domingo, maio 03, 2026

Montedor


J. RENTES DE CARVALHO
pref. António José Saraiva
capa de Pilo da Silva

Lisboa, 1968
Prelo – Soc. Gráfica Editorial, Lda.
1.ª edição
196 mm x 143 mm
224 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo
assinatura de posse à cabeça da pág. 7
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Tornou-se não há muito tempo num desses escritores que, com obra feita, entram, por artes mágicas, na moda. Delírio traiçoeiro. Atrevido, faz parte de um grupo de escribas com lata para se julgarem à altura de estender a boa farinha de que Eça se serviu para criar esse zénite da literatura portuguesa que é Os Maias. Sem desprimor para a sua obra própria e pretérita, que José Saramago reconheceu desde logo na revista Seara Nova (Maio de 1968):
«[...] Não se acredita, e acontece. [...] Com Montedor e Rentes de Carvalho apareceram um romance e um autor inesperadamente sólidos. [...]
Montedor será um romance pícaro, como diz António José Saraiva no prefácio que para ele escreveu. Mas é também um livro que nos deixou uma funda e persistente impressão de tristeza. [...] A gente que povoa este romance não tem futuro. Rentes de Carvalho, sem intervir pessoalmente, como o faria um moralista qualquer, faz obra de moralista algo céptico, despido de ilusões, ciente de que esta vida é uma “magnífica” trituração. Entende que não tem grandes motivos para acreditar nas suas personagens – e não o esconde. O espectáculo é tão pouco reconfortante que de repente nos vem a vontade de propor uma diferente leitura para o título do livro: Monte Dor. Uma dor que não grita nem esbraceja, mas que faz crispar o sorriso em Montedor.»

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