sexta-feira, janeiro 22, 2021

A Burla do Constitucionalismo



ALFREDO GALLIS

Lisboa, 1905
Parceria Antonio Maria Pereira – Livraria Editora
1.ª edição
182 mm x 138 mm
240 págs.
subtítulo: Autopsia á politica portugueza no actual momento historico – A pantomima, os pantomineiros e as pantominices do nosso mundo politico
encadernação em meia-francesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada
aparado e carminado à cabeça
conserva as capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo
67,00 eur (IVA e portes incluídos)

Assim abre Alfredo Gallis as hostilidades:
«[...] quem tiver de sua justiça qualquer cousa que dizer ao publico e deseje que esta cousa fique, deve escolher o livro e não o jornal onde os mais ponderados conceitos philosophicos se apagam duas linhas abaixo com os detalhes romanescos de um crime de ciume, ou as proesas de um faiante do Bairro Alto ás voltas com dois policias e o gaudio de meia duzia de vadios a gritarem á mesma:
Larga o preso!
A epoca em que o debate jornalistico formava oppinião já passou de moda.
Quando muito, essa velha formula ainda encontra echo nas provincias onde os odios e paixões locaes, a exiguidade do meio, e a tacanhez dos espíritos se prestam regularmente ao seu cultivo.
Aqui, na capital, semelhante processo já não pega.
Os jornaes de larga tiragem Noticias e Seculo não teem espaço para essas cousas, absorvidos n’uma onda de semi-imbecilidade de reportage e de informações que constitue a sua quasi total leitura.
Os outros são lidos por algumas duzias de pessoas que não formam opinião, e acabam nas pratelleiras das tendas ou nos ganchos das retretes.
Embrulhar chouriço e enchugar o anús é o destino fatal dos jornaes.
A sua vida, um pouco mais larga do que a das rosas de Malherbe dura apenas um dia.
O livro pelo contrario dura sempre, e a custo se atira para o lado ou se rasgam as suas folhas. [...]»

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