sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Memoria para servir de indice dos foraes das terras do Reino de Portugal e seus dominios [...]



FRANCISCO NUNES FRANKLIN

Lisboa, 1816
Na Officina da Mesma Academia [Academia Real das Sciencias]
1.ª edição
23 cm x 17,3 cm (estojo)
12 págs. (não num.) + VIII págs. + 260 págs.
acabamento cosido com laçada de linha
cadernos acondicionados num estojo próprio de fábrica recente inteiro em tela crua
não aparado
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo, papel sonante, última página suja
PEÇA DE COLECÇÃO
280,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz-nos Inocêncio Francisco da Silva no seu Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo III, Imprensa Nacional, Lisboa, 1859):
«Francisco Nunes Franklin, Official maior do Archivo Nacional, Chronista da Casa de Bragança, e Socio da Academia R. das Sciencias de Lisboa. – N. na freguezia do Sacramento do Recife de Pernambuco a 23 de Julho de 1778. Depois de ter militado na sua patria com praça em tropa de linha, veiu para Lisboa, e d’aqui partiu para Coimbra, com o intento (dizem) de formar-se em Medicina. Parece que cursou por algum tempo as aulas de Philosophia e Mathematica, mas sentindo-se com pouca disposição para proseguir, abandonou os estudos e voltou para Lisboa em 1802, conseguindo ser aqui empregado no Archivo da Torre do Tombo. Aprendeu a paleographia com o lente João Pedro Ribeiro; e por morte de Antonio Ribeiro dos Sanctos obteve o logar de Chronista da Casa e Estado de Bragança, que lhe foi conferido por alvará de 21 de Junho de 1821. Em Agosto de 1833 foi provido interinamente no logar de Guarda-mór do Archivo, cujas funcções pouco tempo desempenhou, falecendo a 2 de Dezembro do mesmo anno. [...]»

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Elogio Historico de Antonio Feliciano de Castilho, Visconde de Castilho



THOMAZ RIBEIRO

Lisboa, 1877
Academia Real das Sciencias de Lisboa [Typographia da Academia]
1.ª edição
242 mm x 158 mm
40 págs. + 1 folha em extra-texto
subtítulo: Lido na Sessão Publica da Academia Real das Sciencias de Lisboa em 15 de Maio de 1877 – Com o retrato do visconde gravado em aço
ilustrado
exemplar estimado, capa envelhecida e suja; miolo limpo, parcialmente por abrir
20,00 eur (IVA e portes incluídos)


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The Climate of Portugal and Notes on Its Health Resorts

 

D. [DANIEL] G. [GELANIO] DALGADO

Lisboa, 1913
[Real Academia das Ciências de Lisboa]
1.ª edição
texto em inglês
220 mm x 153 mm
XII págs. + 292 págs.
subtítulo: Part I [*]: The Climate of Portugal
exemplar estimado, capa envelhecida; miolo limpo
47,00 eur (IVA e portes incluídos)

* A segunda parte, assim como os 6 mapas que completam a obra, só foram publicados em 1914 na forma de volume único com um total de 510 págs.

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Memorias para a Historia da Medicina Lusitana



JOSÉ MARIA SOARES

Lisboa, 1821
Na Typographia da mesma Academia [Real das Sciencias de Lisboa]
1.ª edição [única]
22,3 cm x 16 cm
2 págs. + XII págs. (rosto e Privilegio) + VIII págs. (Prefação) + 88 págs. [conf. vol. descrito por Inocêncio]
encadernação recente inteira em sintético com gravação a ouro na pasta anterior
não aparado
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo, papel sonante
PEÇA DE COLECÇÃO
400,00 eur (IVA e portes incluídos)

Importante documento histórico contendo capítulos dedicados à medicina lusitana antes e depois da colonização romana, e após as invasões dos povos do Norte e dos árabes.
Segundo o Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo V, Imprensa Nacional, Lisboa, 1860) de Inocêncio Francisco da Silva:
«José Maria Soares, Cavalleiro da Ordem de Christo, Bacharel formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, primeiro Medico do Exercito, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, etc. – Foi natural de Lisboa, e m. na flor da edade a 30 de Abril de 1822.
[As] Memorias para a historia da Medicina Lusitana [...] era a primeira serie de um trabalho, que a morte o impediu de proseguir. – Seu sobrinho Alexandre Augusto de Oliveira Soares tractou depois o mesmo assumpto de litteratura medica, e chegou a colligir as especies para a Memoria que apresentou á Academia [...]»

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Poezias

 

PEDRO DE ANDRADE CAMINHA
[pref. José Correia da Serra (seg. Inocêncio)]


Lisboa, 1791
Na Officina da Mesma Academia
1.ª edição
177 mm x 115 mm
2 págs. (não num.) + XII págs. + 428 págs. + 6 págs. (não num.: índice e catálogo)
subtítulo: Mandadas publicar pela Academia Real das Sciencias de Lisboa
luxuosa encadernação antiga (séc. XIX) inteira em pele gravada a ouro nas pastas e na lombada, folhas-de-guarda em papel marmoreado
pouco aparado
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível, papel sonante
apontamento manuscrito coevo na folha de rosto (frente e verso): «Ex Libris Mardochœi Dove»
PEÇA DE COLECÇÃO
170,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz-nos o Diccionario Bibliographico Portuguez de Inocêncio Francisco da Silva (tomo VI, Imprensa Nacional, Lisboa 1862):
«Pedro de Andrade Caminha,
fidalgo de illustre linhagem, oriunda de Castella. Foi camareiro do sr. D. Duarte, duque de Guimarães, que em remuneração de serviços lhe conferiu a Alcaidaria mór de Celorico de Basto, com uma tença de duzentos mil réis. Á sombra d'este principe cultivou as letras, unido em correspondencia e amisade com os maiores ingenhos que então poetavam em Portugal, menos com Luis de Camões, de quem nem elle, nem os outros fazem menção: “o que nos mostra (diz com sisuda reflexão um dos seus biographos) que os seculos litterarios das varias nações são mui parecidos uns com os outros, e que em todo o tempo a superioridade é odiosa aos contemporaneos”. – E poderia accrescentar, que da parte de Caminha para com Camões havia uma decidida emulação e rivalidade, manifestada, como tudo induz a crer, nos seus repetidos epigrammas contra um que elle chama mau poeta […].
Nasceu Pedro de Andrade na cidade do Porto, em anno que se ignora; e m. em Villa‑viçosa a 9 de Septembro de 1589. – Por mais de duzentos annos se conservaram ineditas as suas obras, e provavelmente o estariam ainda hoje, se a Academia Real das Sciencias não cuidasse da sua publicação, imprimindo‑as a expensas proprias. A collecção foi feita sobre os manuscriptos que separadamente existiam, um na livraria do convento da Graça de Lisboa, contendo as eclogas, epistolas, odes, epitaphios e algumas elegias, etc.; outro na do Duque de Cadaval, que continha os epithalamios, epigrammas, outras elegias, e duas epistolas; e aproveitaram‑se tambem alguns sonetos e outros pequenos poemas, que andavam sim impressos desde o tempo do auctor, mas incorporados em obras de diversos. D’este modo se completou esta primeira e unica edição, dirigida pelos cuidados do então secretario da Academia José Corrêa da Serra, de quem é o prologo que a precede. […]
Póde considerar‑se Pedro de Andrade como um dos mais aproveitados discipulos de Ferreira, a quem muito se approxima pela correcção, elegancia, nobreza de pensamentos e philosophia que reina em suas composições. José Maria da Costa e Silva não hesite em dar‑lhe a preferencia sobre o seu contemporaneo e amigo Diogo Bernardes. […]»


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Conta Dirigida ao Ministerio do Reino pela Segunda Classe da Academia Real das Sciencias sobre o estado dos trabalhos relativos á publicação dos Monumentos Historicos de Portugal e sobre a suspensão delles



Lisboa, 1856
Na Typographia da Academia
1.ª edição
27,6 cm x 22 cm
4 págs. + XIV págs. + 2 págs. + 92 págs.
sóbria encadernação recente em meia-inglesa com gravação a ouro na pasta anterior
não aparado
conserva as capas de brochura
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do Diccionario Bibliographico Portuguez de Inocêncio Francisco da Silva (tomo II, Imprensa Nacional, Lisboa, 1859):
«[...] Os documentos que acompanham esta Conta envolvem particularidades interessantes e curiosas, tanto para a historia da Academia, como a respeito de outras especies litterarias, e até bibliographicas. De pag. 9 a 15 vem uma extensa carta do sr. A. Herculano, então vice‑presidente da Academia, datada de 30 d’Abril de 1856, explicando as causas que o impelliram a dar a demissão d’aquelle cargo.»

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As Ilhas de S. Thomé e Principe



VICENTE PINHEIRO LOBO MACHADO DE MELLO E ALMADA

Lisboa, 1884
Typographia da Academia Real das Sciencias
1.ª edição
21,8 cm x 14,7 cm
XX págs. + 540 págs. + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: Notas de uma Administração Colonial
encadernação antiga com restauro recente na lombada, cantos frágeis, rótulo gravado a ouro na lombada
muito pouco aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo, restauro tosco no frontispício
carimbos de posse nas págs. 1, 3 e 5
140,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do segundo visconde de Pindela, diplomata, par do reino, deputado e ainda governador de São Tomé e Príncipe entre 1880 e 1881, de cuja experiência deixou o vertente estudo.

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Diabruras, Santidades e Prophecias


A. C. TEIXEIRA DE ARAGÃO

Lisboa, 1894
Typographia da Academia Real das Sciencias
1.ª edição
24,5 cm x 16,1 cm
XII págs. + 152 págs.
encadernação antiga meia-francesa em pele e papel de fantasia, cantos em pele, gravação a ouro na lombada, nervuras pontilhadas a ouro
pouco aparado, carminado no corte à cabeça
conserva as capas de brochura
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
125,00 eur (IVA e portes incluídos)

O autor, Augusto Carlos Teixeira de Aragão, foi médico militar, arqueólogo-numismata e historiador. Mais conhecido, aliás, nestes campos do que como demonologista. A sua magna Descrição Geral e Histórica das Moedas Cunhadas em Nome dos Reis, Regentes e Governadores de Portugal continua a ser obra de referência. Do vertente estudo e recolha diz-nos, aqui e além, Teixeira de Aragão:
«[...] As superstições de um povo são o barometro por onde melhor podemos apreciar o grau da sua civilisação, tendo, sobretudo, em attenção que estes prejuizos não pertencem só ás classes rudes. Na sciencia temos a busca da pedra philosophal; e a astrologia judiciaria, com a consulta dos corpos celestes para conhecer o futuro, sevia de guia até ao fim do seculo XVII a alguns monarchas e pontifices. [...]»
«[...] As superstições da gente ignorante ou pouco illustrada fluctuam entre o espirito de Deus e o do diabo. Na sua phantasia não ha personalidades definidas; do pequeno fazem grande, do sagrado profano; e a imaginação exaltada pinta-lhes ao mesmo tempo maravilhas e terrores. [...]»
«[...] Os nevropatas são espiritos ignorantes e fracos que se levam pela crendice da goécia. É a reacção mystica supplantando o materialismo pelo fanatismo da fé religiosa, e que na sua cegueira acceita todos os phenomenos por mais disparatados, como o pacto com o diabo, etc. [...]»

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A Dança Judenga


BULHÃO PATO

Lisboa, 1901
Typographia da Academia
[1.ª edição]
167 mm x 122 mm
36 págs.
subtítulo: Satyra
encadernação inteira em sintético, gravada a ouro na pasta anterior
não aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Sátira feroz aos usos e costumes da época, por mão de alguém que foi glória entre as glórias caricaturadas por Rafael Bordalo Pinheiro. Dos versos:
«D’entre os fastos portugueses,
E do punho realengo,
Saía um barão... ás vezes!
Hoje – d’um queijo flamengo
Sáem condes e marquezes!
[...]
Se um desgraçado petisca,
Para accender a candeia,
O menos a que se arrisca
É d’ir bailar á cadeia!
Que o fisco salta-lhe á isca! [...]»

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quinta-feira, fevereiro 02, 2023

Memórias (1777 a 1826)

 

FRANCISCO MANUEL TRIGOSO DE ARAGÃO MORATO
org. Ernesto de Campos de Andrada


Coimbra, 1933
Imprensa da Universidade
1.ª edição
238 mm x 160 mm
VIII págs. + 1 folha em extra-texto + 300 págs.
subtítulo: Começadas a escrever por êle mesmo em princípios de Janeiro de 1824 e terminadas em 15 de Julho de 1835
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível, por abrir
57,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Memórias do Sexto Marquês de Lavradio

 

MARQUÊS DE LAVRADIO [José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de Sá]
José Luiz de Almeida (Lavradio), coord.


Lisboa, 1947
Edições Ática
1.ª edição
234 mm x 170 mm
4 págs. + 276 págs. + 31 folhas em extra-texto
ilustrado com reproduções fotográficas impressas em rotogravura
luxuosa encadernação em meia-francesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada e nos remates na pele em ambas as pastas
pouco aparado
conserva as capas de brochura
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
PEÇA DE COLECÇÃO
130,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Cartas – Um Militar e uma Emigrante

 

MARIA LUÍSA DUTRA

s.l. [Lisboa], 1974 [pré-Abril]
Edição da Autora
1.ª edição
172 mm x 115 mm
168 págs.
ilustrado
exemplar estimado, contracapa empoeirada; miolo limpo
tem agrafado no ante-rosto uma folha-volante dupla com o poema da autora Bandeira Açoriana
VALORIZADO PELO AUTÓGRAFO DA ESCRITORA NA FOLHA-VOLANTE
20,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Tempos de Coimbra

 

ANTÓNIO CABRAL
capa de Victor Palla


Coimbra, 1947
Coimbra Editora, L.da
«segunda edição, aumentada, correcta e melhorada»
193 mm x 136 mm
294 págs.
subtítulo: Memórias de estudante. – Anedotas e casos, figuras e tipos
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível, por abrir
47,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Ainda Não É Tarde

 

ANTÓNIO JOSÉ FERNANDES
ilust. António Ramos

Lisboa, 1955
Edição do Autor [Centro Bibliográfico, ditrib.]
1.ª edição
192 mm x 135 mm
4 págs. + 68 págs.
impresso sobre papel superior
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
é o n.º 28 de uma tiragem especial de apenas 40 exemplares
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Versos

 

MANUEL GONÇALVES (FEITICEIRO DO NORTE)
pref. e notas de Alberto F. Gomes
ilust. Ana Maria Lomelino
fotog. António P. Martinho


Funchal, 1959
«Voz da Madeira» (separata)
1.ª edição
212 mm x 156 mm
XXXVIII págs. + 170 págs.
ilustrado
exemplar estimado; miolo irrepreensível
ostenta colado no verso da capa o ex-libris de Jaime Lopes Dias
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO PREFACIADOR AO ETNÓGRAFO JAIME LOPES DIAS
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Historia do Fado

 

PINTO DE CARVALHO (TINOP)

Lisboa, 1903
Empreza da Historia de Portugal – Sociedade Editora
1.ª edição
198 mm x 135 mm
4 págs. + 1 folha em extra-texto (retrato) + 1 folha de vegetal protector da imagem + 272 págs.
ilustrado
encadernação modesta inteira em tela encerada com gravação a ouro na lombada, folhas-de-guarda em papel marmoreado
aparado, sem capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo limpo
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR AO ESCRITOR FRANCISCO SIMÕES RATOLLA
70,00 eur (IVA e portes incluídos)


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A Geração de 70

 

JOÃO GASPAR SIMÕES
ilust. Abel Manta


Lisboa, s.d. [1971, seg. Inst. Camões]
Editorial Inquérito Limitada
1.ª edição
189 mm x 124 mm
168 págs.
subtítulo: Alguns Tópicos para a Sua História
ilustrado
capa impressa frente e verso
exemplar como novo
22,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Sobre um Vulcão

 

JOSÉ PEREIRA DE LIMA
pref. Maria O’Neill
capa de Fonseca

Lisboa, 1929
Editado Pelo Auctor
1.ª edição [1.º milhar]
187 mm x 121 mm
208 págs.
exemplar estimado; miolo irrepreensível, por abrir
VALORIZADO PELO AUTÓGRAFO DO ESCRITOR
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Viagem à Roda da Minha Aldeia

 

ADELINO MENDES
capa de Rocha Vieira


Lisboa, 1940
Editorial «Século»
1.ª edição
192 mm x 131 mm
62 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
22,00 eur (IVA e portes incluídos)

Adelino Lopes da Cunha Mendes (1878-1963), que se notabilizou como jornalista, refere-se à aldeia do Reguengo do Fétal, nas redondezas da Batalha.

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Urbanizar e Construir para Quem?


FERNANDO GONÇALVES
grafismo de Luísa Brandão

Porto, 1972
Afrontamento (ed. Autor)
1.ª edição
205 mm x 114 mm
200 págs. + 1 desdobrável em extra-texto
subtítulo: A propósito do plano de Chelas
ilustrado
exemplar estimado, contracapa com pequeno vinco; miolo irrepreensível
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Assim abre o Prefácio do autor:
«O desejo de conhecer o modo de actuação das superestruturas políticas sobre o processo de urbanização a que tem estado sujeita a formação social portuguesa está na origem deste trabalho, apresentado em Maio de 1971 na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa como prova final do curso de Arquitectura. [...]»

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Instructions pour les Semis de Fleurs de Pleine Terre

 

VILMORIN-ANDRIEUX & Cie

Paris, 1887
Chez Vilmorin-Andrieux & Cie – Marchands-Grainiers
7.ª edição
texto em francês
212 mm x 134 mm
152 págs.
subtítulo: Avec l’indication de leur dimension, couleur, époque de floraison, culture, etc. suivies de classements divers suivant leur emploi de quelques synonymes étrangers et d’une notice sur la formation et l’entretien des gazons
profusamente ilustrado
encadernação editorial inteira em tela encerada com gravação a ouro e relevo seco nas pastas
exemplar estimado; miolo limpo
carimbo da loja Flora Portuense – Aurelio da Paz dos Reis no frontispício
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Maneira de Pensar o Urbanismo

LE CORBUSIER
trad. José Borrego


s.l., 1969
Publicações Europa-América
1.ª edição
182 mm x 115 mm
220 págs.
ilustrado
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
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A Pacificação dos Parintintins

 

JOAQUIM GONDIM

Manaus (Brasil), 1925
Commissão Rondon
1.ª edição
229 mm x 161 mm
68 págs. + 26 folhas em extra-texto
subtítulo: Koró dé iuirapá
profusamente ilustrado em separado
exemplar muito estimado; miolo limpo
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da Apresentação do fac-símile (Governo do Amazonas, Manaus 2001):
«Não estamos diante de um literato nato. Jornalista cearense, chegado a Manaus antes de 1910, Joaquim Gondim de Albuquerque Lins trabalhou em vários jornais no Amazonas, assumindo posição firme no grupo político do Partido Democrático, ao lado do coronel Guerreiro Antony e do barão do Solimões, o dr. Manoel Francisco Machado. Naquela tribuna enfrentou todo o governo Jonathas Pedrosa (1913-1917), inclusive os bombardeios que destruíram o jornal e a residência do coronel. Formou-se em Direito pela faculdade do Amazonas em 1926, escreveu versos, publicou poesias, inclusive Folhas Secas com prefácio do professor Agnello Bittencourt e, retornando ao Ceará, foi magistrado. Em 1921 escreveu e publicou Através do Amazonas onde cuidou de alguns problemas econômicos e financeiros do Estado e a seguir, fruto de paciente observação como integrante da equipe do serviço de Proteção aos Indios do Amazonas, reunindo apreciação as mais diversas de 1921 a 1923, publicou em junho de 1925 o presente trabalho A Pacificação dos Parintintins, sob a ótica da civilização branca, narrando inclusive a participação da expedição norte-americana chefiada pelo barão Rudolph Schansee. É uma narrativa, como se fosse um diário de todas as ações empreendidas no interesse de pacificar aquele importante grupo indígena, meta bastante reclamada pelos indigenistas e governantes da época. […]» (Róberio Braga)

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Humus


RAUL BRANDÃO
capa de Julio Vaz

Rio de Janeiro / Porto, 1921
Annuario do Brasil / Renascença Portuguesa
2.ª edição
188 mm x 130 mm
240 págs.
encadernação sóbria em meia-francesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada
aparado e carminado somente à cabeça
conserva as capas de brochura
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Acerca de autor e obra escreveu um dia o poeta Mário Cesariny:
«[...] Sem dúvida porque em primeiro e quase único lugar o [merece, precursor que é] do abater de fronteiras, formais e outras, com que passa hoje o que tenho por melhor na literatura contemporânea. E que mui significativamente liga ao que de melhor nos ficou da literatura “antiga”. E porque pelo menos uma vez – mas vez decisiva e plena de consequências, creio – o levaram a mutilar obra tão importante para ele e para nós como o Húmus. Como Gomes Leal, que após a primeira edição do Anti-Cristo lhe retira numerosas páginas de génio poético ímpar, Brandão corta da força primeira do Húmus os capítulos finais da obra, terríveis e também únicos como letra profética do que depois viria aos imperativos da revolução social: a clausura das massas, o poder militar, o terrorismo institucional nas suas duas formas de Europa, o massacre em nome da revolução e em vez dela.»
É esta segunda edição que aqui temos, “espurgada” de um raro fulgor literário, mas, mesmo assim, mantendo-se como mais importante obra de prosa da primeira metade do século XX. Neste sentido, vale o que vale a que lhe deu origem.

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Carta aos Cristãos e ás Féras


GOMES LEAL

Lisboa, s.d. [1913 *]
s.i. [ed. do Autor ?]
[1.ª edição]
245 mm x 171 mm
16 págs.
subtítulo: Profecia do Seculo XX
acabamento com um ponto em arame
exemplar estimado; miolo limpo
assinaturas de posse na capa
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA (NÃO ASSINADA) DO AUTOR
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se aqui de um ex-panfletário republicano que claramente já abjurou da causa... Escreve Vitorino Nemésio no seu ensaio «Destino de Gomes Leal» (ver Gomes Leal, Poesias Escolhidas, Livraria Bertrand, Lisboa, s.d. [1953]):
«[...] ainda há dois anos tinham matado o Rei e o Príncipe Real; todos os dias se dava um passo para a República. O sublime desprendimento de Gomes Leal perdera o rasto da glória cívica, o faro das chamadas “grandes ocasiões”. Enquanto o seu amigo Magalhães Lima andava em Paris minando a monarquia, êle começava a rondar discretamente as igrejas onde via entrar a mamã. [...]»

* Data sugerida, embora em dúvida, por Ladislau Batalha, in Gomes Leal na Intimidade (Livraria Peninsular Editora de José da Silva Oliveira, Lisboa, 1933).

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Historia de Jesus para as Criancinhas Lerem

 

GOMES LEAL

Lisboa, 1913
Edição da Voz da Juventude – Casa Catolica de Almeida & Miranda
2.ª edição
186 mm x 136 mm
XXIV págs. + 148 págs.
encadernação sóbria em meia-francesa com cantos em pele gravada a ouro na lombada, com o selo de Raúl de Almeida Encad. Dour. no verso da primeira folha-de-guarda
aparado somente à cabeça
conserva as capas de brochura
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Dinis e Isabel

 

ANTÓNIO PATRÍCIO
ilust. Sofia de Sousa


Paris-Lisboa – Porto – Rio de Janeiro, 1919
Livrarias Aillaud e Bertrand – Livraria Chardron – Livraria Francisco Alves
[1.ª edição] 1.º milhar
194 mm x 134 mm
196 págs.
subtítulo: Conto de Primavera
ilustrado com elegantes cabeçalhos
impresso a duas cores sobre papel superior avergoado
sóbria encadernação em meia-inglesa gravada a ouro na lombada e relevo seco nos remates da pele nas pastas
aparado e carminado somente à cabeça
conserva as capas de brochura
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
carimbo do autor na pág. 4
VALORIZADO PELA EXPRESSIVA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
45,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Dinis e Isabel


ANTÓNIO PATRÍCIO
ilust. Sofia de Sousa

Paris-Lisboa – Porto – Rio de Janeiro, 1919
Livrarias Aillaud e Bertrand – Livraria Chardron – Livraria Francisco Alves
2.ª edição
19,4 cm x 13 cm
196 págs.
subtítulo: Conto de Primavera
ilustrado com elegantes cabeçalhos
impresso a duas cores sobre papel superior avergoado
exemplar manuseado mas aceitável, restauro na lombada e na contracapa; miolo limpo
carimbo do autor na pág. 4
sucessivas dedicatórias de posse no frontispício e no ante-rosto, sendo esta do engenheiro agrónomo Francisco Perry Vidal
22,00 eur (IVA e portes incluídos)


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quarta-feira, fevereiro 01, 2023

O Cavalo a Tinta-da-China

 

BAPTISTA-BASTOS
sobrecapa de João Machado


Porto, 2001
Asa Editores II S.A.
4.ª edição
202 mm x 133 mm
272 págs.
encadernação editorial com sobrecapa
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR À ESCRITORA FILIPA MELO
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Notas Contemporaneas

 

EÇA DE QUEIROZ

Porto, 1909
Livraria Chardron de Lello & Irmão, Editores
1.ª edição
180 mm x 124 mm
8 págs. + 1 folha em extra-texto + 576 págs.
ilustrado com o retrato do autor
encadernação em meia-inglesa com a lombada em pele gravada a ouro
aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse no ante-rosto
50,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Correspondencia

 

EÇA DE QUEIROZ
pref. José Maria d’Eça de Queiroz


Porto | Lisboa-Paris, 1925
Livraria Chardron, de Lello & Irmão, L.da Editores | Aillaud e Bertrand
1.ª edição
183 mm x 123 mm
XVI págs. + 1 folha em extra-texto + 316 págs.
encadernação editorial inteira em tela encerada com gravação a ouro na pasta anterior e na lombada, relevo seco em ambas as pastas, folhas-de-guarda impressas
exemplar muito estimado; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
60,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Desespêro

 

ARTUR TOJAL
pref. Rolão Preto


Porto, 1939
[Emprêsa Editorial “Meio Dia”]
1.ª edição
186 mm x 118 mm
64 págs.
exemplar envelhecido mas aceitável; miolo limpo, papel com acidez
22,00 eur (IVA e portes incluídos)


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O Marquês da Bacalhoa, seguido de A Execução do Rei Carlos

ANTÓNIO DE ALBUQUERQUE
na capa e nas folhas de guarda reproduções fotográficas de Joshua Benoliel

Lisboa, 1 de Fevereiro, 2008
frenesi
1.ª reedição das edições princeps de 1908 e 1909
19 cm x 13 cm
384 págs.
subtítulo: Monárquicos e Republicanos
as imagens reproduzidas nas folhas de guarda devem ser consideradas inéditas
exemplar novo
24,00 eur (IVA e portes incluídos)

Transcrição integral do «Exórdio» à vertente edição:
«Grosso escândalo com o livro do Albuquerque – O Marquês da Bacalhoa. Este Albuquerque, conhecido pelo Lêndea, é o último descendente, pelo pai, do grande Afonso de Albuquerque, e, pela mãe, do grave, do douto João de Barros. Ainda aqui há anos, quando o rei visitou uma terra de província e se hospedou na casa dele, saíram das lojas caixotes de louça da Índia, que nunca tinham sido abertos. Ele tem tido uma vida de aventuras: bateu-se em duelo em Madrid, caçou no Cabo com lordes, tocou guitarra em Trouville e teve uma loja de instalações eléctricas na Itália. Agora é jornalista, escritor, poeta, e publica este livro de escândalo, em que a rainha, senhora na mais alta acepção da palavra, é posta de rasto… Mas faça-se-lhe justiça: tudo aquilo – e pior – anda por aí de boca em boca há muito tempo. E não vem de baixo – vem de cima…» (Raul Brandão, Memórias, I)
É num contexto histórico de revolta popular armada generalizada contra a ditadura do ministro monárquico João Franco que surge o romance panfletário de António de Albuquerque, em Janeiro de 1908; e, no dia 1 de Fevereiro, o inevitável regicídio, assumido por Manuel Buíça e Alfredo Costa. Fossem os deputados António José de Almeida, Egas Moniz, Afonso Costa, etc., ou o escritor Aquilino Ribeiro, as prisões enchiam-se de presos políticos, enquanto esquadras e quartéis iam sendo assaltados ou meramente destruídos à bomba. Timor, Moçambique, Angola, por exemplo, eram então autênticos viveiros de deportados… Só para se fazer uma ideia da influência ravacholista (a «poesia da dinamite») entre a população comum: a Carbonária, segundo o historiador Borges Grainha – que nem é único a dar à posteridade um tal retrato –, contava com algo como quarenta mil aderentes. «O lisboeta medroso foi substituído pelo lisboeta que dá tiros nos cafés…» (ainda nas palavras de Brandão). Deste mesmo modo, certos escritos da época, por seu turno, saíam dos entrefolhos da Literatura, descuidados na confecção estilística, respondendo à urgência do momento: consolidar uma opinião pública, legitimando d’avance a acção directa dos revoltosos.
Nunca se terá visto unanimidade mais geral, como a que os raros dicionários que se lhe referem patenteiam quando põem a sua garra sobre este autor: «escritor medíocre». E quando é Júlio Dantas, com a sua Ceia dos Cardeais, quem recolhe o elogio de «correcção formal», está tudo dito! Todavia, viviam-se dias pródigos em jornais de caricatura agressiva, e, entre o traço grosso e a reportagem de costumes, são esses os mais óbvios inspiradores da pena do nosso Albuquerque.
Gomes Leal, o fino poeta e panfletário, também ele frequentador das celas do Limoeiro, disto teve a visão à época, e, ao longo de três fascículos do seu Verdades Cruas, foi um dos arautos de Albuquerque. Começando por indignar-se com a ínvia apreensão do livro – «infeliz reputação régia que precisa de tais expedientes de confisco, mordaça e repressão, para encobrir e tapar as suas malhas podres, se acaso as tem, ou as há» (Verdades Cruas, n.º 15) –, acaba, em troca de correspondência pública com o autor, por tecer-lhe o necessário elogio:
«Reconheço a necessidade da severa História, da Sátira, do Panfleto, da Crítica dos costumes. A crápula do império romano, sem o desabafo dos historiadores e dos satíricos, seria uma vergonha hedionda e eterna da consciência Humana.
Disse-lhe que o seu romance era bem escrito, verdadeiro, mas cruel, e não me desdigo. A isto pode retorquir-me: Dura lex, sed lex!
Disse-lhe também que o seu romance fora mal revisto e continha muitos erros de imprensa que o apoucavam, e a isto retorquiu-me bem que ele fora impresso com imensas dificuldades, atabalhoadamente composto por tipógrafos inábeis, e em locais acanhados e secretos, para evitar as pesquisas e perseguições políticas. Compreendi então todos os defeitos que o maculavam, e que fizeram dizer à crítica injusta que o romance era mal feito, mal escrito, mal posto em acção e num péssimo português mascavado.
Console-se porém de todas as contrariedades e anátemas que lhe acarretaram o seu livro. Lembre-se que vai em camaradagem com muitos outros espíritos superiores excomungados pelos anátemas dos injustos contemporâneos, por perpetrarem também livros chamados revolucionários, hereges e malditos.» (Verdades Cruas, n.º 17)
Figuras gradas da época podem, então, aí ser identificadas sob a máscara ridícula do seu nome romanesco. Sabendo-se que a família real é dada pelos Bacalhoas, torna-se fácil decifrar, por exemplo, o ditador João Franco num João Nunes dos Santos, Mouzinho de Albuquerque num coronel Luna, o marquês de Soveral num Álvaro Negrão, o próprio autor em José Gusman, etc., etc., numa girândola implacável que, ao semear a saudável risada, colheu o ódio da polícia. Reproduz-se adiante, frente e verso, uma das muitas folhas que, por vezes, os leitores iam deixando dentro dos livros, onde identificavam, à sua responsabilidade, os figurões: procurar confirmação do que lá se afirma, é hoje tarefa de ratazana universitária.
Já A Execução do Rei Carlos (de 1909; óbvio desenlace do livro anterior) fica-se pela marca azeda de um fugitivo às sequelas do regicídio, cônscio de como fora traído, ou pelo menos frustrado nas expectativas. Sentimento, aliás, comum a tantos revolucionários sempre que deixam para trás de si portas abertas desaproveitadas… A (in)acção decorre em Espanha, e, para além do lamento pessoal, capta, da boca de um directo interveniente nos acontecimentos que vitimaram a família real, detalhes desse dia que virou o país de pernas para o ar. Limpando os escolhos “literários”, subsiste na sua pungência original uma passagem da nossa História, das difíceis de se lhe omitir a parte maldita.
E no fim de tudo (Junho, 1923), de novo Raul Brandão não se esquecerá de redigir um apontamento sobre a morte, em Sintra, do autor d’O Marquês da Bacalhoa:
«Já há longos meses que tinha desaparecido dos cafés. Nos últimos tempos queixava-se:
– Enquanto fui pobre, tive sempre saúde, agora, que herdei, estou sempre doente.
Morreu dum cancro na bexiga, depois de sete meses dum sofrimento horrível. Vivia enovelado, sobre um charco de urina, a gemer, num quarto onde ninguém podia entrar por causa do fedor. Tinham-lhe feito uma operação à bexiga e, quando lhe deram com o cancro, já lhe não puderam coser toda a abertura.
Estava sempre a gritar e a mijar-se. Antes de morrer, mandou pedir perdão à rainha e chamou um padre, pedindo perdão a Deus.
O Marquês da Bacalhoa chamou-se primeiro Enseada Azul. Quem lhe insinuou o título definitivo foi o Gualdino Gomes. Imprimiram-no num quarto andar da rua do Arco do Bandeira, numa dessas pequenas oficinas a que os tipógrafos chamam catraia. Mas quem o escreveu? Alguns dos capítulos não são do António de Albuquerque…» (Vale de Josafat, Memórias, III)

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Poesia 70 – 71


EGITO GONÇALVES, org.
MANUEL ALBERTO VALENTE, org.
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, org.
aa.vv.
capa e grafismo de Armando Alves
ilust. Ângelo

Porto, 1971 e 1972
Editorial Inova Limitada
1.ª edição
2 volumes (completo)
195 mm x 140 mm
248 págs. + 256 págs.
exemplares estimados; miolo limpo, as páginas finais do segundo volume apresentam um erro tipográfico de impressão designado por repintagem
assinaturas de posse nos ante-rostos
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Alguns autores coligidos foram, à época, uma revelação entre alguns outros basto conhecidos. É assim que deve ser feita uma antologia: transportar o vinho novo dentro de selhas velhas. Alguns exemplos: Fallorca ao lado de José Gomes Ferreira, ou Eduardo Guerra Carneiro ao lado de Saramago, ou Nuno Guimarães ao lado de Cesariny, ou José Agostinho Baptista ao lado de Couto Viana; ou mesmo Idalécio Cação de par com João Miguel Fernandes Jorge, ou Licastro na companhia de Herberto Helder, de Jorge de Sena, de Régio, de Sophia, de Maria Teresa Horta (que vai muito bem com Torquato da Luz e Fernando Grade), etc., etc., etc.

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