Lisboa, 11 de Maio de 1946 a 3 de Maio de 1947 (52 números);
1 de Maio de 1948 (último número)
dir. Jaime Cortesão Casimiro e Adolfo Casais Monteiro
ed. Luís de Sousa Rebelo
propriedade da Editorial Confluência, Lda.
53 números (colecção completa)
305 mm x 212 mm (estojo)
51 x 16 págs. + 2 x 20 págs.
profusamente ilustrados, texto distribuído por três colunas
acabamento com um ponto em arame
exemplares estimados; miolo limpo
apresentam-se na forma original de comercialização *,
fascículos soltos acondicionados num elegante estojo de confecção manual
recente
350,00 eur (IVA e portes incluídos)
Revista literária a que a censura salazarista pôs termo.
Passou-se assim, tal como evoca Jaime Cortesão Casimiro (ver Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária
Portuguesa do Século XX – 1941-1974, vol. II, 1.º tomo, Grifo, Lisboa,
1999):
«[...] A escolha dos colaboradores
norteava-se por um critério obviamente não declarado, mas que não era difícil
de inferir: o de não apoiarem ou colaborarem com o Estado Novo, tendo a maioria
deles subscrito as famigeradas listas do MUD contra o Governo.
Não faltaram problemas com a
Censura, que me cabia contactar nessas situações e, para evitar uma primeira
suspensão, fomos forçados por ela a “Declaração” publicada no n.° 6.
A colaboração era remunerada e, em
Maio de 1947, as dificuldades financeiras e dívidas acumuladas impuseram a
suspensão, que anunciámos no n.° 52, de 3 de Maio de 1947. Consegui, ao fim de
quase um ano, o apoio da Editorial Cosmos, gerida por Manuel Rodrigues de
Oliveira, após contacto com o Prof. Bento de Jesus Caraça, e o n.° 53 surgiu em
1 de Maio de 1948, no qual se assinalava que Casais Monteiro abandonara o Corpo
Directivo, continuando a dar-nos a sua colaboração. Foi o pretexto para a Censura
decidir acabar com o semanário, invocando o que considerava uma intolerável
guinada para a esquerda e denunciando em especial a sua falta de confiança no
novo corpo directivo e na reportagem “Alfambras, Terras Perdidas” de Maia de Jesus
[acerca da miséria da população algarvia]. Desde então, a Censura recusava-se a
devolver, visadas ou cortadas, as provas dos textos a publicar. E quando
insistíamos por carta para saber as razões da sua atitude, era-nos respondido
apenas que confirmavam o que sobre o assunto haviam dito ao director Jaime
Casimiro.
Ainda cheguei a procurar António
Ferro que me remeteu para Luís Forjaz Trigueiros, salvo erro ao tempo Director
do Diário Popular. Ao contactar este último, tornou-se claro que se
pretendia tutelar por este meio o Mundo Literário. Desistimos então.
[...]»
* Os exemplares que chegaram até nós assim preservados não
devem ser aparados, cosidos ou encadernados, dada a importância do seu testemunho
físico, enquanto peças para a história das artes tipográficas e editoriais; a
sua conservação dentro de estojos, de que o vertente exemplar constitui modelo,
é a mais correcta.