J. RENTES DE CARVALHO
pref. António José Saraiva
capa de Pilo da Silva
Lisboa, 1968
Prelo – Soc. Gráfica Editorial, Lda.
1.ª edição
196 mm x 143 mm
224 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo
assinatura de posse à cabeça da pág. 7
assinatura de posse à cabeça da pág. 7
30,00 eur (IVA e portes incluídos)
Tornou-se não há muito tempo num desses escritores que, com obra
feita, entram, por artes mágicas, na moda. Delírio traiçoeiro. Atrevido, faz
parte de um grupo de escribas com lata para se julgarem à altura de estender
a boa farinha de que Eça se serviu para criar esse zénite da literatura
portuguesa que é Os Maias. Sem
desprimor para a sua obra própria e pretérita, que José Saramago reconheceu
desde logo na revista Seara Nova (Maio
de 1968):
«[...] Não se acredita, e acontece. [...] Com Montedor e Rentes de Carvalho apareceram
um romance e um autor inesperadamente sólidos. [...]
Montedor será um
romance pícaro, como diz António José Saraiva no prefácio que para ele
escreveu. Mas é também um livro que nos deixou uma funda e persistente
impressão de tristeza. [...] A gente que povoa este romance não tem futuro.
Rentes de Carvalho, sem intervir pessoalmente, como o faria um moralista
qualquer, faz obra de moralista algo céptico, despido de ilusões, ciente de que
esta vida é uma “magnífica”
trituração. Entende que não tem grandes motivos para acreditar nas suas personagens – e não o esconde. O espectáculo é
tão pouco reconfortante que de repente nos vem a vontade de propor uma
diferente leitura para o título do livro: Monte Dor. Uma dor que não grita nem
esbraceja, mas que faz crispar o sorriso em Montedor.»
