravilhoso lendário – e fazendo-as preceder, quando necessário, de introduções explicativas, para facilitar a leitura. [...]»

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Contos da Solidão


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Henrique Ruivo

Lisboa, 1970
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19 cm x 12,5 cm
284 págs.
exemplar estimado, com manchas de antiga humidade na lombada mas sem qualquer sinal de quebra; miolo limpo
25,00 eur (IVA e portes já incluídos)

«[...] Nem o cárcere afastou a palavra escrita, ou talvez inspirada por ele, porque foi em tais circunstâncias que o autor escreveu Contos da Solidão (1970) em papel higiénico. Guedes de Amorim escreveu no Século Ilustrado: “Sempre original, sempre perfeito, sempre completo, Urbano Tavares Rodrigues dá-nos, em Contos da Solidão, alguns dos melhores contos da solidão do homem de hoje.” [...]» (Sílvia de Araújo Igreja, «Estórias de um escritor: “[...] é aquilo que sou de vocação e ofício [...]», in Escrevivendo Urbano Tavares Rodrigues – Exposição Biobibliográfica, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2009)

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Viamorolência


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Henrique Ruivo

Lisboa, Abril de 1976
Livraria Bertrand, S. A. R. L.
1.ª edição
19 cm x 12,2 cm
156 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
22,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Livro apostado em avisar-nos contra os perigos do sectarismo, «[...] apelo à unidade perante a ameaça sempre presente do regresso do fascismo. [...]»

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