domingo, janeiro 06, 2019

Na Abertura da Exposição Postuma de Abel Salazar


JÚLIO POMAR

Porto, 1948
Fundação Abel Salazar
1.ª edição
19 cm x 12,2 cm
16 págs.
composto manualmente em Elzevir
exemplar estimado; miolo limpo
37,00 eur (IVA e portes incluídos)

Texto de uma conferência, em que o pintor Júlio Pomar vem em defesa do pintor Abel Salazar, sendo ambos resistentes antifascistas... o que não é dizer pouco. A título de exemplo, uma veemente passagem desse discurso:
«[...] Não admira, pois, que a obra plástica de Abel Salazar não tenha achado bitola que a julgue, isto é: que ela tenha aparecido aos olhos da generalidade dos que em Portugal dizem fazer arte como uma mensagem estranha à qual não servem os clichés que é de uso trazer no bolso, prontos a aplicar a qualquer um. A verdade é que não se perdoou ainda a Abel Salazar o ter pintado ou martelado cobres; a verdade é que, em nome sei lá de que purismos esteticistas, se excomungaram e se excomungam ainda as revelações violentas que Abel Salazar nos deixou.
Invoca-se muito aquilo a que chamam “o seu amadorismo”; apontam-se a dedo as “insuficiências” do seu desenho, fala-se da “indecisão” dos seus volumes, acusa-se de “expediente fácil” o desenvolver de certas formas, que o ritmo dos veios do contraplacado parecem comandar. É caso para dizer que nunca as lunetas do amador de arte (às vezes tão esquecidas) andaram tanto em bolandas – e nunca a crítica ficou tão longe ou passou tão fora da obra criticada. Onde nasce o erro? Eu creio que se aplicou uma tabela que serviria, quando muito, para classificar pequenos artífices mais ou menos desinteressados do fluir da vida (ou interessados apenas em si mesmos), para medir um homem que se exprimia livremente, desrespeitando todas as relações de família ou compromissos de escola. [...]»
Da arte pictórica de Abel Salazar, pode com justeza dizer-se que antecipou em Portugal quer o olhar sobre os temas sociais, quer o formalismo neo-realistas.

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