s.l. [Tomar], 1968
Nova Realidade [Edição do Autor]
1.ª edição
210 mm x 123 mm
100 págs.
capa em cartolina preta revestida por sobrecapa de cujo inteligente desenho se ignora o autor
exemplar muito estimado; miolo limpo, rodapés das últimas páginas com mancha de café
assinatura de posse no frontispício
37,00 eur (IVA e portes incluídos)
Trata-se do segundo livro do poeta. E é um conjunto de versos que já denotava a fuga do escritor das águas contidas da Poesia 61 para o rio revolto do Surrealismo.
Apenas uma passagem:
«[...] Forçaste-me à renúncia
silogística do verso, à metáfora
gorda, ao corrimão num pulo
porque te estendes, inchas
e cobres tudo com teus lençóis abstractos.
Falar contigo é devolver-te
o uso descarado das palavras: apoiar
as vísceras sensíveis nos teus ombros
o peso da beleza quando se quer dinheiro
o riso dividido quando se quer um corpo
o sémen do futuro quando se quer morrer. [...]
Ouve cansaço: apalpo-te as orelhas
que intensas e comovendo os fracos
me tapam o nariz.
O cheiro da comida é assunto diário
em cada bairro
e todos temos pressa.
Um faro luminoso acode-nos ao sangue
mastigamos-te o mais prosaicamente:
– tu tens de recuar.»
